A mentira tem pernas curtas

Em: 15 de abril de 2013
“Verdade ou mentira? Aprenda a detectar as emoções expressas na face”. Esse será o tema da palestra do psicólogo Rui Mateus Joaquim, mestre em psicologia pela Unesp, que acontecerá nos dias 2, 3 e 4 de maio, no Teatro Direcional
“Verdade ou mentira? Aprenda a detectar as emoções expressas na face”. Esse será o tema da palestra do psicólogo Rui Mateus Joaquim, mestre em psicologia pela Unesp, que acontecerá nos dias 2, 3 e 4 de maio, no Teatro Direcional

“Verdade ou mentira? Aprenda a detectar as emoções expressas na face”. Esse será o tema da palestra do psicólogo Rui Mateus Joaquim, mestre em psicologia pela Unesp, que acontecerá nos dias 2, 3 e 4 de maio, no Teatro Direcional (Manauara Shopping), promovido pela empresa Múltipla Gestão de Pessoas.
Rui tem experiência em neuropsicologia, terapia cognitivo-comportamental e comunicação não verbal do comportamento. Os participantes do evento ganharão o livro de Rui, “O cérebro que aprendeu a mentir”, autografado por ele.
De São Paulo, em entrevista ao Jornal do Commercio, Rui adiantou alguns assuntos que abordará na palestra.

Jornal do Commercio – É verdade que o corpo fala?

Rui -A comunicação humana, num período anterior a aquisição e desenvolvimento da linguagem, ocorria basicamente através das expressões faciais e movimentos corporais, por isso ainda hoje nossa comunicação é basicamente focada na linguagem, essencialmente centrada nas palavras que ouvimos e dirigimos a nossos interlocutores. Nosso mais antigo sistema de comunicação, a expressão facial das emoções, continua ativo, operante e observável configurando sentido a expressão do popularizado livro de Pierre Weil e Roland Topakow “O corpo fala”.

JC – Qualquer pessoa pode detectar a mentira através dos movimentos que alguém faz, ou é preciso estudar para aprender a detectá-las?

Rui -É comum ouvirmos relatos de filhos dizendo que é muito difícil mentir para suas mães. Muitas pessoas são excelentes detectores de mentiras pois possuem um apurado senso de observação. Mães, policiais, mesmo que sem treinamento específico, intuitivamente acabam discriminando padrões comportamentais que levantam suspeitas e demandam uma investigação mais apurada de condutas das pessoas. Contudo, com treinamento e informação, tal habilidade pode ser desenvolvida.

JC – As emoções também podem delatar se alguém está mentindo?

Rui -Sim. Possivelmente. Incongruências emocionais podem trair a pessoa que fala por indicar contradições entre aquilo que diz e o que sua expressividade emocional involuntariamente pode denunciar. Tecnicamente denominamos tais situações “clues deception and leakage” (sinais de engano e vazamentos). Não existe um único sinal que denuncie a mentira, contudo, a análise sistemática de padrões comportamentais, somadas ao contexto que ocorrem pode constituir um excelente indicador de dissimulação.

JC – Por que seu livro tem o título “O cérebro que aprendeu a mentir?”

Rui -O título do livro vem de encontro à ideia de que aprendemos a controlar e a esconder aquilo que sentimos ou desejamos dada a necessidade de nos adequarmos ao complexo contexto cultural durante o processo de desenvolvimento humano.

JC – A mentira já nasce com o ser humano?

Rui -Aprendemos a mentir ao longo de nosso desenvolvimento. Apesar de muitos organismos se utilizarem de táticas dissimulatórias tanto em atividades predatórias quanto defensivas penso que a capacidade de mentir está intimamente associada ao desenvolvimento do neo-córtex. A mentira não nasce com o ser humano, mas, ao longo de seu desenvolvimento torna-se uma necessidade fundamental.

JC – Mentir sempre e sem necessidade pode ser uma doença?

Rui – Chama-se de mitomania ao ato compulsivo de mentir. Atualmente a psiquiatria e a psicologia não reconhecem o ato de mentir em si como uma doença, contudo, mentir constantemente pode ser o sintoma de um transtorno psiquiátrico importante como transtornos de personalidade narcísica, anti-social, borderline, etc.

JC – Dê algumas dicas para “pegarmos” um mentiroso.

Rui -Peça a pessoa que conte o fato de trás para frente, começando da última coisa que fez até a primeira. Caso a mentira tenha sido elaborada na hora, há uma grande possibilidade de o mentiroso ter dificuldade em relatar os eventos. Observe então seu comportamento, parece com medo? Há sinais se excitação fisiológica? O individuo aumentou o número de vezes que toca o próprio corpo? Este é um importante sinal de desconforto psicológico e de que uma investigação mais apurada de certos pontos do relato pode ser bem vinda.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Pesquisar