Existe um grande impacto quando o discente ingressa num curso superior. O processo de sociabilidade pelo qual se transita para um outro lugar intelectual impõe uma certa estranheza, um mundo onde a linguagem e os códigos científicos provocam inúmeros problemas de compreensão, assimilação e entendimento. Não desenvolvemos no nosso processo educativo anterior as habilidades necessárias da autonomia cognitiva e o nosso processo mental “estranha”, de certo, porque se depara com o “novo”.
Mas precisamos entender os motivos e as razões que provocam grandes desafios para o aluno no enfrentamento do processo ensino-aprendizagem e é compreender das suas dificuldades em assumir a prática da leitura crítica na construção e reconstrução do conhecimento. Estas tensões se complexificam exatamente quando é exigido do aluno que apresente habilidades no seu processo mental da reflexão crítica e da produção científica.
Para se entender a leitura como exercício da cidadania partimos do pressuposto básico do poder de libertação que ela proporciona no sentido de fomentar uma autonomia para o sujeito que lê, enriquecendo o seu vocabulário e exercitando a sua imaginação. Esta liberdade, na imaginação do leitor, é perceptível quando ele consegue elaborar mentalmente os episódios, quando engendra o perfil dos personagens, interpreta falas, sintoniza as suas experiências pessoais e vive, de certo modo, os sentidos e os nexos das emoções reveladas nos textos que está lendo.
Convicto da existência de múltiplas razões e argumentos possíveis acerca da relevância da leitura para a vida acadêmica e pessoal, só queremos estimular a reflexão da leitura, principalmente na era de multimídia, de pluralismo cultural, de globalização da economia e das grandes transformações mundiais.
Qualquer projeto de leitura precisa considerá-la como compreensão e visão de realidade, o que significa o entendimento do mundo e sua complexa rede de relações historicamente engendradas. Ler passa a ser uma qualidade que diferencia aquele que lê daquele que não gosta de leitura, o que percebe o mundo apreendendo-o como forma de domínio de campo e o que deixa o conhecimento passar sem sentido, sem se dá conta de suas contribuições e potencialidades.
O caminho para a produção do conhecimento tem como alicerce e base a análise e crítica do observado e do experimentado, do pesquisado e analisado, da forma do pensamento, da leitura. O desenvolvimento da leitura mobiliza a imaginação, enriquece o vocabulário, recheando e preenchendo as possíveis lacunas mentais que são formadas por conta da rapidez das mudanças que o mundo moderno vem sofrendo. Por conta disto é que o ato da leitura pode ser considerado como um dos últimos recantos da liberdade intelectual e precisamos garantir esta condição.
A leitura se torna essencial na proporção em que liberta o leitor da clausura da ignorância, a ignorância do desconhecido, do pensado, mas que pode provocar uma grande libertação da alma humana; conhecimento é luz que desvela, descobre, transforma, reconstrói e edifica.
Pelo fato da leitura ser considerada fundamental para o conhecimento da linguagem nossa e do outro, do nosso mundo e do outro e também de outros mundos, é que nos sentimos na responsabilidade de desafiar os nossos alunos a perceber que a leitura modifica o mundo, tornando-o mais rico e mais inteligível, na medida em que prolonga a vida em todas as suas formas. Ela exerce, sobretudo, motivações e mobilizações na conquista pela cidadania.
Dominar o ato de ler é uma condição indispensável para que o indivíduo participe de forma efetiva da construção e reconstrução da sociedade e de si mesmo, enquanto ser humano na sua totalidade; este ato representa a constituição de um estímulo para o desenvolvimento do espírito humano. Deste modo, o leitor deve assumir uma atitude ativa, e não passiva, na prática da leitura. Ele deve encarar o ato de ler como um esforço de busca e de construção do seu conhecimento.
Toda leitura autêntica
A leitura e o exercício da cidadania
Em: 22 de abril de 2008
Dominar o ato de ler é uma condição indispensável para que o indivíduo participe de forma efetiva da construção e reconstrução da sociedade e de si mesmo, enquanto ser humano na sua totalidade.
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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