Com o mercado cada vez mais competitivo no mundo dos negócios, destaca-se quem faz o diferencial ou descobre um nicho numa área específica. Foi assim que o empresário amazonense Alessandro Dinelli acabou indo parar nas páginas de reportagem da revista nacional “Exame PME” (Pequenas & Médias Empresas), na edição especial do mês de outubro sobre Inclusão Social.
A empresa de Dinelli é a Descarte Correto, que tem cunho ambiental e social, especializada na gestão de resíduos tecnológicos, com inovador processo de coleta e reciclagem. A receita é logística. Dinelli recolhe equipamentos tecnológicos que seriam jogados no lixo por usuários, empresas ou escritórios e os desmonta para vender os seus componentes para indústrias, como caixas de monitores, que são de plástico reciclável, por exemplo. Outras partes são aproveitadas para montar novos computadores. Os mesmos são enviados para escolas de informática que ele mantém em bairros carentes. “Esses equipamentos vão para nossos centros educacionais nas periferias de Manaus e Maués, onde surgiu nossa primeira escola”, explica. Entre as empresas que colaboram com resíduos tecnológicos está a Samsung, a Nokia e outras preocupadas com o tripé da sustentabilidade: econômico, social e ambiental.
De acordo com Dinelli, a ideia de criar uma empresa de reciclagem de lixo tecnológico surgiu quando trabalhava como representante comercial de um fabricante de softwares. Durante um curso para montar e desmontar computadores, em 2010, mesma época em que foi promulgada a lei da Política Nacional de Resíduos Sólidos (que obriga as empresas a doar ou reciclar equipamentos usados ou com defeito). Foi aí que o empreendedor viu uma oportunidade de negócio.
“As empresas que tem certificação ambiental e precisam descartar corretamente os seus resíduos tecnológicos nos procuram”, conta. “Além de se livrarem do acúmulo de lixo tecnológico, ajudam a preservar o meio ambiente e contribuem conosco para melhorar a vida de muitos jovens”, explica. A Descarte Correto está devidamente registrada e licenciada pelo IPAAM (Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas). “Nossa empresa não é uma ONG, mas nosso diferencial é contribuir com o meio ambiente”, completa.
Sobre o reconhecimento de sua empresa nas mídias, Dinelli diz que é uma ótima etapa. “Desde o ano passado estamos recebendo reconhecimento. Também fomos certificados com um prêmio internacional da ONU (Organização das Nações Unidas). Entre 77 países, foi o único projeto brasileiro a ser contemplado com esse reconhecimento internacional”, disse. “Além disso, fomos destaque na seção de empreendedorismo social da Folha On-line. Sem deixar de falar na revista Exame PME, que nos deu um bom destaque e está abrindo muitas portas, trazendo novos parceiros”, conta sorrindo.
FAZENDO O SOCIAL
As escolas de informática que usam os computadores montados pela Descarte Correto funcionam em associações de moradores, centros comunitários e até em igrejas. Segundo Dinelli, são os próprios comunitários que se encarregam de conseguir professores, muitas vezes amigos ou parentes. Nesses locais são instaladas lixeiras especiais para a coleta de equipamentos quebrados, como computadores, teclados e celulares doados pela população. Além da capacitação com cursos de informática e educação ambiental, a Descarte Correto também oferece o programa “Acelere”, que capacita jovens para conseguir seu primeiro emprego. Em Manaus, entre as comunidades contempladas com o programa está o bairro Zumbi 2, Rio Piorini, Terra Nova 2 e Jorge Jorge Teixeira 4. Todos com curso de informática básica e alguns com informática avançada. “Em breve estaremos inaugurando o centro profissionalizante, onde será oferecida uma nova forma de aula, com tecnologia interativa e audiovisual. O primeiro bairro a receber o projeto será o São José 2. Em 2014, criaremos novos centros”, afirma.
ABRINDO PORTAS
O jovem Joelmilsom Pinheiro, de 19 anos, se formou num dos centros de capacitação profissional da Descarte Correto e há dois anos foi contratado para trabalhar na empresa. Atualmente, também é um dos professores da turma “Acelere”, projeto da empresa, e afirma que valeu a pena. “Hoje o meu modo de ver e pensar sobre esses materiais é outro. Além de me capacitar com os cursos profissionalizantes, aprendi a forma correta de fazer o descarte do lixo tecnológico colaborando com o meio ambiente, também conscientizo as pessoas a fazer o correto”.







