Agora em setembro o Instituto Refloresta Amazônia completa dois anos de existência e já realizou bem mais ações que muitas das famigeradas ong’s defensoras da Amazônia o fizeram em décadas, e com um agravante: sem depender de dinheiro de prefeitura, Estado, Governo Federal ou países europeus.
O nome é pomposo, Instituto Refloresta Amazônia, mas se trata de um grupo de jovens que busca apenas um mundo melhor para se viver e eles partem para suas ações ao menos uma vez por mês, seja limpando igarapés poluídos, e mais recentemente, plantando árvores.
“Herdei esse senso de preservação da minha mãe Alda. Ela morava em Parintins e vivia plantando ipês pela cidade. Ela morreu há quatro meses e eu incorporei ao Instituto essa ação do plantio de árvores”, explicou o publicitário Sérgio Farias, idealizador e fundador do Refloresta Amazônia.
O Instituto começou, em setembro de 2017, limpando o igarapé que passa pela ilha de São Vicente, no centro antigo de Manaus.
“Aquela é uma região muito bonita de Manaus, que poucas pessoas conhecem, por isso resolvemos começar nossos trabalhos por lá. Desde então não paramos mais. Nosso lema é: não esperar que os outros façam”, disse.
Sérgio convidou alguns amigos para essa primeira ação, os amigos convidaram outros amigos, tendo as redes sociais como fortes aliadas, e quando foi no dia combinado, 40 pessoas estavam lá para fazer a limpeza daquele trecho do igarapé.
“Hoje conseguimos reunir uns 200 voluntários em cada ação mensal e já temos milhares de seguidores no Instagram”, comemorou.
Mais de quatro toneladas de lixo
Entre os locais por onde o pessoal do IRA já passou promovendo a limpeza constam a Cachoeira Alta do Tarumã, o igarapé do Passarinho, e o igarapé do Nova Cidade.
A Cachoeira Alta do Tarumã foi, há algumas décadas, um dos cartões postais de Manaus, mas hoje está completamente poluída e abandonada.
“De lá retiramos quatro geladeiras, fogão, pneus, muitas sacolas plásticas e garrafas pet, e animais (gatos e cachorros) mortos”, contou.
“No Nova Cidade até ponte nós consertamos e pintamos. Lá contamos com o apoio do pessoal do Projeto Ágape, coordenado pela Suelen Karoline.
O Projeto Ágape existe desde 2015 atuando na comunidade Luís Otávio oferecendo educação infantil, cursos de geração de renda, distribuição de material escolar, roupas, cestas básicas, entre outros. Nestes quatro anos já auxiliaram mais de 200 famílias. Seu principal objetivo é combater a desigualdade social através da educação.
“Não temos idéia de quantas toneladas de lixo já retiramos dos igarapés por onde passamos, mas calculamos mais de quatro toneladas. Quando realizamos essas ações, contamos com o apoio da prefeitura que envia caminhões para levar o lixo do local”, falou.
Tão mal vistas ficaram as ong’s depois dos últimos episódios das queimadas da floresta, que Sérgio ressalta ser a sua instituição um instituto, e não uma ong.
“Nossa intenção é melhorar o mundo sem visar ganhar dinheiro com isso. Ajudas são muito bem-vindas, mão-de-obra, material de apoio, isso iremos precisar sempre”, esclareceu.
Mais de 500 mudas plantadas
A partir da morte da mãe, em maio, uma apaixonada por plantas e árvores, em sua homenagem, Sérgio incluiu nas ações do IRA o plantio de árvores. E mais apoiadores começaram a surgir para a causa.
“Temos uns membros do Instituto que são alunos da Ufam, então conseguimos a parceria da Emcof (empresa júnior de consultoria florestal) e da Pollaris (empresa júnior do curso de administração). A primeira nos da assessoria na parte do plantio de árvores; a segunda, no gerenciamento do Instituto”, explicou.
Mudas de árvores são doadas pela Sema (Secretaria de Estado do Meio Ambiente) e pelo Ifam (Instituto Federal do Amazonas).
“Recentemente fomos fazer um plantio nas terras da margem do igarapé de Manaus, do outro lado do Parque Senador Jefferson Péres, mas como é uma área de aterro, é barro puro e duro, então tivemos que fazer a recuperação do solo. A Emcof nos conseguiu o adubo para colocarmos naquele terreno o que facilitará o crescimento das mudas”, revelou.
“Já realizamos plantio nas margens do igarapé do 40, entre o Educandos e a Cachoeirinha; nas margens do Mestre Chico, debaixo da ponte Benjamin Constant; e a próxima ação será nas margens do igarapé de Petrópolis, em frente ao CMPM 1 (Colégio Militar da Polícia Militar) atendendo a um pedido do líder comunitário”, citou.
“Em quatro meses já plantamos mais de 500 mudas de pau pretinho, ipê e chuva de ouro. Além de fazermos o monitoramento dessas mudas, pedimos aos moradores da região que também o façam”, revelou.
A mais nova ação do IRA é construir lixeiras em locais onde existe descarte viciado de lixo.
“Se todos ajudarem, conseguiremos viver num mundo melhor”, concluiu.
Quem quiser integrar, ou ajudar o IRA, pode ligar para 9 8453-1158.







