Para João Thomé de Medeiros Raposo a morte de Gilberto Mestrinho, seu pai, foi uma perda tripla: do pai, amigo e político. Mestrinho morreu na manhã de domingo aos 81 anos no Hospital Prontocord, com insuficiência renal e problemas cardiorrespiratórios, onde estava internado desde o dia 3 de julho. O ex-governador do Amazonas deixou nove filhos 25 netos e sete bisnetos.
Gilberto Mestrinho era admirado das três maneiras, pelos filhos, netos e bisnetos. Segundo Thomé, o pai sempre foi um apaixonado pelo Estado do Amazonas, onde dedicou grande parte de sua vida. “Não poderia ter um desfecho diferente que não fosse falecer aqui em Manaus”, disse consternado.
Ao contar a trajetória política de Gilberto, João Thomé disse que ele começou com Plínio Coelho, que juntos defendiam o trabalhismo – na época vinham rompendo com a oligarquia existente local. Segundo ele, a modernização do Estado do Amazonas se deu a partir de 1954 com a eleição de Plínio Coelho para o governo do Amazonas. Gilberto foi seu secretário de Fazenda, depois se elegeu como prefeito de Manaus com o apoio do governo.
Dois anos depois Gilberto foi indicado como candidato do governo nas eleições de 1958, sendo eleito governador, ficando no cargo até 1962. Como na época podia se candidatar para concorrer as eleições por outro Estado, Gilberto se candidatou por Roraima (RO) e foi eleito como deputado estadual. Sua trajetória política foi interrompida em 1964 quando foi cassado, ficando fora da política até 1982.
Neste mesmo ano Gilberto voltou ao Amazonas e se candidatou para governo, venceu as eleições tomando posse em 1983. Após o fim do mandato se elegeu para o Senado da República.
A Zona Franca sempre foi defendida por Gilberto. Como governador defendeu o modelo ZFM, cuja proposta de criação foi aprovada na época do presidente Juscelino Kubischeque, só que não foi implantada inicialmente. O modelo conseguiu ser implantado em plena ditadura militar. “Isso faz parte da contradição da política brasileira”, disse Thomé Mestrinho.
Lugar predileto
O Palácio Rio Negro sempre foi um lugar predileto de Gilberto. João Thomé disse que ele sempre se sentia a vontade em governar o Estado do Amazonas de lá.
Toda vez que ele governava ele ia para o palácio Rio Negro, porque achava que era a casa dele. “E está sendo a casa dele”, disse.
Na opinião do prefeito Amazonino Mendes, o palácio é a cara dele, porque desde que fez se primeiro governo foi lá. “Ele se identificou com este lugar”, disse.
Por este motivo, a família decidiu fazer o velório no palácio, onde irão passar milhares de pessoas para se despedir até terça-feira, quando vai ocorrer o seu sepultamento.






