Conheça Goiânia e as dez boas práticas de arborização urbana da cidade que podem ser úteis para Manaus.
1º) Perfil resumido de Goiânia
Goiânia fez 86 anos em 2019, tem 1.516.113 hab., 728841 Km², além de um PIB per capita de R$ 33.438, foi a 15ª cidade que mais contribui para o PIB (IBGE, 2016).
2º) As 10 boas práticas de arborização urbana
Goiânia foi eleita a primeira cidade com mais de um milhão de habitantes com domicílios urbanos mais arborizados (89,5%) em seu entorno (IBGE, 2010).
O PDAU (2008) de Goiânia < http://bit.ly/2vtFCkI> é um dos mais completos quando comparado com as demais cidades já citadas nos últimos artigos, tem 134 páginas, é de responsabilidade da Agência Municipal do Meio Ambiente (AMMA) de Goiânia e conta com o patrocínio declarado da empresa VIVO. Ao analisar o PDAU e outros artigos sobre a arborização urbana de Goiânia ao longo do tempo, observou-se as seguintes boas práticas de gestão:
2.1) Resgate histórico da urbanização da cidade
Levantamento de fotos antigas da cidade e depoimentos dos moradores foi fundamental para resgatar o esforço feito no passado para melhorar a arborização urbana da cidade;
2.2) Formalização de parcerias e Convênio 097/97
Foram identificadas parcerias pelo Convênio 097/97, entre a Prefeitura Municipal de Goiânia, AMMA, COMURG, (CELG), SANEAGO, Universidade Federal de Goiás (UFG), Universidade Católica de Goiás (UCG) e MP-Goiás. Mais tarde a Vivo se juntou ao esforço, contribuindo para o cadastramento e mapeamento da Arborização Urbana;
2.3) Realização do diagnóstico das árvores
Por meio do cadastramento de vários bairros, em 2007 foram estimadas mais de 950 mil árvores de 328 diferentes espécies em vias públicas. O levantamento orientou ações em várias áreas da cidade. Por exemplo, na época, em 70 setores (11,16% dos bairros da cidade) cerca de 178.230 registros foram feitos: 33.061 árvores; 6.295 remoções de tocos e 38.874 novos plantios.
2.4) Reaproveitamento das árvores cortadas e dos troncos
Outro dado interessante é que a Companhia de Urbanização (Comurg) é o órgão municipal responsável pela coleta dos troncos e galhadas das vias públicas, reaproveitando todo o material. Os galhos mais finos são coletados, triturados e encaminhados ao aterro onde entram como matéria prima no processo de compostagem. Os galhos mais grossos com valor comercial são armazenados e vendidos como lenha. Os troncos de madeiras mais densas são usados para confeccionar bancos, cadeiras, mesas e pergolados que são instalados nas unidades da Companhia, em órgãos municipais e espaços públicos. E os troncos com condições de aproveitamento paisagístico são utilizados ao natural, compondo arranjos ou ainda para a confecção de floreiras, cochos, cercas;
2.5) Unidades de conservação
Entre 2005 a 2007, a Prefeitura de Goiânia buscou identificar e proteger unidades de conservação nas regiões urbanas, aumentando de 80 para 187 áreas destinadas a parques e bosques, totalizando 1.657 hectares de áreas verdes urbanas. De 2005 até 2019, o número de parques saltou de 6 para 35, todos com fichas técnicas disponíveis para a sociedade. Segundo o PDAU (2008), Goiânia tinha um índice de 0,79 árvores por habitante, com mais de 94 m² de áreas verdes por morador, índice quase 8 vezes superior ao recomendado pela ONU, que é de 12 m²/habitante;
2.6) Programa Plante a Vida
Este programa <http://bit.ly/2tfsWwe> foi lançado no dia do meio ambiente (05.06.2005) para distribuir gratuitamente mudas para a população, estimulando plantio voluntário nas calçadas das vias públicas, parques, praças, quintais, chácaras, etc., com a devida orientações dos técnicos da AMMA. Em 4 anos distribuiram 1.200.000 mudas em forma de mutirões nos bairros, mutirões verdes, inaugurações, eventos técnicos-científicos, etc. Por conta disso, o Programa foi considerado um dos maiores programas de plantio voluntário do mundo, cujo sucesso e caráter inovador levaram a direção executiva do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) a recomendá-lo como modelo de ação para outras cidades.
2.7) Atividade de educação ambiental
Elas são realizadas com a população por meio de palestras, oficinas e do Ecomóvel, um ônibus especialmente equipado para a realização de atividades ambientais, que já atendeu mais de 50 mil pessoas. A Agência conta com a Sala Verde, que possui um acervo com mais de 800 livros sobre temas relacionados ao meio ambiente, disponíveis para consulta pública. Desde a sua criação até novembro de 2009, foram 5.151 consultas. Outro destaque é a Vila Ambiental, no Parque Areião, que atendeu quase 20 mil alunos em 2008.
2.8) Planejamento paisagístico
O PDAU (2008) tem um planejamento paisagístico de 16 áreas da cidade de Goiânia, todas inseridas nos 70 setores inventariados. O Planejamento indica as espécies a serem plantadas nos locais diagnosticados no inventário como pontos de novo plantio, considerando-se as características de cada local: existência de fiação aérea, largura da rua e calçada, tubulações subterrâneas, equipamentos urbanos, etc. Na época, recomendou-se o plantio de 24.415 árvores de 151 espécies, dando prioridade as nativas do cerrado e as espécies frutíferas voltadas à alimentação da avifauna e exóticas com boa adaptação ao clima e solo da região;
2.9) Planejamento com diretrizes gerais
Basicamente, o PDAU (2008) dispõe de orientações técnicas com diretrizes importantes para planejar e implantar programas durante a gestão da arborização na cidade. Dentre os programas citados, estão: criação de grupo de trabalho interdisciplinar; convênios; qualificação da mão-de-obra para executar os serviços de arborização; educação ambiental; cadastramento das árvores; plantio; produção de mudas nativas e exóticas; manutenção; substituição gradativa de árvores como a monguba por conta da dificuldade em se adaptar as condições climáticas da cidade, bem como por sua fragilidade a praga; plantio voluntário; análise da legislação municipal, etc;
2.10) Um bom arcabouço de leis
Lei 7009 de 23.10.1991 que dispõe sobre o plantio, extração, poda, substituição de árvores; Instrução Normativa 13 de 03.10.2006 que trata da substituição das árvores da espécie Fícus Benjamina, localizada nas vias públicas de Goiânia; Instrução Normativa 22 de 12.06.2007 com normas para visitação de Parque e Unidades de Conservação; Instrução Normativa 27 de 18.08.2008 com diretrizes e procedimentos para aplicação da compensação ambiental de empreendimentos considerados de significativo impacto ambiental; Instrução Normativa 37 de 21.12.2011, que instituiu o PDAU de Goiânia, etc…
*Prof. Dr. Jonas G. da Silva – Atualmente é pesquisador visitante do Instituto de Pesquisa em Inovação da Escola de Negócios da Universidade de Manchester. E-mail: [email protected]







