“A situação é delicada”

Em: 14 de abril de 2025
Franco Andrade assume a presidência da Abrasel sabendo que a situação econômica de bares e restaurantes não está nada fácil.

 Franco Andrade é fundador e CEO da Franco’s Pizza desde 2014, ano em que também se associou à Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) no Amazonas, consolidando-se como um empreendedor de destaque no setor de alimentação fora do lar. No final de março, Franco assumiu a presidência da Abrasel para o triênio 2025-2028. Nessa entrevista, ao Jornal do Commercio, ele falou das dificuldades e das soluções relacionadas ao segmento gastronômico.

 

Jornal do Commercio: Que desafios sabe que encontrará pela frente como presidente da Abrasel, no Amazonas?

Franco Andrade: Acredito que um dos principais desafios será impulsionar o desenvolvimento do setor em um cenário econômico ainda instável, com inflação e baixa perspectiva de crescimento. Nosso principal objetivo é garantir que os empresários do ramo de alimentação fora do lar tenham acesso a ferramentas que os ajudem a manter preços justos, sem comprometer a saúde financeira dos negócios ou o poder de consumo dos clientes. Para isso, vamos investir em capacitação voltada à precificação, gestão e inovação, promovendo eventos e treinamentos tanto para o empresário quanto para os profissionais do setor. E vamos intensificar o diálogo com o poder público e a sociedade civil em busca de soluções que fortaleçam o segmento gastronômico.

 

JC: Hoje, quantos bares e restaurantes são associados à Abrasel? Quais as vantagens em ser associado?

FA: Atualmente, a Abrasel no Amazonas conta com aproximadamente 370 associados. A Associação oferece uma série de vantagens como assessoria jurídica e contábil, com consultorias especializadas para auxiliar na gestão dos estabelecimentos; participação em eventos gastronômicos, como Brasil Sabor, O Quilo é Nosso e Festival Bar em Bar; acesso a encontros, treinamentos e palestras que promovem o desenvolvimento contínuo dos empresários e suas equipes; condições especiais para participação em congressos e feiras do setor, facilitando o networking e a atualização sobre tendências de mercado; divulgação nos canais de comunicação da Abrasel e participação em guias gastronômicos.  

 

JC: Com o aumento geral dos preços dos alimentos, como está a situação dos bares e restaurantes de Manaus?

FA: Isso tem afetado diretamente os bares e restaurantes em todo o país, e no Amazonas não é diferente. Sentimos, na prática, o desafio de manter os cardápios atualizados sem afastar o cliente. Muitos empresários, por receio de perder movimento, seguram os reajustes. Uma pesquisa da Abrasel mostrou que 32% dos estabelecimentos não conseguiram reajustar seus preços no último ano, e 60% fizeram reajustes abaixo da inflação. O resultado disso são margens de lucro cada vez mais apertadas. Por isso a Abrasel no Amazonas tem intensificado esforços para apoiar os empresários locais, oferecendo capacitações e orientações sobre gestão, para que consigam manter o negócio saudável.

 

JC: Essa situação tem feito quantos por cento fecharem as portas?

FA: Baseado em dados do segundo semestre de 2024, cerca de 60% dos CNPJs do setor de alimentação fora do lar no Amazonas enfrentam dificuldades financeiras. Embora nem todos fechem as portas de imediato, muitos operam no limite. A Abrasel, em nível nacional, tem acompanhado esse cenário de perto e criou um plano de reestruturação para o setor, justamente para ajudar empresários a manterem seus negócios ativos. A situação é delicada.

 

JC: Pela sua experiência no segmento gastronômico, o que os donos de bares e restaurantes devem fazer para enfrentar situações como essa?

FA: O caminho para enfrentar momentos como esse começa com um olhar estratégico para dentro do próprio negócio. É identificar gargalos, rever processos, negociar melhor com fornecedores e reduzir custos sem comprometer a qualidade. Mas nada disso funciona sem capacitação. É essencial investir em treinamentos, mentorias e desenvolvimento da equipe. O empresário precisa estar preparado para tomar decisões mais assertivas, e a Abrasel tem buscado justamente oferecer esse suporte.

Muitos empresários, por receio de perder movimento, seguram os reajustes.
Muitos empresários, por receio de perder movimento, seguram os reajustes.

 

JC: Quais eventos a Abrasel tem programados para esse ano? Tais eventos aumentam em quanto por cento o faturamento de bares e restaurantes?

FA: Temos o Festival Brasil Sabor, realizado agora em maio, o concurso O Quilo é Nosso e o Festival Bar em Bar. Também promovemos a FIGA (Feira Internacional de Gastronomia Amazônica), um evento bienal que volta a acontecer em 2025. Embora não seja possível mensurar com exatidão o aumento de faturamento gerado por esses eventos, é evidente que eles ajudam, e muito, na visibilidade, no aumento do fluxo de clientes e na fidelização do público.

 

JC: O que diria para um empreendedor que deseja abrir um bar ou restaurante?

FA: O primeiro passo é pesquisar. Visite outros lugares, converse com empreendedores do ramo, busque conselhos de quem já tem experiência. O Sebrae é um grande parceiro e pode ajudar muito com cursos, orientação e preparo. É fundamental entender como funciona ter um CNPJ no Brasil. Às vezes, a ideia parece ótima na cabeça, mas quando a gente coloca no papel, não se sustenta. Recomendo se associar à Abrasel. A troca de experiências, o networking com outros empresários e o acesso à informação fazem muita diferença, especialmente para quem está começando. Com um produto bom, atendimento de qualidade e preço justo, as chances de dar certo são enormes.

Evaldo Ferreira

é repórter do Jornal do Commercio
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