Fiéis à presidente da República, Dilma Rousseff, no plano nacional, os deputados estaduais petistas Sinésio Campos e José Ricardo Wendling não rezam na mesma cartilha quando o assunto é o apoio do partido ao governador Omar Aziz (PSD) e ao programa administrativo do Governo do Estado. Às vésperas de mais um processo eleitoral, Sinésio e José Ricardo discordam quanto a Omar Aziz, e suas posições prometem capítulos de confronto na Assembleia Legislativa na próxima semana.
Líder do PT e de Omar na Aleam, durante o biênio 2011/2012, Sinésio diz não entender a postura oposicionista de José Ricardo no Estado e cita a parceria administrativa e os laços políticos entre Omar e Dilma Rousseff para condenar o comportamento do colega. Segundo ele, se PT e PSD compõem uma grande aliança em nível nacional e estadual, nada justifica que um parlamentar do partido assuma postura crítica às ações governamentais no Amazonas.
Por conta disso, Sinésio vive cobrando do presidente regional da sigla, João Pedro Gonçalves, providências com relação a José Ricardo. O presidente, porém, se esquiva e evita radicalizar a polêmica nos veículos de comunicação. Sinésio e João Pedro, no plano interno, fazem parte de coletivos diferentes de José Ricardo, que, por sua vez, é membro do Coletivo Mensagem, considerado a ala mais à esquerda do partido, sob a liderança do deputado federal Francisco Praciano.
Ao Jornal do Commercio José Ricardo se diz cansado da polêmica e sustenta agir com coerência na Aleam, seguindo à risca as diretrizes estatutárias do PT.“O papel do parlamentar é fiscalizar e, portanto, agir como membro da oposição não é crime, de acordo com o nosso Estatuto”, desabafa, explicando que tanto ele como Sinésio são obrigados a cumprir o Estatuto, que esclarece qualquer dúvida sobre o comportamento dos deputados no Parlamento Estadual.
Regras
“O líder de Omar Aziz é o Sinésio, eu sou o líder do partido na Assembleia. Então, quem tem que defender o governo é o Sinésio, ele e o deputado Chico Preto, que é o líder da maioria. Eu não posso fazer um papel que não é meu”, destaca Wendling, frisando que as regras estatutárias protegem a sua conduta crítica acerca da administração estadual. Inclusive, ele defende a realização de audiências públicas para debater o Orçamento anual do Estado.
Apesar das divergências com Sinésio, Wendling não é contra a participação de petistas no governo Omar Aziz e recusa a pecha de opositor radical de Omar.“O PT está no governo através de pessoas filiadas que foram nomeadas por Omar, as quais podem ser demitidas a qualquer momento, mas o certo é que nenhum filiado é obrigado a apoiar o governo só porque outros o apoiam, isso não está escrito no Estatuto. O Estatuto manda o parlamentar fiscalizar e é isso o que têm que fazer o Sinésio e o José Ricardo. Eu não posso me calar. Quem cala consente”.






