Fundado em 2 de janeiro de 1904, em um Amazonas que vivia o auge do ciclo da borracha, o Jornal do Commercio nasceu com uma vocação clara: registrar os movimentos econômicos, políticos e sociais de uma região estratégica para o país. Desde então, atravessou mais de um século de transformações, consolidando-se como o periódico mais antigo em atividade na Amazônia e um dos mais longevos do Brasil.
Ao completar 122 anos, o desafio do JC é traduzir essa longevidade para os novos tempos. Para Fred Novaes, diretor de redação com mais de duas décadas de casa, o segredo não está na escolha de uma plataforma, mas na essência do que é entregue ao leitor. “O Jornal do Commercio não é apenas um meio; ele é um conteúdo que utiliza diversos meios de expressão”, define o diretor. “Buscamos uma maior integração para alcançar o público por diversos canais, mas entendemos que o impresso ainda é o mais representativo da marca pelo legado histórico que ele carrega”.
O Papel como Documento Histórico
Mais do que testemunhar a história, o JC assumiu papel ativo em momentos decisivos, como a emblemática denúncia do “Escândalo do Colarinho Verde” em 1986. Essa postura independente transformou o jornal em uma fonte viva para pesquisadores e universidades. Informar o presente sempre significou, para o veículo, construir memória, algo que a plataforma física garante com uma perenidade que o digital ainda tenta compreender.
“Temos a convicção de que um material que sai no impresso hoje será pesquisado e encontrado daqui a 50 anos”, observa Novaes. “No digital, ainda não temos essa maturação para saber qual o tempo de permanência de um conteúdo. Quando se pensa em recorte histórico, não se pensa em dois anos, mas em décadas. Esse lastro maior através da plataforma impressa é um diferencial que poucos têm no Brasil”.
A Reinvenção Multiplataforma
Embora o impresso seja o pilar de credibilidade e “permanência de conteúdo que vai além do consumo rápido”, o Jornal do Commercio não ignora a revolução tecnológica. A atuação multiplataforma é vista como uma adaptação necessária para facilitar o acesso do consumidor e estar onde ele está.
Hoje, o portal JCAM, as redes sociais e os conteúdos audiovisuais ampliam o diálogo com novos públicos, sem abrir mão da ética original. Fred Novaes ressalta que esse processo é gradativo e exige um tempo de maturação, especialmente no ajuste da linguagem e otimização. “Estamos em estágios de adaptação para priorizar plataformas de acordo com o mercado atual, mas mantendo a essência: a credibilidade, o cuidado e a confiança naquilo que é publicado”.
Projetos que Olham para o Futuro
A estratégia de expansão do portfólio foca em conteúdos premium e projetos editoriais de alto valor, como os especiais sobre o Aniversário de Manaus e a Zona Franca. Para 2026, o grande destaque é o Projeto Parintins, que deve consolidar o modelo de integração total.
“Será o nosso primeiro grande case onde haverá um reforço real nessa integração multiplataforma, com conteúdos pensados desde a origem na relação entre clientes e produtores de conteúdo”, explica o diretor. O objetivo é equilibrar a força do alcance digital ,essencial para o market share atual, com o prestígio histórico da marca.
Ao cruzar a marca dos 122 anos, o Jornal do Commercio reafirma sua identidade como um veículo que honra o passado sem se prender a ele. Entre o papel e a tela, a missão permanece a mesma: contextualizar os fatos e transformar acontecimentos em memória coletiva da Amazônia, garantindo que a força dessa marca continue brilhando pelas próximas décadas















