A arte de se promover

Em: 8 de janeiro de 2016

Chegar ao auge do sucesso é difícil. Se manter lá é mais difícil ainda. Para alguns artistas, uma das armas mais poderosas para permanecer em evidência, é a promoção, se mostrar, aparecer tipo “falem mal, mas falem de mim”. Entre os artistas, se promover é uma ferramenta preciosa.
Gustavo Machado é guitarrista e tecladista de duas bandas, a Mezatrio e a Supernova. A primeira existe desde 2004, mas ele só passou a integrá-la em 2008. Da segunda, Gustavo faz parte desde sua criação, em 2006. “Quando começamos com a Supernova, precisávamos aparecer de qualquer maneira. Era ‘ou vai, ou racha’, então, no primeiro show, investimos dinheiro do próprio bolso antes de ganharmos. Colocamos outdoors pela cidade, mandamos imprimir flyers para distribuir e, naquela época, divulgamos no Orkut. Deu certo. A Supernova está aí até hoje”, comemorou.
Mas quem quiser um CD da banda, ou mesmo ouvir alguma de suas músicas, jamais conseguirá. “Não faz parte de nossos planos gravar discos ou ter músicas próprias. Surgimos como uma banda cover do Oasis, e o nosso universo se expandiu. Hoje já fizemos covers de diversas bandas e, atualmente, estamos direcionados para o rock britânico e pretendemos continuar nesse segmento. Divulgamos nossos shows nas redes sociais, principalmente no Facebook, e é como temos conseguido formar uma legião de fãs”, falou.
Com a Mezatrio acontece exatamente o oposto. Desde o início a banda foi criada para ter luz própria. “Ela tem um site onde disponibiliza todos os trabalhos que já produziu, até agora um EP, dois CD’s e três singles e já participou de quatro coletâneas. Também está com músicas no Spotify e no Deezer, além de outras plataformas do gênero. Recentemente passou a integrar a Tratore, uma empresa que gerencia a distribuição de seus trabalhos. Também não abrimos mão das redes sociais, a ferramenta principal para divulgar os nossos shows”, concluiu.
Saudades do Turenko
O artista plástico Turenko Beça começou sua vida artística como baterista de uma banda. Problemas em sua audição o obrigaram a deixar o músico de lado e fazer nascer o artista plástico. “Meu pai (Aníbal Beça) nunca me influenciou na carreira, mas nossa casa sempre foi um local de encontro de muita gente da arte, principalmente artistas plásticos. Em 1989, com apenas 19 anos, participei de minha primeira exposição, uma coletiva. Aí meu pai me ajudou, organizando e arrumando os quadros, porque eu não entendia de nada”, recordou.
Naquela época as pessoas não sabiam nem o que era internet e o principal veículo de divulgação dos eventos eram o jornal, o rádio e a TV. “Eram as formas que tínhamos para fazer aparecer esse tipo de exposição. Desde então, não parei mais de expor, em Manaus, pelo Brasil e até no exterior e sempre contei com essas divulgações”, contou.
Hoje, além das redes sociais, Turenko tem um blog onde divulga os cursos que promove a as exposições que realiza. “Mas as vezes é necessário, e até importante, que a gente desapareça de vez em quando, como eu agora estou sumido, trabalhando nos quadros de uma nova exposição. Se você aparece toda hora, acaba enchendo a paciência das pessoas. É bom quando elas dizem: pôxa, cadê o Turenko? Estou com saudades dele. Aí você aparece, e é bom que apareça com novidades, entende?”.
Para Turenko, o jornal impresso (e agora o digital) é importantíssimo, e fundamental para opinar, mostrar tendências e até criticar quando for preciso. “Estou hibernando, longe de qualquer tipo de divulgação, trabalhando numa nova exposição, mas quando voltar, em breve, quero as luzes da divulgação, de todo e qualquer tipo de divulgação”, adiantou.
Nada de internet e redes sociais
Quem não conhece Nunes Filho, um especialista em se promover? Canta seus bregas num barzinho de esquina ou num grande show, como foi a festa do último Réveillon, na Ponta Negra. “Quando comecei, há 39 anos, a única maneira de aparecer era nas rádios e nos jornais. As televisões nem tinham programas locais onde pudéssemos nos apresentar”, lembrou.
Quando gravou seu primeiro disco (um compacto duplo. Sabem o que é isso?), no início da década de 1980, Nunes Filho deu início ao seu marketing pessoal. “Fui logo pras rádios e pros jornais, mostrar o trabalho. É assim que faço até hoje. Todo mundo me conhece. Gosto desse contato corpo a corpo”, disse.
35 discos depois (o compacto duplo, sete LP’s, dois DVD’s e 25 CD’s) Nunes Filho mantém praticamente a mesma forma de divulgar os seus shows e os lançamentos de seus discos. “Para mim, as rádios e os jornais continuam sendo importantes, e agora as TV’s têm programas musicais, como o Paneiro, da TV Amazonas. No ano passado a TV Amazonas sempre me chamou para me apresentar lá”, comemorou.
E quem pensa que internet e redes sociais são imprescindíveis, Nunes mostra que não. “Não sei nem mexer nessas coisas e nem tenho quem mexa por mim. Não sei postar nada no nas redes sociais. Os meus fãs é que postam nas redes sociais deles. Tiram fotos comigo e perguntam: posso por no meu Face? Claro que eu digo que sim. Quero é aparecer”, brincou.
E é avesso a essas modernidades. “Também acho que fica chato, eu mesmo me divulgando, falando de mim mesmo”. Mas começa a se render. “Meu maior sucesso do ano passado foi ‘Na onde do Whatsapp’. Tá fazendo sucesso que nem ‘Subindo pelas paredes’, falou. “Esse daí eu acho bacana”, completou.

Evaldo Ferreira – [email protected]

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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