A essência de tia Idalina

Em: 16 de setembro de 2014
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Alguns de meus leitores já se consideram fãs de carteirinha de tia Idalina. A minha simpática titia é realmente uma figura. Atendendo a pedidos, vou compartilhar as últimas notícias que tenho dela.
Estive no Rio de Janeiro rapidamente e não tive tempo de telefonar para titia. Ela naturalmente ficou muito chateada. Tia Idalina sabia que eu estaria de passagem pelo Rio, pois também foi convidada para evento familiar em Búzios, do qual não pode participar, por motivos íntimos e inconfessáveis. Ninguém jamais saberá algo classificado por inconfessável por tia Idalina. Vai saber!
Claro que tia Idalina lê minhas crônicas e fica feliz com as deferências feitas a ela. Começou o telefonema reclamando que eu não poderia passar pela cidade maravilhosa sem dar um telefonema para ela. Telefonema? Alguém ainda usa esse termo? Só ela mesma.
E comentou estar estarrecida por eu não saber que a essência que ela usa, a famosa eau de cologne 4711 Echt Kölnisch Wasser, não é francesa, como equivocadamente eu divulguei em crônica anterior.
É fato que a sua amiga de 40 anos que visita Paris com frequência, compra o tal perfume por lá. Mas titia informou que a “Água de Colônia” é uma das mais antigas marcas de perfume, com reputação internacional, criada em 1792 pelo perfumista Wilhelm Mülhens.
O número 4711 surgiu durante a ocupação francesa e a casa Mülhens recebeu o número 4711. Tia Idalina esteve lá na década de 1980 e me disse que a loja fica num edifício fantástico. Há um relógio no topo e a cada hora um carrilhão toca uma música diferente. O aroma da “Água de Colônia” está imerso no ar.
Eu deveria visitar a loja quando for à Alemanha. Como sou aficionado a museus, titia me disse que na galeria da loja há um incrível museu com fotos, medalhas, certificados e frascos antigos do perfume. Relatos históricos desta famosa marca estão espalhados nas vitrines do pequeno museu e na entrada da loja.
Além do famoso perfume, a loja oferece uma grande quantidade de produtos com a marca 4711, tais como sabonetes, lenços umedecidos, cremes, loções pós-barba, entre outros.
Mudando de assunto, me disse que estava encantada mesmo era com as essências à base de mulateiro. O mulateiro é planta sagrada para os índios da Amazônia. A árvore do mulateiro é chamada de “árvore da juventude” provavelmente porque os cremes e produtos dela são conhecidos como potentes revitalizadores. Os indígenas usam a essência de mulateiro há centenas de anos para diminuir rugas, manchas, queimaduras e outros males da cútis.
Tia Idalina foi informada que a combinação do mulateiro com a banha de tartaruga e copaíba, promove uma excelente hidratação da pele através da recuperação da sua umidade natural. O resultado é uma pele macia, suave e perfumada.
Esse produto com tal combinação só existe em Manaus. Titia me pediu que comprasse dez unidades do tal produto, vendido no mercado Adolpho Lisboa, o nosso mercadão. Ou então que eu o procurasse numa banca da feira de artesanato da Eduardo Ribeiro.
Tia Idalina é “essencialmente” gentil para comigo. Finalmente me disse que havia mandado para Búzios, onde eu me encontrava, uma loção após barba e um frasco de 4711 para minha mulher.
– Mandei pelo “seu menino”, me disse ela.
– E quem é esse “seu menino”, tia Idalina?
– Todo homem aí em Manaus é “seu menino”. Mandei pelo novo namorado da Tina. Ficou leso?
– Olha que amazonense não é leso. Leseira quem faz é paulista, que vai para Manaus e toma tacacá de colher.
É da essência de tia Idalina uma leve ironia sarcástica. Ela é uma peça.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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