Quando o assunto a ser pautado para discussão é “nota” devemos registrar como ponto de partida para nossa exposição de argumentos que de acordo com o artigo 32 da lei 9.394/1996, o Ensino Fundamental, terá por objetivo a formação básica do cidadão, mediante: (1) o desenvolvimento da capacidade de aprender, tendo como meios básicos o pleno domínio da leitura, da escrita e do cálculo; e, também, (2) a compreensão do ambiente natural e social, do sistema político, da tecnologia, das artes e dos valores em que se fundamenta a sociedade.
Não seria muito ruim saber que a “nota” que seu filho alcança nas avaliações é um reflexo do pleno desenvolvimento da leitura, da escrita e do cálculo…, mas a história da educação escolar pública vem nos fornecendo informações empíricas que não só provam o contrário, como também atestam que a nossa educação escolar vai de mal a pior, uma vez que é cada vez mais comum encontrar no espaço escolar uma avaliação ameaçadora, uma avaliação que não vem considerando o aspecto emocional, social etc. dos sujeitos escolares, o que resultando num distanciamento entre os mesmos.
Não seria nada ruim saber que a “nota” que seu filho alcança nas avaliações escolares é um reflexo da compreensão do ambiente natural e social, do sistema político, da tecnologia, das artes e dos valores em que se fundamenta a sociedade…, mas as manifestações de uma péssima educação no trânsito, uma péssima educação ambiental, uma péssima educação nos cinemas e outras espacialidades, uma péssima educação política, principalmente na hora de escolher os vereadores, os deputados, os prefeitos, o governador e o presidente vêm atestando o contrário.
Não seria pouco ruim saber que a “nota” que seu filho alcança nas avaliações escolares é um reflexo da compreensão da tecnologia, das artes em que se fundamenta a sociedade…, mas as manifestações que ocorrem no uso politicamente incorreto das novas tecnologias surgidas no contexto da Revolução Informacional (telefones celulares, tablets, ipods etc.); no consumismo das músicas, das colorações artificiais para cabelo, das variadas chapinhas e modeladores para cabelos surgidas todas no contexto da Indústria Cultural da década de 1990 etc. vêm mostrando que a coisa está de mal a pior.
Não seria muito desagradável saber que a “nota” que seu filho alcança nas avaliações escolares é um reflexo negativo da compreensão dos valores que fundamentam a sociedade capitalista…, mas a reprodutibilidade dos valores da burguesia capitalista que se manifestam no comportamento indiferente, individualizado, desrrespeitável, antidemocrático etc. para com as outras pessoas, inclusive os próprios parentes vem demonstrando que a educação que temos não está formando cidadãos e sim pessoas que podem produzir um determinado grau de infelicidade para a sociedade.
A “nota” é um novo fetiche produzido pelos apóstolos do neoliberalismo. Sim! Os mesmos que implantaram a Qualidade Total na educação. O que tem é que a avaliação do rendimento escolar em algumas instituições não é usada corretamente pelos professores, pois não respeitam o ambiente no qual o aluno está inserido. Ainda, numa educação que prioriza o depósito de informações, os instrumentos de avaliação são usados apenas como medidores do conhecimento e, com isso, se distanciam das qualidades humanas, caracterizando-se como uma ferramenta de exclusão escolar e social.
Observa-se ainda que a avaliação escolar que é praticada pelas escolas apresenta um caráter extremamente descontextualizado, autoritário e punitivo, que não considera os aspectos biopsicossociais, resultando num distanciamento entre professor e aluno. Muitas vezes, caracterizada por um processo de julgamento de valores, sobre dados relevantes da realidade em que ocorre a aprendizagem, inerentes ao contexto social ou individual de cada aluno. Este processo é subjetivo e realiza julgamentos segundo padrões pré-estabelecidos…, o resultado da educação começa quando a escola termina.
Cláudio João Paulo Saltini, psicólogo, assevera: “as escolas deveriam entender mais de seres humanos e de amor do que de conteúdos e técnicas educativas. Elas têm contribuído em demasia para a construção de neuróticos por não entenderem de amor, de sonhos, de fantasias, de símbolos e de dores”. O aluno deseja e necessita ser amado, aceito, acolhido e ouvido para que possa despertar para a vida da curiosidade e do aprendizado. E o professor é quem prepara e organiza os espaços, as espacialidades etc. que irão ou não despertar a busca, o interesse etc. nos alunos.
Não temos dúvidas que a “nota” não traduz se o aluno sabe ou não materializar um determinado conceito científico, um valor ou outra coisa qualquer. Segundo Maria Teresa Esteban: “avaliar o aluno deixa de significar um julgamento sobre a aprendizagem do aluno, para servir como modelo capaz de revelar o que o aluno já sabe, os caminhos que percorreu para alcançar o conhecimento, o que o aluno não sabe, o que pode vir a saber, o que é potencializado e revelado em seu processo, suas possibilidades de avanço e suas necessidades para superação, sempre transitória do saber”.
A nota escolar revela o desempenho dos alunos? (Parte 2)
Em: 1 de abril de 2013
A “nota” é um novo fetiche produzido pelos apóstolos do neoliberalismo
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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