A boa ética como resposta para a crise moral

Em: 19 de abril de 2013
Os parlamentares geralmente são os mesmos políticos que se utilizam de dinheiro de origem duvidosa
Os parlamentares geralmente são os mesmos políticos que se utilizam de dinheiro de origem duvidosa

Você já ouviu falar em ética? Você sabe o significado de ética? O filosofo e jurista Miguel Reale (1910* 2006†), um dos grandes pensadores brasileiros da questão jurídica, diz que a ética é uma ciência normativa dos comportamentos humanos, não apenas comportamentos valiosos, mas obrigatórios, estando, então, presente o sentido imperativo da norma ética, a expressão do dever ser…, ou seja, a ética se preocupa, basicamente, com o comportamento moral das pessoas em sociedade.
Em notícias veiculadas pela mídia e até mesmo nos diálogos entre amigos, percebemos uma grande insatisfação em relação ao comportamento dos indivíduos no meio social. Todos os dias são veiculadas, em jornais e revistas, notícias acerca do desvio de recursos financeiros por parte de pessoas investidas em cargos públicos. São parlamentares, proprietários de firmas, querendo obter vantagem nos procedimentos licitatórios para a construção de escolas e de outras obras de interesses público.
Os parlamentares geralmente são os mesmos políticos que se utilizam de dinheiro de origem duvidosa em campanhas partidárias, políticos estes, que receberam do povo a permissão para administrar a coisa pública e não demonstram nenhum respeito com os eleitores que os ajudaram a chegar ao poder. Eles podem ser melhores denominados de “politiqueiros”, ou seja, indivíduos que quando estão na estrutura de poder do Estado passam a tirar proveito da posição privilegiada em que estão.
Outras notícias desagradáveis dizem respeito às pessoas que derrubam árvores, objetivando auferir lucro por meio da madeira, e constroem hotéis em áreas consideradas de Áreas de Preservação Ambiental (APA). São atividades proibidas pela legislação que disciplina a questão ambiental e nenhuma providencia é tomada no sentido de punir os indivíduos que insistem em não cumprir o que determina a lei. Aliás! Isso já virou uma espécie de piada pública.
Na própria família, muitos de seus membros adotam uma postura contrária à postura solidária, que implica amor, carinho, ajuda ao próximo. O que se vê são filhos desrespeitando seus pais e seus avós, pais desrespeitando seus filhos, e pais que praticam violência contra seus próprios filhos e cônjuge, inclusive violência sexual – o caso de estupros realizados por padrasto sobre os filhos e as filhas da companheira é um caso digno de um estudo realizado por uma equipe multidisciplinar.
A mídia também está eivada de programas que ferem a ordem moral, jurídica porque são divulgadas, praticamente todos os dias, notícias que não correspondem à verdadeira realidade dos acontecimentos, enganando a população a todo o momento. Entendemos, ainda, que o próprio conceito de profissão já expressa à necessidade de homogeneizar as atitudes dos profissionais, quer seja o educador, o juiz, o economista, o contabilista e também pessoas que exercem função pública.
O educador que não oportuniza os discentes expressar sua visão de mundo e de sociedade quando são discutidos, em sala de aula, assuntos de interesse de todos está agindo com boa ética. Da mesma maneira, não podemos considerar como uma boa ética o que um fiscal da lei faz ao retardar seu parecer por meses e meses, com sérios prejuízos que podem causar para as partes interessadas…, o médico que, muitas vezes, deixa de atender bem uma paciente no SUS está agindo também com má ética.
O educador, o juiz, o promotor, o desembargador et cetera devem atuar de acordo com os ditames da boa ética, procurando colocar integralmente suas ações aos interesses daqueles indivíduos pertencentes às classes sociais menos favorecidas. Por exemplo, o judiciário não é considerado uma instituição que protege os direitos das classes não privilegiadas e, sim, uma instituição responsável pela criminalização e repressão das classes populares, como nos ensina Paulo Sergio Pinheiro.
O acesso dos pobres a justiça está precário. Réus negros recebem sentenças mais pesadas do que aquelas impostas a réus brancos, indicando, assim, um viés racial nas condenações, como demonstrou Sérgio Adorno ao analisar o Judiciário de São Paulo. A Justiça não deve punir somente os miseráveis, os oprimidos, mas também aqueles que no exercício de cargos públicos, subtraem recursos financeiros objetivando aumentar sua fortuna.
O espírito de época exige que tomemos uma atitude universalmente correta: nós devemos praticar a boa ética todos os dias e em todos os lugares, inclusive ajudando a conservar os estabelecimentos públicos. Não adianta dizer que temos boa ética, pois ela só tem qualidade de “boa” se for praticada para o bem de todos os seres vivos…, muitos dizem que tem boa ética, contudo suas ações demonstram exatamente o contrário.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Pesquisar