A amazonense Maria Queiroz Azevedo, 24, saiu de Manaus em busca de tornar reais seus sonhos e já começa a concretizá-los. No dia 7 passado ela estreou sua primeira peça teatral, ‘O Fantasma autoral’, e com diretor e atores de peso, tendo a frente Ernesto Piccolo e no elenco Bemvindo Sequeira, Pedro Garcia Neto e Alexandre Lino.
“Desde criança sempre me interessei por teatro, cinema e TV. Vivia pensando nesse mundo”, contou do Rio de Janeiro, onde mora. “Desde os doze anos eu penso trabalhar como autora, roteirista, enfim trabalhar com a escrita. Além de escrever, também já atuei, mas essa parte eu ainda tenho que me dedicar bastante, bem mais inclusive do que como autora. Mas ambos precisam que se mantenha uma grande dedicação”, completou.
O trabalho de estréia de Maria Queiroz é ‘O Fantasma autoral’. A peça fala sobre Miguel (Bemvindo Sequeira), um famoso diretor teatral conhecido por montar peças só de autores mortos e se manter fiel à obra. Tudo muda quando ele se vê sem dinheiro para produzir seu novo espetáculo ‘Dois Perdidos Numa Noite Suja’, de Plínio Marcos (vivido por Pedro Garcia Neto) e tem que contar com Bruno (Alexandre Lino), produtor e patrocinador, que começa a fazer interferências no texto da peça, modificando as cenas para inserir a sua marca na obra. Nisso, Miguel passa a ser aterrorizado por Plínio Marcos e seus personagens que começam a brigar pela fidelidade dessa obra e questionar todos os trabalhos que ele fez.
“O teatro lotou. O público se divertiu bastante. A peça tem um elenco maravilhoso e uma direção incrível. É uma ótima equipe”, comemorou a jovem.
Dois anos correndo atrás
O texto de ‘Fantasma autoral’ é metateatral e aborda diversas discussões do mercado artístico, como as dificuldades que as pessoas têm de conseguir patrocínio, as situações às quais se submetem para entrarem no sistema mercado versus arte e como fazer parte dele sem se deixar corromper. “Isso fica bem claro devido a todas as situações às quais Miguel é obrigado a se submeter pelo patrocinador, que faz diversas exigências, entre elas a de inserir sua marca na obra: a ARTEX. O X é o símbolo da multiplicação, contas, dinheiro, mercado, ou seja o nome é a fusão da arte com o mercado, ao mesmo tempo que é arte versus mercado. Vale a pena conseguir um patrocínio e deixar de ser fiel à obra? Essa temática é abordada com bastante humor durante a peça. Até que ponto você deixa alguém interferir na sua arte? E se essa pessoa pagar pelo trabalho? Qual o seu preço? Questionamentos como esses são colocados no palco”, explicou.
“Colocar a peça no palco foi muito trabalhoso, mas muito gratificante. A montagem, a produção, o patrocínio. Apresentei o texto ao Ernesto Piccolo, que gostou logo e em seguida chamamos o Bemvindo Sequeira, o Alexandre Lino e o Pedro Garcia Netto, que também gostaram e aceitaram de primeira. Foi muito legal e me deu uma energia para tentar sair em busca de concretizar o sonho”, falou.
“Sou produtora da peça também, estou há dois anos persistindo nessa montagem, correndo atrás de patrocínio, de pauta em teatro, fazendo de tudo para conseguir realizá-la. Não foi fácil. Neste ano apresentei novamente o projeto ao Sesc, que aprovou e comprou as nove apresentações do espetáculo. Assim tivemos um orçamento suficiente para realizá-la no teatro Sesc-Tijuca, que é um teatro lindo”, contou.
Teatro, cinema e TV
“Assim que acabarem as apresentações no Rio de Janeiro, pretendo levar a peça a Manaus. Queremos muito estrear no Teatro Amazonas, que é uma grande referência e acredito que a população de Manaus vai gostar muito do espetáculo, pois é realmente bem engraçado. Mas, para realizar essa montagem na minha cidade, precisamos de patrocínio, inclusive quero avisar que estamos abertos a vários tipos de negociações. Temos que ter algum plano de negócios antes. A nossa vontade é ir a Manaus ainda esse ano, se for possível”, revelou.
Para quem, como Maria Queiroz, pretende escrever textos para teatro, ela deixa um recado. “Comecei a escrever para teatro porque queria melhorar meus diálogos e acabei fazendo essa peça. Está sendo uma experiência ótima. Nunca imaginei que fosse escrever para teatro, na minha cabeça era só TV e cinema. Achava que teatro era algo muito difícil, coisa de gente muito cabeça, eu ainda acho que é difícil, mas estou conseguindo, o que é uma surpresa muito boa e estou gostando demais. Pretendo continuar nesse mesmo caminho”, adiantou.
“Vou continuar trabalhando ‘O Fantasma autoral’ e começar a escrever outras peças, além dos textos para cinema e TV. E estudar mais ainda. Tenho muito o que aprender”, concluiu.






