Abertura comercial elevaria PIB

Em: 2 de julho de 2014
Maior internacionalização do País elevaria a produtividade nacional, aponta estudo
Maior internacionalização do País elevaria a produtividade nacional, aponta estudo

Um estudo da McKinsey, umas das mais conceituadas consultorias de economia e de negócios, mostra que o Brasil anda dando as costas para o mundo – e ganharia muito se o encarasse. Com quase 100 páginas, a pesquisa intitulada “Conectando o Brasil ao mundo: um caminho para o crescimento inclusivo” mostra as deficiências do país para concorrer internacionalmente e sinaliza medidas para que ele se torne mais aberto, produtivo e competitivo.
Para defender a abertura, a consultoria leva em conta sua experiência com o tema. Estudos feitos nos últimos 20 anos pelo Instituto Global McKinsey identificaram que países dedicados a ampliar as conexões em escala global registram acréscimo de até 40% na geração de riqueza. Isso ocorreu porque a concorrência internacional criada pela abertura gera choques de gestão, de inovações e um quadro geral de modernização que elevam a produtividade.
No caso do Brasil, pelas estimativas da instituição, uma maior abertura -não apenas comercial, mas também por meio do intercâmbio financeiro, de prestação de serviços e até de talentos humanos -elevaria a produtividade e acrescentaria, anualmente, 1,25 ponto percentual ao PIB (Produto Interno Bruto). “A abertura pode fazer uma grande diferença para economia e nós temos vistos mudanças significativas em três a cinco anos, porque as indústrias podem responder com muita rapidez”, diz Jaana Remes, que lidera a área de pesquisa em produtividade, competitividade, urbanização e manufatura do Instituto Global McKinsey.
Desde os anos 1990, o Brasil fez movimentos para se tornar mais aberto, mas segundo o estudo as reformas têm sido irregulares. Enquanto alguns setores ficam totalmente expostos à concorrência internacional, outros permanecem fortemente protegidos e tributados. Para ilustrar os efeitos de ser mais ou menos fechado, o estudo recorre à análise de dois setores de peso na economia nacional -o agronegócio, que se tornou campeão global em competitividade após a abertura nos anos 1990, e o setor automotivo, um dos mais blindados contra a concorrência internacional e que, apesar de composto por multinacionais, apresenta deficiências.
As falhas e o potencial do país ficam claras quando se olha o Índice de Conexão Global, elaborado pelo Instituto Global McKinsey. O ranking mede o nível de conexão de 131 países – praticamente metade das nações existentes. O Brasil ocupa a 43ª posição. Não parece ruim à primeira vista, mas o país está abaixo de emergentes com níveis similares de desenvolvimento, como Rússia (9ª), China (25ª). México (27ª), Índia (30ª) e Chile (41ª).
No quesito que trata de trocas comerciais (importação e exportação), o Brasil está na posição 39. As trocas brasileiras equivalem a praticamente um terço das do Chile, que tem área e economia bem menores. Em serviços, está na 40ª posição. As exportações de serviços representam apenas 1,8% do PIB do Brasil -abaixo da média latino-americana (4,1%) e muito longe da indiana (8%). Em comunicação, que valoriza a troca de dados entre pessoas, empresas e governos, o país está em 38º lugar.
O Brasil tem um desempenho melhor num único item -o intercâmbio de serviços financeiros, que inclui atividades bancárias, captações no exterior, investimentos de fundos e operações em bolsa de valores. Nesse caso, o país está em 15º lugar. Ainda assim, a relação é desproporcional. Está entre os dez países que mais recebem investimento direto estrangeiro, mas tem saídas mínimas para investimentos em outros países.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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