“Minha administração foi a única a enfrentar o problema”

Em: 26 de março de 2012
Um dos problemas mais críticos da cidade de Manaus, a falta d’ água, já é um dos principais temas da campanha eleitoral deste ano, e promete causar polêmica entre as lideranças políticas e a sociedade em geral
Um dos problemas mais críticos da cidade de Manaus, a falta d’ água, já é um dos principais temas da campanha eleitoral deste ano, e promete causar polêmica entre as lideranças políticas e a sociedade em geral

Um dos problemas mais críticos da cidade de Manaus, a falta d’ água, já é um dos principais temas da campanha eleitoral deste ano, e promete causar polêmica entre as lideranças políticas e a sociedade em geral. Diante disso, o Jornal do Commercio publica nas próximas edições, matérias e entrevistas com pré-candidatos à Prefeitura de Manaus sobre possíveis soluções para este problema da água. O ex-prefeito de Manaus, Serafim Corrêa (PSB), pré-candidato a voltar ao cargo, abre esta série especial, justificando a repactuação feita pelo município com a concessionária Águas do Amazonas, pelas suas mãos.
Serafim Corrêa disse ao JC que a repactuação era sua única alternativa, falou de eleições e afirmou que vê a instalação da CPI da Água com muita ‘tranquilidade’. O Jornal do Commercio teve acesso ao relatório de atividades da Arsam (Agência Reguladora dos Serviços Públicos Concedidos do Estado do Amazonas) de 2009, que comprova a veracidade dos números citados pelo ex-prefeito com relação às atividades da concessionária de águas em Manaus nos últimos anos.

Jornal do Commercio – Em 2005, o relatório final da CPI da Água realizada naquele ano recomendava a quebra de contrato entre a empresa Águas do Amazonas e a prefeitura. No entanto, dois anos depois o senhor promoveu a repactuação com a concessionária. Quais os critérios que justificam a renovação do contrato?

Serafim Corrêa – Inicialmente, peço que leiam o contrato firmado em julho de 2000. Nele o governo do Estado, por delegação de competência da Prefeitura de Manaus, após vender a concessão por 30 anos por R$ 185 milhões, disse que Manaus tinha 91% de cobertura de abastecimento de água e 11% de coleta de esgoto. Ao assumir os serviços a concessionária concluiu que tinha 72% de cobertura de água e 3% de coleta de esgoto. Em 2006, a cobertura de água era 83% e de esgoto 4,5%. Portanto, os números do contrato eram irreais. Depois, a prefeitura recusou-se a dar os reajustes contratuais de 2001 a 2006. Esse era o imbróglio para o qual existiam quatro possibilidades. A intervenção, inviável porque seria apenas operacional e por 180 dias; A encampação, a prefeitura teria que indenizar a empresa em mais ou menos R$ 500 milhões e isso não colocaria uma gota de água na casa de ninguém. A caducidade, em que teria de haver um longo processo administrativo dando amplo direito de defesa à empresa, e ao final também indenização de cerca de R$ 500 milhões, sem qualquer retorno. Essas alternativas, portanto, eram inviáveis. Restou a repactuação. Através dela foram investidos R$ 140 milhões da concessionária, R$ 60 milhões da Prefeitura de Manaus e R$ 232 milhões que viraram R$ 400 milhões, pelo governo do Estado no Proama. Hoje, basta ver o resultado concreto da repactuação: 80 mil novos domicílios atendidos, abrangendo 400 mil pessoas. O problema que era de 500 mil pessoas reduziu para 100 mil, o que ainda é muito.

JC – O que a sua gestão fez para diminuir o problema do abastecimento de água em Manaus ?

SC – A repactuação que como já disse resultou em 80 mil novos domicílios atendidos. Por favor leiam o relatório da Arsam.

JC – Como o senhor enxerga a criação desta nova CPI para investigar o problema? A quebra do contrato é a melhor solução?

SC – Com muita tranquilidade, pois a nossa administração foi a única que enfrentou a questão e promoveu avanços. Basta ler os relatórios da Arsam. Será a hora de debater, avaliar e propor soluções para eliminar os gargalos ainda existentes. Quanto à quebra do contrato, essa questão hoje diz respeito ao atual prefeito.

JC – E como o senhor encara as críticas com relação à sua administração feitas no último dia 3 de março pelo senador Eduardo Braga ?

SC – Quais críticas? Estou à disposição para o debate com ele e com o atual prefeito sobre o tema. Em qualquer emissora de rádio ou TV com tempos iguais e regras claras.

JC – No último mês de fevereiro, o seu PSB oficializou a sua candidatura à Prefeitura de Manaus. Como a questão da água será tratada na campanha?

SC – Mostrando o que fizemos e propondo soluções para enfrentar as questões ainda não resolvidas.

JC – E já que estamos falando de eleições, por que o PSB optou em lançar uma candidatura “puro sangue” ao invés de formar as tradicionais coligações?

SC – Fizemos a nossa avaliação política e vamos à disputa com chapa própria. O povo será o nosso aliado. Agora, como disse um militante na reunião em que tomamos a decisão: “Sarafa, agora somos nós e o povo”.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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