O artigo apresenta os países mais poluidores, em termos de emissão de CO2 e Gases de Efeito Estufa, bem como a importância das árvores e o desempenho da arborização urbana de Manaus e de outras cidades. O crescimento desordenado das cidades resulta em alterações drásticas na sua paisagem, onde na maioria das vezes, espaços arbóreos são substituídos por casas, prédios e outras facilidades urbanas, acarretando diversos problemas na preservação da biodiversidade urbana e na qualidade de vida da população, especialmente no que diz respeito ao aumento da poluição do meio ambiente.
Um relatório publicado por Larsen (2015) afirma que 49 mil pessoas morrem no Brasil em decorrência da poluição do ar. De acordo com Ministério da Saúde do Brasil, o número de mortes decorrentes de doenças advindas da poluição do ar aumentou 14% em 10 anos com 38782 mortes em 2006 e 44228 mortes em 2016. Entre os fatores causais associados às Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT), a poluição do ar ambiente (outdoor) é considerada um importante determinante de saúde e principal fator de risco ambiental para a saúde humana. Calcula-se que ocorram anualmente 4,2 milhões de mortes prematuras atribuídas à poluição do ar ambiente no mundo. Desse total, 91% ocorrem em países de baixa e média rendas do Pacífico e Sudeste Asiático.
Uma pesquisa realizada por Le Quéré et al. (2018) estimou que entre 1751 e 2016, o Brasil acumulou o total de 13,88 bilhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2), o principal Gás de Efeito Estufa (GEE) na atmosfera. Um outro estudo preocupante foi apresentado por Ritchie e Roser (2019), nele verifica-se que o Brasil é a 7a economia mundial em emissões de GEEs na atmosfera, em uma tendência crescente a partir de meados do século XX.
Para o Global Carbon Atlas <http://bit.ly/2udyo3u>, entre 1998 e 2018, os 10 países que mais emitiram CO2 no mundo são: China, EUA, Índia, Rússia, Japão, Alemanha, Irã, Coreia do Sul, Arábia Saudita e Indonésia. O Brasil ficou no 14º lugar, equivalente a 457 megatoneladas ao longo dos vinte anos, já na América Latinha, o Brasil foi o 2º país que mais poluiu atrás do México.
Outro estudo interessante foi realizado pela World Resources Institute <http://bit.ly/2S7t9dy>, o qual utilizou uma ferramenta que permite ao leitor ter uma visão de gráficos interativos que apontam os dez países mais poluidores de emissão de GEEs, entre 1850 e 2016, são eles: China, EUA, Índia, Rússia, Japão, Brasil, Alemanha, Irã, Coreia do Sul e México. Quando se analisa a emissão de GEEs acumuladas desde 1850, os 10 países mais poluidores são: EUA, China, Rússia, Alemanha, Índia, Reino Unido, Japão, França, Ucrânia e Canadá. Esses dois estudos jogam por terra a tese proferida recentemente em Davos pelo Ministro Guedes, de que o pior inimigo do meio ambiente é a pobreza. Por ventura, os dez países mais poluidores listados acima são considerados pobres? Isso é conversa pra boi dormir, pois de acordo com ranking publicado pelo FBI em 2019 <http://bit.ly/2Sao6Jw> os países mais pobres são: Burundi, República Centro-Áfricana, Congo, Eritreia, Níger, Malawi, Moçambique, Libéria, Sudão do Sul, Serra Leoa, Madagascar, Togo, Haiti, Guiné-Bissau, Burkina Faso, Afeganistão, Quiribati, Iêmen, Ilhas Salomão e Guiné, maioria da África, países que por séculos foram devastados por algumas das nações que mais poluem o meio ambiente, incluindo o Brasil. Na Amazônia, as queimadas causam mais de 75% da emissão de CO2 no Brasil (IBGE, 2010), e não é aquele produtor mais pobre que mais polui o meio ambiente, mas as madeireiras e mineradoras ilegais, os latifundiários, apoiados por seus perigosos grileiros e milicianos. São eles que destroem ilegalmente milhares de hectares de florestas, bem debaixo do nariz de um IBAMA cada vez menos equipado por conta da redução de recursos por parte do Governo Federal. Vale a pena ressaltar que em 2015, durante o Acordo de Paris, o Brasil se comprometeu em reduzir suas emissões em 37% até 2025 e em 43% até 2030, tendo 2005 como o ano-base para fins de comparação.
