No dia de hoje, há exatos 45 anos, às 18h, entrava no ar a TV Amazonas. Uma hora depois estreava o primeiro programa da TV, o Jornal do Amazonas, no ar até hoje. Mas a história da TV Amazonas e seus proprietários Phelippe Daou (1928-2016) e Mílton Cordeiro (1932-2016) , mais Joaquim Margarido (1932-2016), começou algum tempo antes.
Phelippe Daou formou-se em Direito no final da década de 1940, mas foi trabalhar como repórter, primeiro no Jornal do Commercio, depois em O Jornal e Diário da Tarde, e ainda foi redator da Rádio Rio Mar. Em 1968, junto com o itacoatiarense Mílton Cordeiro, que fora seu colega de escola, e Joaquim Margarido, abriram a Amazonas Publicidade.
Naquele mesmo ano o governo federal lançou um edital de concorrência pública para implantar uma emissora de televisão em Manaus e, no ano seguinte, os três amigos e sócios resolveram participar da concorrência através da Amazonas Publicidade. Em 1970 a empresa de publicidade ganhou a concorrência e lhe foi dado pelo Ministério das Comunicações o prazo de dois anos para montar a estrutura da TV e colocá-la no ar.
“Para viabilizar o projeto, os três amigos fizeram um empréstimo de US$ 350 mil no London Bank, mas não foi fácil levá-lo adiante porque a cidade era pequena e praticamente não havia empresas para anunciar na TV, ainda assim eles não desistiram e o próprio governo federal os ajudou bastante porque tinha interesse em expandir a televisão para a Amazônia”, contou Abrahim Baze, historiador oficial da Rede Amazônica.
Durante os três primeiros anos de existência, a TV Amazonas não foi filiada a nenhuma rede de televisão e para conseguir manter uma programação no ar, emprestava fitas das outras TVs existentes em Manaus, a TV Ajuricaba e a TV Baré. Somente em 1975 a TV Amazonas passou a ser afiliada da Rede Bandeirantes. Naquele ano, com o apoio do Ministério das Comunicações, foram criadas a TV Acre e a TV Rondônia e adquiridas as TV Amapá e TV Roraima dos governos desses Estados, surgindo a Rede Amazônica.
O objetivo de integrar a Amazônia por uma rede de comunicação era dificultado pelas distâncias e por uma tecnologia precária, que era driblada como se podia na época, lembrou Baze. “Como ainda não existia satélite, o que só viria acontecer em 1979, a programação da Bandeirantes chegava a Manaus de avião, em fitas. Sete mil fitas chegaram a circular pela região e quando havia algum atraso, a programação ficava sendo repetida, mas como a TV era novidade, ninguém reclamava”, contou.
O historiador já lançou dois livros e um documentário sobre a história da Rede Amazônica e prepara um livro com material escrito e publicado por Phelippe Daou nos tempos em que trabalhou em O Jornal e Diário da Tarde. “O livro está pronto e sendo rodado com o título de ‘Phelippe Daou, o jornalista’ e no Museu da Rede Amazônica vamos remontar as salas do Phelippe Daou, do Milton Cordeiro e do Joaquim Margarido exatamente como eles as deixaram em seu último dia de trabalho”, revelou.
Globo Repórter especial
Na noite de hoje irá ao ar, para toda a Amazônia, um Globo Repórter especial sobre a trajetória jornalística dos 45 anos de existência da Rede Amazônica, o que demandou um trabalho hercúleo, afirma o diretor de jornalismo da Rede Amazônica, Luis Augusto Batista.
“No início do ano conversamos com a direção de jornalismo da Globo e propusemos esse Globo Repórter especial, e eles acataram a ideia. Aí começamos os trabalhos de reunir as melhores reportagens mostrando um pouco da trajetória jornalística na região nesses 45 anos”, disse.
De acordo com Batista, a equipe viajou por todo o Amazonas e os demais Estados sob cobertura da Rede Amazônica. “Tivemos que garimpar reportagens, revisitar o local daqueles fatos e fazer uma releitura daquelas reportagens. Foi um trabalho árduo, mas valeu a pena e espero que os telespectadores gostem”, conta o diretor.
Toda a produção e execução do projeto foi realizada pelo Núcleo de Jornalismo da Rede Amazônica.
“Depois o material foi levado para a Globo, no Rio, e eles fizeram a finalização. Nossa equipe contou com três produtores, dois cinegrafistas, dois repórteres e dois editores. Vejam logo mais à noite o resultado de nosso trabalho”, concluiu.






