Em um evento realizado na última segunda-feira, em São Paulo, para divulgar dados sobre o setor de viagens corporativas na receita do turismo brasileiro, sobraram críticas à ausência de políticas públicas direcionadas ao setor. “A ministra do Turismo, Marta Suplicy, é convidada para os eventos, mas não participa. Não há interesse”, contou Mauro Schwartzmann, presidente do Favecc (Fórum das Agências de Viagens Especializadas em Contas Comerciais).
Segundo Schwartzmann, o que existe hoje é uma promessa de agendamento para discutir as questões do caos aéreo no Ministério da Defesa. “Existem situações que não fazem sentido, não estamos aqui de brincadeira”, afirmou.
As entidades do setor estão mobilizadas, mas Schwartzmann diz que falta interlocutor, e a ciranda na troca de cargos dificulta as conversas. Para abrir um canal de diálogo com o governo, empresas ligadas a viagens corporativas se apóiam em números que mostram o tamanho do setor na economia. Em 2007, os prestadores de serviço que atuam nos segmentos de hospedagem, transporte aéreo e locação de veículos tiveram um faturamento de R$ 27,5 bilhões, dos quais 59,4% provenientes do segmento de viagens corporativas, ou seja, cerca de R$ 16,35 bilhões. “Buscamos reconhecimento do nosso peso na economia para tentar abrir espaços de diálogo dentro do governo”, ressaltou Viviânne Martins, presidente da Abgeve (Associação Brasileira dos Gestores de Viagens Corporativas).
Os representantes do segmento afirmam que o Ministério do Turismo não tem nenhuma iniciativa de apoio ao setor e que mesmo em meio ao caos aéreo e à ausência de políticas públicas, foi possível crescer 2% em um comparativo de 2006 para 2007. “Considero esse crescimento pífio, se comparado ao trabalho dos agentes envolvidos”, disse o presidente da Favecc.
Outro
lado
O Ministério do Turismo rebate as reclamações do setor. Segundo o secretário Nacional de Políticas do Turismo, Airton Pereira, o debate sobre viagens corporativas está presente no Conselho Nacional de Turismo, onde tem assento cerca de 36 entidades ligadas ao setor, entre elas o Fohb (Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil) e o Fórum da Favecc. Pereira disse que o setor é fundamental para o ministério, que criou um braço especial dentro da Embratur para atender negócios e eventos.
“Em 2003, o Brasil estava em 23º lugar em captação de eventos, em 2007, fechamos o ano na 7ª posição”, anunciou. “Onde é possível atuar, estamos atuando. A prosperidade desse setor está muito mais relacionada ao aquecimento da economia”, ressaltou. “Reconhecemos problemas de infra-estrutura, a gente tem assento no Conac e leva para as reuniões o sentimento de angústia do setor por não conseguir resolver impasses como o da malha aérea, por exemplo”, concluiu o secretário.
Durante um evento do setor de viagens corporativas, claro que não poderiam faltar comentários sobre o suposto uso indevido dos cartões pelo governo federal. “O problema não é o produto, mas a falta de política para os gastos. O cartão corporativo é o meio utilizado para efetuar os pagamentos em toda a cadeia do setor: hotéis, passagens aéreas e locação de carro. Ele é correto e não diz respeito a ele a falta de controle que está acontecendo pelo uso do governo. Se fossem fazer esses mesmos pagamentos com o faturado, seria muito pior”, disse Martins. “Os cartões dão uma transparência maior e a vantagem de uma fiscalização mais apurada”, completou ela.






