Caso o deputado José Ricardo Wendling não mude sua postura de oposição ao governo do Estado na Assembleia Legislativa, terá que suportar as consequências. Quem avisa é o líder do governador Omar Aziz na Aleam, deputado Sinésio Campos (PT), para quem o comportamento político do colega passou dos limites. “O PT é um partido pertencente à base do governo. Logo, ele não pode criticar o governo falando em nome do PT, ele tem é que sair do PT”, desabafa Sinésio.
Os dois parlamentares petistas não se entendem na Aleam desde que José Ricardo chegou ao Legislativo Estadual em 2010, adotando uma linha de ação política francamente oposicionista. A postura de Wendling é reflexo do perfil ideológico do Coletivo Mensagem, de que ele faz parte juntamente com o deputado federal Francisco Praciano e o vereador Waldemir José. O Coletivo é considerado uma vertente mais à esquerda dentre as correntes que disputam a hegemonia dentro do PT regional.
“Se o Zé Ricardo não está se dando bem no PT, que ele tome outro rumo, não pode é ficar dizendo que o governador ‘baixou as calças’ na questão da desoneração do ICMS sobre os combustíveis. O PT é governista e ponto”, afirma Sinésio, reiterando posição assumida na sessão legislativa da última quarta-feira (27) da Aleam, quando ele repreendeu de forma áspera o colega rebelde.
Sinésio garante que José Ricardo terá que descer do muro e decidir seu destino no PT. Ou concorda com o apoio ao governo do Estado ou busca outro caminho. Wendling, no entanto, não vê a questão desse modo. “A vinculação do PT ao governo se restringe a alguns cargos ocupados pelo partido na máquina administrativa estadual, mas o governador nunca reuniu o PT para discutir propostas sobre políticas públicas oriundas do partido, o que existe são pessoas do PT empregadas no governo”, argumenta ele.
Segundo o parlamentar, Sinésio comete equívoco ao analisar o partido do ponto de vista ideológico, preferindo valorizar o fisiologismo. “É preciso entender que o deputado José Ricardo é líder do PT na Aleam e luta por coisas que são as causas do PT, tais como, a luta por melhorias na educação, apoio aos estudantes que não aceitam o aumento da tarifa de ônibus, apoio ao povo que não aceita o aumento de imposto sobre a cesta básica. Se o líder do governo quer defender isso, que defenda, mas o PT não é obrigado a fazê-lo, não vamos confundir as coisas”. alfineta.
José Ricardo explicou ao Jornal do Commercio as razões que o levaram a não comparecer à reunião com todos os deputados estaduais, solicitada pelo governador Omar Aziz, na última terça-feira, para discutir a desoneração do ICMS incidente sobre os combustíveis. “Não recebi convite oficial para essa reunião. Apenas alguém deu um recado dizendo que haveria uma reunião do governador com todos os deputados da Aleam. Eu já tinha compromisso e fui caminhar com os estudantes contra a majoração da passagem do transporte coletivo”. Sinésio, porém, assegura que José Ricardo ausentou-se da reunião de propósito, diferente dos deputados Marcelo Ramos (PSB) e Luiz Castro (PPS) que, mesmo integrantes da bancada de oposição na Aleam, prestigiaram a reunião com Omar. Ele afirma que, a partir de agora, não vai mais aceitar críticas irresponsáveis por parte do líder do PT.
“José Ricardo tem que sair do PT”
Em: 1 de abril de 2013
Membro de uma vertente mais à esquerda dentro do PT, Wendling tem causado um racha no partido
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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