Mais uma vez o excesso de Estado no país aplica mais um golpe nas relações de mercado que envolvem produtos ditos estratégicos. Foi o caso recente da determinação do Gabinete da Casa Civil de impor o cancelamento do negócio celebrado entre a Petrobrás e a empresa canadense Falcon, envolvendo cerca de US$ 150 milhões de dólares na venda de parte de uma mina de silvinita ou silvita (sal de potássio) na região dos municípios de Nova Olinda do Norte e Itacoatiara, ambos no Estado do Amazonas.
De modo ainda não bem explicado a venda chegou a irritar a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, que contrária e equivocadamente ao pensamento daqueles que lidam tradicionalmente com o setor mineral, considera o potássio um insumo estratégico para o país, dando ao mesmo uma posição de líder na produção agrícola mundial. Segundo informações não oficiais, a ministra Dilma teria pedido ao presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, que desfizesse o negócio, pois o presidente Lula também teria ficado irritado com a negociação, chegando ao cúmulo de sugerir que a Petrobras pague a multa contratual em razão do cancelamento do contrato, com o argumento de que o governo havia percebido que a venda não foi boa para os interesses do país.
A Petrobras confirmou o cancelamento do documento assinado por ela, no qual se comprometia a vender os direitos minerários das reservas de silvinita a uma empresa canadense, atendidas condições preestabelecidas. No entanto, ainda não há confirmação oficial de tal determinação.
O que me chama atenção neste episódio, típico dos bastidores palacianos, é a possibilidade deste tipo de atitude servir de exemplo de como os interesses de uma empresa estatal de economia mista nem sempre coincidirem com os do Estado brasileiro. Ora! A venda foi uma decisão lógica, considerando que explorar potássio não é o negócio da Petrobras.
O sentimento é de que para o Estado brasileiro, o negócio foi ruim, pois importamos 90% do potássio que utilizamos. Já o argumento, é que temos como prioridade o aumento da produção de fertilizantes para diminuir a dependência das importações, e a mina foi vendida a uma das maiores empresas estrangeiras do setor.
Vale salientar neste artigo, que o que preocupa é o fato de isto ter ocorrido com o potássio, mas poderá também ocorrer na exploração do petróleo do pré-sal, ou seja, haver também divergências entre estatal e a União. Pior ainda, é a real possibilidade de se criar uma estatal de petróleo exclusivamente para o pré-sal.
A preocupação do governo de que a mina de potássio na mão dos canadenses vire um empecilho aos planos de estabelecer novas regras para a mineração no país é uma tolice política. Mesmo a idéia de se modificar o Código de Mineração para evitar que empresas obtenham concessões e fiquem “sentadas” em cima delas, também é algo discutível, pois a própria Petrobrás detinha a concessão da mina de silvinita de Nova Olinda do Norte há mais de dez anos e nunca a explorou, mesmo considerando a sua magnitude, estimada em 400 quilômetros de extensão linear e cerca de 100 quilômetros de largura. Vale salientar, que somente 10% desse total haviam sido negociados com a canadense Falcon.
A persistir esta posição do Governo Federal, o Estado do Amazonas terá um prejuízo inestimável, assim como toda a economia da região amazônica e todo o país, que depende em muito do potássio como insumo e matéria-prima para o desenvolvimento do agronegócio e garantia da cesta básica de alimentos à toda a população. É necessário que o Poder Legislativo do Estado do Amazonas e a sociedade organizada tomem partido desta decisão do Governo Federal, pois com as recentes descobertas surgem desconfianças de que a Amazônia também tenha o seu “pré-sal”. Imaginem o impacto desta previsão ou afirmativa na economia mundial.
Tenho dito!
A silvinita, o pré-sal e o papel da União no Amazonas
Em: 27 de agosto de 2008
Mais uma vez o excesso de Estado no país aplica mais um golpe nas relações de mercado que envolvem produtos ditos estratégicos
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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