Um estudo da McKinsey, umas das mais conceituadas consultorias de economia e de negócios, mostra que o Brasil anda dando as costas para o mundo – e ganharia muito se o encarasse. Com quase 100 páginas, a pesquisa intitulada “Conectando o Brasil ao mundo: um caminho para o crescimento inclusivo” mostra as deficiências do país para concorrer internacionalmente e sinaliza medidas para que ele se torne mais aberto, produtivo e competitivo.
Para defender a abertura, a consultoria leva em conta sua experiência com o tema. Estudos feitos nos últimos 20 anos pelo Instituto Global McKinsey identificaram que países dedicados a ampliar as conexões em escala global registram acréscimo de até 40% na geração de riqueza. Isso ocorreu porque a concorrência internacional criada pela abertura gera choques de gestão, de inovações e um quadro geral de modernização que elevam a produtividade.
No caso do Brasil, pelas estimativas da instituição, uma maior abertura -não apenas comercial, mas também por meio do intercâmbio financeiro, de prestação de serviços e até de talentos humanos -elevaria a produtividade e acrescentaria, anualmente, 1,25 ponto percentual ao PIB (Produto Interno Bruto). “A abertura pode fazer uma grande diferença para economia e nós temos vistos mudanças significativas em três a cinco anos, porque as indústrias podem responder com muita rapidez”, diz Jaana Remes, que lidera a área de pesquisa em produtividade, competitividade, urbanização e manufatura do Instituto Global McKinsey.
Desde os anos 1990, o Brasil fez movimentos para se tornar mais aberto, mas segundo o estudo as reformas têm sido irregulares. Enquanto alguns setores ficam totalmente expostos à concorrência internacional, outros permanecem fortemente protegidos e tributados. Para ilustrar os efeitos de ser mais ou menos fechado, o estudo recorre à análise de dois setores de peso na economia nacional -o agronegócio, que se tornou campeão global em competitividade após a abertura nos anos 1990, e o setor automotivo, um dos mais blindados contra a concorrência internacional e que, apesar de composto por multinacionais, apresenta deficiências.
As falhas e o potencial do país ficam claras quando se olha o Índice de Conexão Global, elaborado pelo Instituto Global McKinsey. O ranking mede o nível de conexão de 131 países – praticamente metade das nações existentes. O Brasil ocupa a 43ª posição. Não parece ruim à primeira vista, mas o país está abaixo de emergentes com níveis similares de desenvolvimento, como Rússia (9ª), China (25ª). México (27ª), Índia (30ª) e Chile (41ª).
No quesito que trata de trocas comerciais (importação e exportação), o Brasil está na posição 39. As trocas brasileiras equivalem a praticamente um terço das do Chile, que tem área e economia bem menores. Em serviços, está na 40ª posição. As exportações de serviços representam apenas 1,8% do PIB do Brasil -abaixo da média latino-americana (4,1%) e muito longe da indiana (8%). Em comunicação, que valoriza a troca de dados entre pessoas, empresas e governos, o país está em 38º lugar.
O Brasil tem um desempenho melhor num único item -o intercâmbio de serviços financeiros, que inclui atividades bancárias, captações no exterior, investimentos de fundos e operações em bolsa de valores. Nesse caso, o país está em 15º lugar. Ainda assim, a relação é desproporcional. Está entre os dez países que mais recebem investimento direto estrangeiro, mas tem saídas mínimas para investimentos em outros países.
Abertura comercial elevaria PIB
Em: 2 de julho de 2014
Maior internacionalização do País elevaria a produtividade nacional, aponta estudo
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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