‘ZFM precisa de R$ 5 bi para logística’

Em: 13 de setembro de 2011
A logística de transporte sempre foi um entrave para o escoamento da produção do Polo Industrial de Manaus (PIM), que, segundo consultores econômicos e estudiosos do modelo ZFM, vem afugentando novos investimentos no Amazonas
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A logística de transporte sempre foi um entrave para o escoamento da produção do Polo Industrial de Manaus (PIM), que, segundo consultores econômicos e estudiosos do modelo ZFM, vem afugentando novos investimentos no Amazonas

A logística de transporte sempre foi um entrave para o escoamento da produção do Polo Industrial de Manaus (PIM), que, segundo consultores econômicos e estudiosos do modelo ZFM, vem afugentando novos investimentos no Amazonas. Se antes a situação da ZFM era muito delicada por causa de melhores condições de transporte que atendam às necessidades das indústrias instaladas no Amazonas, o problema tende mesmo a se agravar mais ainda no governo da presidente Dilma Rousseff (PT), na visão do ex-prefeito de Manaus Serafim Correa, hoje presidente regional do PSB, que segundo especulações de lideranças políticas locais está cotado para assumir a presidência nacional do partido. Em entrevista exclusiva ao Jornal do Commercio, Serafim Correa traça um cenário sombrio para a ZFM, faz uma análise conjuntural do modelo de desenvolvimento econômico e sentencia que os novos investimentos tendem cada vez mais a buscar novos mercados em função dos problemas de logística no Estado

Jornal do Commercio – Por que existe esse problema crônico de logística na ZFM? O governo nunca se preocupou com essa situação?
Serafim Correa – Na realidade, o problema é estrutural e tem como origem principal o governo federal. De nada adianta o governo estadual e a própria Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus) se mobilizarem para resolver o problema se não forem liberados investimentos federais em infraestrutura logística de transporte para o Amazonas.
JC – Então, a culpa não é da Suframa?
Serafim – Claro, obviamente, que não. A Suframa está muito bem, tem correspondido às suas funções como gestora do modelo, mas não pode fazer nada sozinha. O problema mesmo é a presidente Dilma que, com sua política desastrosa e falta de habilidade com as lideranças políticas, vem prejudicando a Zona Franca de Manaus.
JC – Então, o que se pode fazer?
Serafim – Falta uma liderança do Amazonas que realmente tenha manejo, preparo, habilidade, para se articular no Congresso Nacional. Por exemplo, na questão dos tablets, soube-se antecipadamente que os chineses decidiram produzir o Ipad da Appel em São Paulo por ocasião da viagem da presidente Dilma à China e, posteriormente, ao Japão. O motivo alegado foi a precária logística do PIM. Na época, não se ouviu um sequer discurso de nossa bancada federal em Brasília alertando que o direcionamento dos investimentos da China para São Paulo seria prejudicial à ZFM.
JC – Para a ZFM montar uma infraestrutura de transporte à altura das necessidades das indústrias, qual seria o volume de recursos necessários?
Serafim – Seriam necessários, no mínimo, R$ 5 bilhões, isso só para atender inicialmente à demanda das indústrias instaladas. O problema é muito grave e atinge praticamente todos os setores, não só a indústria. Por exemplo, estamos a poucos anos da Copa do Mundo e até hoje não se tem nada palpável para melhorar a mobilidade em Manaus.
JC – Em relação aos tablets, o senhor criticou o posicionamento das lideranças políticas do Amazonas no Congresso que comemoraram com alarde a vitória do Estado sobre a votação da MP 534 que foi aprovada na Câmara dos Deputados. Então, o resultado não beneficia a região?
Serafim – Obviamente, que não. Na realidade, perdemos tudo. Pela MP dos Tablets, as empresas que produzirem o computador fora de Manaus terão isenção total de IR, pagarão somente 3% de IPI e receberão alíquota zero de PIS/Cofins. Em relação a Manaus, a vantagem será apenas de 0,65% para o empresário em comparação com as demais regiões do País. Então, como as empresas serão incentivadas a fabricar o produto aqui na região, que enfrenta graves problemas de logística de transporte?
JC – E sempre foi assim…?
Serafim – Não. Antes da MP, se uma empresa quisesse produzir os tablets fora do Amazonas, pagaria 15% de IPI e 9,25% de PIS/Cofins. Somados, os dois impostos chegariam a um índice de 24,5% em relação ao preço do produto na fábrica. Ao contrário, se a empresa estivesse instalada em Manaus não pagaria os 15% de IPI e só recolheria 3,65% de PIS/Cofins. Somando-se os 15% e 9,25% e diminuindo-se destes os 3,65%, a vantagem para a empresa que viesse para a ZFM era de 20,65%. Depois da MP, essa vantagem caiu para 0,65%.
JC – Por ocasião da aprovação da MP 534 na Câmara, o senador Eduardo Braga, que será o relator da MP dos Tablets no Senado, se disse satisfeito com o resultado da votação no Senado. Para ele, o Amazonas ficará mais competitivo com as restrições de área de tela de 140cm2 e 160cm2 na produção dos tablets?
Serafim – Sincera­men­te, não vejo vantagens nessas restrições, como alega o senador. Primeiro, porque os tablets tendem a ficar cada vez menores porque são produzidos para serem levados na mão. E, segundo, porque, com essa tendência, nenhuma empresa vai querer fabricar a geringonça de um tablet com tela de 160cm2.
JC – O sr. traça um cenário sombrio para o desfecho da votação da MP 534 no Senado, mesmo tendo um senador amazonense como relator da matéria. Por quê?
Serafim – É questão pura e simples de matemática. No Senado, existem 81 senadores e, destes, somente três são do Amazonas. E só um realmente está decidido (não vou revelar o nome) a votar pela aprovação da medida. Não vejo perspectiva de outro desfecho: o Amazonas sairá, com certeza, derrotado no Senado. Mais uma vez.
JC – Então, mesmo com a desvantagem numérica do Amazonas, como a MP passou pela Câmara?
Serafim – Não sei. É melhor perguntar pra eles (os deputados)…
JC – Existe especulação de o que sr. está cotado para assumir a presidência nacional do PSB. As informações procedem?
Serafim – Por enquanto, não passam de especulações do meio político. Continuo mesmo é como presidente regional do partido.
JC – E as eleições do próximo ano…O sr. sairá mesmo candidato a prefeito de Manaus?
Serafim – Certamente que sim, mais prefiro falar sobre esse assunto em outra oportunidade, de preferência quando estivermos mais próximos das eleições municipais de 2012.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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