A Voz do Lojista – Cesta básica exige salário de R$ 1,9 mil

Em: 5 de junho de 2008
Para cumprir determinação constitucional estabelecendo que o salário-mínimo deve suprir as despesas de um trabalhador e sua família.
Para cumprir determinação constitucional estabelecendo que o salário-mínimo deve suprir as despesas de um trabalhador e sua família.

Para cumprir determinação constitucional estabelecendo que o salário-mínimo deve suprir as despesas de um trabalhador e sua família, ele deveria ser elevado em 380%, passando de R$ 415 para R$ 1.987,51. A estimativa é do Dieese (Departamento de Estatística e Estudos Socioeconômicos), levando em consideração o preço da cesta básica. O mínimo calculado em maio de 2008 é R$ 63,39 superior que o calculado em abril (R$ 1.918,12; 4,62 vezes o piso atual).
Segundo o Dieese, o trabalhador das 16 capitais brasileiras pesquisas precisou cumprir, em maio, uma jornada de 111 horas e oito minutos para adquirir os mesmos bens que no mês anterior demandavam 106 horas e 57 minutos. Em maio de 2007, quando o preço da cesta estava em queda em todas as capitais, o tempo necessário correspondia a 92 horas e três minutos.
A mesma diferença pode ser verificada quando se compara o custo da cesta com o salário mínimo liquido, ou seja, após o desconto equivalente à Previdência Social. Em maio de 2008, a compra da cesta exigiu o comprometimento de 54,91 % do rendimento liquido enquanto no mês anterior (abril), a cesta básica correspondeu a 52,84% do valor do salário-mínimo. Já no mês de maio do ano passado eram necessários 45,31% do salário para a compra dos mesmos itens.
O Dieese chamou a atenção para o fato de que os aumentos da cesta básica acumulados em 12 meses superaram o patamar de 20% em todas as capitais pesquisadas, variação superior à de 9,21% no salário-mínimo em março.

Alimento é vilão da inflação

O preço dos alimentos continua acelerando a alta da inflação. É o que mostrou o IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor Semanal) da última semana de maio (até 31 de maio), calculado pela FGV (Fundação Getúlio Vargas), que subiu 0,87% enquanto que na semana anterior havia avançado 0,72.
Segundo a FGV, a principal contribuição para o avanço do índice partiu do grupo de produtos relacionados à alimentação, cujos preços subiram 2,33%, a maior alta desde a primeira semana de fevereiro de 2004, quando o grupo havia subido 2,36%. No IPC-S da semana anterior, até 22 de maio, os preços desse alta de 1,87%.
As elevações de preços mais significativas no grupo alimentação foram apuradas em pão francês (7,8%); batata-inglesa (18,87%); arroz branco (16.95%). Mas nem tudo sobe de preço na mesa do brasileiro ocorreram deflações no mamão da Amazônia – papaya (menos 20,66%) e do feijão carioquinha (queda de 7,76%).
O IPC-S ficou dentro das estimativas de analistas do mercado financeiro, que esperavam um resultado entre 0,80% e 0,90%, e foi igual à mediana das expectativas (0,87%).
Das sete classes de despesas usadas para o cálculo do índice, três apresentaram elevação de preços mais intensas na passagem do IPC-S a até 31 de maio. Além do grupo dos alimentos, os produtos e serviços referentes à educação, leitura e recreação (de 0,17% para 0,34%); e habitação (de 0,07% para 0,18).
Outros três grupos registraram desaceleração de preços, ou até mesmo deflação. É o caso de vestuário (de 0,71% para 0,37%); transportes (de 0,26% para 0,21%) e despesas diversas (de 0,06% para menos 0,08%).

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Redação

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