A história por trás do plano

Em: 17 de maio de 2017
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Quem viveu o período econômico no Brasil antes de 1994, sabe que a situação era bem pior do que agora. Não havia milhões de desempregados, mas os preços de tudo, principalmente dos alimentos, aumentavam de um dia para o outro. Aí veio o Plano Real, no governo de Itamar Franco (1992/1995), tendo à frente como ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, e a economia se estabilizou. Pois quem quiser saber exatamente como o Plano foi idealizado e posto em prática pelos economistas do governo Itamar, deve assistir ao filme “Real, o plano por trás da história”, do diretor Rodrigo Bittencourt, que estreia dia 25, em todo o Brasil.

Do Rio de Janeiro, Rodrigo falou ao Jornal do Commercio e deu outros detalhes sobre seu mais recente trabalho. “Eu era moleque naquela época do Plano Real. Morava em Bangu. Nossa família era muito pobre. A hiperinflação era um negócio terrível. Um dia o produto custava X e no outro, dois X. Se era difícil uma pessoa se manter, imagine um pai de família, como o meu, por exemplo. Aí veio o Plano Real e tirou muita gente da miséria”, recordou.

Rodrigo adiantou que seu filme é o primeiro thriller político brasileiro. “Mostra os bastidores da criação e da implementação do Plano Real, do clima tenso que viveram os personagens daquele momento histórico, trabalhando em total sigilo, blindados, porém sofrendo ataques e pressão tanto dos partidos de esquerda, quanto dos da direita”, contou.

Nos papéis principais do filme, Bemvindo Siqueira é Itamar Franco; Norival Rizzo é Fernando Henrique Cardoso; Tato Gabus Mendes é Pedro Malan; e Emílio Orciollo Neto é Gustavo Franco, o mais jovem da equipe de economistas, mas um dos que mais se destacou”, adiantou. Também estão no elenco, Paolla Oliveira, Cássia Kiss e Juliano Cazarré.

Numa conversa de bar
Curiosa é a história de como surgiu a semente que gerou o filme. “Um dia eu estava num restaurante, com meu pai, e o Fernando Henrique Cardoso entrou. Meu pai disse: ‘eu vou lá, falar com ele’; e eu completei: ‘mas ele nem lhe conhece’. Ele foi e quando vi os dois estavam às gargalhadas. Quando meu pai voltou, disse: ‘você tem que dirigir algo importante para o Brasil, um filme sobre o livro do Fiúza'”, falou.

O livro a que o pai de Rodrigo se referia era “3.000 dias no bunker: um plano na cabeça e um país na mão”, de Guilherme Fiúza, do qual ele era fã. “Pouco tempo depois meu pai morreu e, passados seis meses, Cacá Diegues e Fernando Meirelles me ligaram perguntando se eu não queria fazer esse filme. Topei na hora”, lembrou. Assim, “Real, o plano por trás da história” foi filmado em um ano e meio, em Brasília e São Paulo, e a história se passa ao longo de dez anos, entre 1993 e 2003, ano em que acabou o governo de FHC.

“Favela movies” e música
Rodrigo Bittencourt já tem no currículo o filme “Totalmente inocentes”, que ele escreveu o roteiro, dirigiu e fez a trilha sonora. O filme é uma sátira aos “favela movie” e tem cenas que remetem aos clássicos “Cidade de Deus” e “Tropa de Elite”. O sucesso de público foi tão grande, que alcançou a marca de meio milhão de ingressos com apenas 100 cópias no Brasil. Ficou entre os seis filmes de maior bilheteria em 2012, na frente de diretores como Walter Salles e Fernando Meirelles.

Além de diretor, Rodrigo também é escritor (já tem dois livros publicados e acaba de finalizar o terceiro) e músico. A trilha sonora de “Real, o plano por trás da história”, também é dele e a música tema é “Será que é isso que eu necessito?”, dos Titãs, vencedora do prêmio de melhor clipe da MTV, em 1993, justamente o ano da criação do Plano Real. Como compositor, já foi gravado por Ana Carolina, Maria Rita, Thaís Gullin e Fagner.

No momento, enquanto corre para divulgar “Real…”, Rodrigo se prepara para filmar o seu terceiro longa, “Missão Cupido”, produzido pela americana Paramount Pictures. “Depois filmarei ‘Operação Batom na Cueca’, uma sátira à Lava Jato, cujos trabalhos de filmagem começarão em 2018” adianta o diretor.

O grande ministro
O Plano Real foi um programa brasileiro com o objetivo de estabilização e reformas econômicas, iniciado em 27 de fevereiro de 1994 com a publicação da medida provisória número 434. Tal medida provisória instituiu a URV (Unidade Real de Valor), estabeleceu regras de conversão e uso de valores monetários, iniciou a desindexação da economia, e determinou o lançamento de uma nova moeda, o Real.

O programa foi a mais ampla medida econômica já realizada no Brasil e tinha como objetivo principal o controle da hiperinflação que assolava o país. Utilizou-se de diversos instrumentos econômicos e políticos para a redução da inflação que chegou a 46,58% ao mês em junho de 1994, época do lançamento da nova moeda. A idealização do projeto, a elaboração das medidas do governo e a execução das reformas econômica e monetária contaram com a contribuição de vários economistas, reunidos pelo então ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso.

O presidente Itamar Franco autorizou que os trabalhos se dessem de maneira irrestrita e na máxima extensão necessária para o êxito do plano, o que tornou o ministro da Fazenda no homem mais forte e poderoso de seu governo, e no seu candidato natural à sua sucessão. Assim, Fernando Henrique, que estivera à frente do ministério entre maio de 1993 e março de 1994, elegeu-se presidente do Brasil em outubro do mesmo ano, no entanto, segundo Itamar Franco, o grande ministro do Plano Real foi Rubens Ricúpero.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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