Sabemos que o tributo é a principal fonte de recursos para o financiamento dos serviços públicos não só no Brasil, como também em todos os países do mundo. Se levarmos em consideração o elevado grau de endividamento e o risco de financiamento do Estado por meio da emissão de moeda, por ter efeito inflacionário devastador, constatamos que a única fonte de financiamento do Estado fundada em regras econômicas socialmente justas é a de natureza tributária. Daí a necessidade de maior participação da sociedade organizada no controle democrático e na fiscalização do gasto público. Nesse sentido, a contribuição do Programa Nacional de Educação Fiscal, por sua abrangência e capilaridade pode ser decisiva. O Programa, que nacionalmente é coordenado pela Escola de Administração Fazendária-Esaf, conta com o apoio dos Ministérios da Fazenda e da Educação, e que no Amazonas é coordenado pela Sefaz, em parceria direta com a Seduc, Semed, Semef e Receita Federal do Brasil, tem como objetivos sensibilizar o cidadão para a função socioeconômica do tributo, levar conhecimentos sobre administração pública e incentivar o acampanhamento pela sociedade da aplicação dos recursos públicos, criando uma relação harmoniosa entre Estado e cidadão.
Os estudantes e a comunidade têm o direito de saber que o tributo que pagam é a principal fonte de financiamento da máquina pública e é responsável pela consecução das políticas sociais de saúde, educação, previdência social, segurança e aplicações em infraestrutura básica.
E onde entram os Municípios? O atual sistema tributário concentra a arrecadação dos tributos na União e nos Estados. A União reparte um percentual de suas receitas tributárias com os Estados e Municípios. Os Estados, por sua vez, também repartem parte de suas receitas com os Municípios.
Esta repartição é indireta quando são formados fundos e a repartição depende de roteiros previstos na legislação. Nesse caso, 25% do ICMS arrecadado pelos Estados pertence aos Municípios; 47% do produto da arrecadação do IR e IPI, 22,5% vão para o Fundo de Participação dos Municípios – FPM, que é distribuído aos Municípios. Além disso, existe ainda um fundo de compensação aos Estados e Municípios por suas exportações isentas do ICMS. Para isso, a União repassa 10% do IPI aos Estados, limitando-se este valor a 20%, no máximo, para cada Estado. Aí o Estado repassa 25% do que recebe da União aos seus Municípios.
E a repartição direta ocorre quando um percentual do imposto arrecadado pela União ou pelo Estado é repartido entre os entes tributantes. Desta forma, 100% do IR fica com o Município onde houve a arrecadação do Imposto de Renda Retido na Fonte; Se for cobrado pela União, 50% do ITR cabe ao Município em cujo território está localizado o imóvel, e no caso da fiscalização e cobrança feitas pelo Município, 100% lhe pertence; 50% do IPVA fica para o Município onde foi emplacado o veículo.
E o que ganham os Municípios na aproximação com o Programa de Educação Fiscal? A resposta está nas palavras do Dr. Wagner Pinto Domingos, do PEF-MG, ao afirmar que a prática da cidadania, aliada ao conhecimento e à informação fazem a diferença nos Municípios onde se efetiva a municipalização do Programa. Em Minas, Municípios como Patrocínio, Governador Valadares, Divinópolis, Pirapora e Montes Claros já instituíram o Programa através de Lei Municipal. Servidores municipais recebem cursos e treinamentos, ocorre a aproximação do Município com a administração federal e com a estadual e forte intercâmbio de idéias e de conhecimentos, além da capacitação de educadores objetivando o trato transversal em sala de aula de temas ligados à gestão fiscal.
Em Parintins-AM, a Escola Estadual Gentil Belém abraçou a Educação Fiscal e acaba de receber o “Prêmio Construindo a Nação”. Santarém-PA é outro exemplo de como se pode evoluir e sonhar por dias melhores através do exercício da cidadania.
No Espírito Santo, os Municípios de Serra, Marataízes, Pinheiros e Panca representam a pujança do Programa, enquanto que no Rio de Janeiro o PEF visa atingir os servidores das Prefeituras, os agentes sociais que atuam no Terceiro Setor, as entidades privadas e demais segmentos organizados das municipalidades.
Do frio paranaense surge o Observatório Social de Maringá – OMS vinculado a SER – Sociedade Eticamente Responsável, resultante do movimento pela cidadania fiscal, que atua como instrumento na busca da transparência na administração dos recursos públicos, onde o controle efetivo dos recursos públicos se dá com a participação (em tempo real) nas licitações (desde o início da formatação, passando pela entrega dos produtos e serviços e acompanhando, por amostragem, a utilização destes produtos e serviços no interesse público).
Notícias recentes informam que nos mesmos moldes do que já funciona em Maringá e na cidade serrana de Nova Friburgo-RJ, começaram a funcionar os Observatórios de Niterói e Cabo Frio, no Rio de Janeiro.
Concluo dizendo que esta é a forma mais significativa de exercer a nossa cidadania com dignidade e responsabilidade social. E citando os nomes de Rosaura Vargas e Silvia Grewe-RS, Francisco Andrade e Marconi Machado-ES, Alberto Amoedo-AP, Décio Pialarissi-PR, Ivan Senco-SP, Neiraldo Dixo e Aluízio Pessoa-AM, homenageio a todos as pessoas que praticam a Educação Fiscal no Brasil, trocando o individual pelo coletivo e pensando em dias melhores para o povo brasileiro.
A Educação Fiscal e os Municípios
Em: 19 de maio de 2010
Sabemos que o tributo é a principal fonte de recursos para o financiamento dos serviços públicos não só no Brasil, como também em todos os países do mundo
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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