Na noite dessa quarta-feira (1º), o Centro Cultural Palácio Rio Negro, no Centro de Manaus, reuniu autoridades, empresários e representantes da indústria para a celebração dos 50 anos da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo). O evento marcou não apenas a trajetória institucional da entidade, mas evidenciou o papel estratégico da indústria de duas rodas na economia do Amazonas e do país.
Com produção concentrada no Polo Industrial de Manaus (PIM), o segmento responde hoje por mais de 90% das motocicletas fabricadas no Brasil e mantém uma base de mais de 21 mil empregos diretos na região, além de impacto nacional que ultrapassa 150 mil postos de trabalho.
Durante a solenidade, o vice-governador do Amazonas, Tadeu de Souza, destacou a evolução do polo ao longo das últimas décadas e seu reposicionamento no cenário industrial brasileiro.
“Hoje a gente comemora 50 anos exatamente num período em que a Zona Franca ainda estava na sua primeira infância. E o que se vê agora é um polo consolidado, com mais de 21 mil trabalhadores e praticamente toda a produção nacional de motocicletas concentrada aqui. O Polo Industrial de Manaus deixou de ser um ambiente periférico para estar no centro da estratégia industrial do Brasil”, afirmou.

O vice-governador também ressaltou o ambiente de negócios e a capacidade de adaptação do modelo. “A gente tem segurança jurídica, um regime de incentivos transparente e um ambiente que atrai grandes players. Esse segmento demonstra a força produtiva, o alto nível de nacionalização e o compromisso com a legislação ambiental e a segurança veicular. É um exemplo para a indústria nacional”, acrescentou.
A avaliação é compartilhada pelo presidente da Abraciclo, Marcos Bento, que destacou o posicionamento global da indústria instalada na capital amazonense.
“Fora do eixo asiático, este é o maior polo de duas rodas do mundo. Produzimos aqui com alta tecnologia, exportamos para mais de 50 países e temos um dos níveis de verticalização mais elevados do setor. Isso gera emprego, renda e riqueza, e reforça o orgulho de produzir em Manaus”, disse.
Bento também enfatizou a importância da estabilidade institucional para a continuidade dos investimentos. “Nada disso seria possível sem segurança jurídica e apoio das autoridades. A consolidação da Zona Franca até 2073 é fundamental para garantir previsibilidade e manter o fluxo de investimentos para os próximos anos”, afirmou.
Para o presidente executivo do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), Lúcio Flávio Morais de Oliveira, o momento é de celebração, mas também de perspectiva positiva para o mercado.
“É sempre importante comemorar, e os 50 anos da Abraciclo devem ser celebrados. Estamos falando de um polo pujante, com indústrias consolidadas e confiança dos investidores. Existe ainda uma demanda reprimida significativa, e a tendência é de crescimento contínuo. Este ano, com certeza, deve bater novos recordes”, avaliou.
Segundo dados do setor, a expectativa para 2026 é de produção superior a 2 milhões de motocicletas e cerca de 2,3 milhões de unidades licenciadas no país, mantendo o ritmo de expansão observado nos últimos anos.
O avanço é impulsionado principalmente pela consolidação da motocicleta como alternativa de mobilidade urbana e ferramenta de trabalho, especialmente com o crescimento dos serviços de entrega e transporte por aplicativo.

Além do desempenho econômico, a trajetória da Abraciclo também é marcada por avanços regulatórios e tecnológicos. Entre eles, a implementação do Programa de Controle da Poluição do Ar por Motociclos (Promot) e o desenvolvimento de motocicletas bicombustíveis, tecnologia na qual o Brasil se tornou referência global.
Ao completar cinco décadas, a entidade reúne 15 fabricantes instalados no Polo Industrial de Manaus, incluindo algumas das principais marcas do mercado mundial, entre elas estão a Honda, Yamaha, BMW, Harley-Davidson e Ducati, o conjunto dessas operações consolida o Amazonas como um dos principais centros globais da indústria de duas rodas.
Em um cenário de demanda aquecida, expansão produtiva e transformação nos padrões de mobilidade, o setor chega aos 50 anos com perspectiva de crescimento e com papel cada vez mais relevante na dinâmica econômica nacional.







