A Abrasel defende um amplo diálogo sobre a modernização das jornadas e escalas de trabalho no Brasil e pede cautela na condução de mudanças que possam produzir impactos significativos sobre trabalhadores, empresas e consumidores.
Para a entidade, é legítimo discutir novos modelos de organização do trabalho que contribuam para melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores. Ao mesmo tempo, mudanças estruturais exigem análise cuidadosa de seus efeitos sobre geração de empregos, renda, produtividade, preços e sustentabilidade das empresas.
A preocupação da Abrasel está especialmente na adoção de regras rígidas e uniformes para atividades que possuem realidades muito diferentes. No setor de alimentação fora do lar, por exemplo, grande parte da demanda ocorre à noite, nos fins de semana e feriados, o que torna a organização das equipes um elemento essencial para o funcionamento dos estabelecimentos.
“Somos favoráveis ao diálogo e à evolução das relações de trabalho. O alerta é para que uma mudança dessa dimensão seja construída com responsabilidade, ouvindo quem trabalha, quem emprega e os diferentes setores da economia. Precisamos buscar avanços que sejam sustentáveis e que não acabem produzindo efeitos indesejados sobre o próprio emprego”, afirma a Abrasel.
A entidade também considera importante preservar espaço para a negociação coletiva e para soluções que levem em conta as particularidades de cada atividade. Na avaliação da Abrasel, modelos excessivamente rígidos podem dificultar adaptações e atingir de maneira mais intensa pequenos negócios, que possuem menor capacidade para absorver aumentos repentinos de custos.
Por isso, a Abrasel defende que a discussão no Congresso Nacional seja acompanhada de estudos de impacto e de uma avaliação das diferentes alternativas possíveis para modernizar as relações de trabalho.
“Melhorar as condições de trabalho é um objetivo que deve unir toda a sociedade. O cuidado necessário está em construir essa evolução de forma equilibrada, preservando empregos, estimulando a formalização e dando condições para que as empresas se adaptem”, destaca a entidade.
A Abrasel pede, portanto, cautela na tramitação de mudanças dessa magnitude e defende que qualquer decisão seja precedida de diálogo amplo e análise técnica, buscando conciliar qualidade de vida, geração de oportunidades, produtividade e desenvolvimento econômico.