Diante deste cenário, as árvores são importantes para contribuir na superação dos problemas citados. Segundo Nowak et al (2013), as árvores se tornam elementos potenciais para compensar emissões de GEEs, uma vez que reduzem as concentrações destes gases na atmosfera. Um estudo publicado recentemente por Reis et al (2019) envolvendo estoques de carbono e dióxido de carbono em árvores de rua de cidades brasileiras, frisou a importância das árvores de rua na mitigação da mudança do clima devido a sua produção de biomassa, com fixação do Carbono e remoção de CO2 da atmosfera.
De acordo com Nowak et al. (2010), árvores são patrimônios valiosos para a comunidade urbana. As florestas urbanas nos EUA foram estimadas em 3,8 bilhões de árvores que valem cerca de US$ 2,4 trilhões de dólares. Além disso, Nowak et al. (2010) apresentou 30 estudos científicos sobre os dez benefícios da arborização urbana, são eles: 1) clima local e uso de energia (AKBARI ET AL. 1988, 1992; DONOVAN AND BUTRY 2009); 2) qualidade do ar (NOWAK ET AL., 2006); 3) mudança do clima (NOWAK AND CRANE, 2002); 4) fluxo e qualidade da água (SANDERS, 1986); 5) redução do barulho (ANDERSON et al., 1984; COOK, 1978); 6) vida selvagem e biodiversidade (HOWENSTINE, 1993; SHAW et al., 1985; VANDRUFF et al., 1995); 7) qualidade do solo (WESTPHAL and ISEBRANDS, 2001); 8) negócios e imobiliárias (ANDERSON and CORDELL, 1988; CORRILL et al., 1978; DONOVAN and BUTRY, 2008; DWYER et al., 1992; WOLF, 2003, 2004; WOLF 1998); 9) bem-estar individual e saúde pública (DWYER et al., 1991; TAYLOR et al., 2001A, 2001B; ULRICH 1984; HEISLER et al. 1995); 10) bem-estar comunitário (KUO and SULLIVAN, 2001A, 2001B; SOMMER et al. 1994A, 1994B; WESTPHAL 1999, 2003).
Bem, voltando para nossa realidade, o desafio de aumentar a arborização urbana em Manaus é antigo, para exemplificar, um levantamento documental junto ao JC-AM, identificou uma matéria publicada em 30/10/1960, a qual já chamava a atenção dos governantes sobre as árvores, apontando que várias administrações municipais colocaram a arborização da cidade em plano inferior. Passados meio século, parece que a situação da arborização urbana não evoluiu, uma vez que o IBGE (2010) colocou Manaus em penúltimo lugar entre as 15 cidades com mais de 1 milhão de habitantes, no geral nossa cidade ocupou o 4493o lugar entre os 5.565 municípios listados. Outros estudos realizados pelo Dr. Marcos Castro (2013), do Departamento de Geografia da UFAM <https://glo.bo/2RVPxYF>, bem como por Neto et al (2016 – http://bit.ly/393q6Kj), reforçam a ideia da baixa arborização urbana em nossa cidade, bem como a percepção da maioria dos moradores de Manaus de que consideram ruim ou muito ruim a ocupação dos espaços verdes em logradouros públicos.
Por outro lado, para o IBGE (2010), entre as 15 cidades com mais de um milhão de habitantes, as 5 cidades mais arborizadas foram: primeiro) Goiânia (89,5%); segundo) Campinas (88,4%); terceiro) Belo Horizonte (83%); quarto) Porto Alegre (82,9%); quinto) Curitiba (76,4%).
Diante do exposto, em 2018, surgiu a pergunta “Quais são as melhores práticas de arborização urbana, adotadas pelas cidades mais arborizadas do Brasil e que poderiam ajudar a melhorar a arborização urbana de Manaus?”. Para respondê-la, participamos de uma extensa pesquisa bibliográfica (identificação de artigos científicos nacionais e internacionais), registro fotográfico do estado das árvores em várias ruas de Manaus, bem como levantamento documental junto aos sites das prefeituras/parceiros das 5 melhores cidades, resultando na identificação de 36 boas práticas e na publicação (dez/19) de um artigo em revista internacional (conceito A2), o qual está disponível em <http://bit.ly/2Sd8HZ4>, cujos resultados (incluindo as citações acima) serão publicados nos próximos artigos.
*Jonas Gomes é PhD em engenharia de produção no Japão pela Universidade de Gunma, vice-chefe do Departamento de Engenharia de Produção da Ufam, é articulista há 8 anos Jornal do Commercio







