Agricultores familiares do Semiárido invadem agências do INSS de Recife

Em: 7 de maio de 2008
O que preocupa os agricultores, é o fato de a norma permitir que a classe patronal contra­te, durante 60 dias, a mão-de-obra do trabalhador sem carteira assinada.
O que preocupa os agricultores, é o fato de a norma permitir que a classe patronal contra­te, durante 60 dias, a mão-de-obra do trabalhador sem carteira assinada.

Cerca de cinco mil integrantes da Fetraf (Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar), de algumas cidades do Semi-árido Pernambucano, invadiram as agências do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) de Recife, na última quarta-feira.
Os trabalhadores são contrários MP (Medida Provisória) nº 410, que ­aumenta de 55 para 60 anos a aposentadoria das mulheres no campo e de 60 para 65 anos a dos trabalhadores rurais. A norma tramita no Congresso e permite também que o agricultor possa trabalhar por até dois meses sem registro de carteira profissional. A ocupação durou cerca de quatro horas e terminou no início da tarde.
Em entrevista à Agência Brasil, o presidente da Fetraf de Pernambuco, João Santos, afirmou que os trabalhadores do campo, ao chegar aos 65 anos, já estão sem condições de exercerem as atividades rurais. Segundo ele, se a medida for sancionada, é provável que os agricultores morram antes de receber o benefício.
“Quando os trabalhadores chegam a essa idade não conseguem mais trabalhar. Se o governo assinar [a MP], os trabalhadores e trabalhadoras vão morrer sem receber a aposentadoria”, afirmou.

Carteira
assinada
Outro motivo que preocupa os agricultores, é o fato de a norma permitir que a classe patronal contrate, durante 60 dias, a mão-de-obra do trabalhador sem carteira assinada. De acordo com o presidente da Fetraf, se isso acontecer será o fim dos direitos empregatícios dos trabalhadores do campo.
“Nenhum fazendeiro vai querer mais assinar a carteira do trabalhador. Vai contratar por dois meses, porque deixa de pagar os direitos e deixa de assinar a carteira”, disse.
João Inácio informou que, na próxima sexta-feira, se reunirá em Brasília com representantes dos ministérios do Desenvolvimento Agrário, das Cidades e com a Previdência Social. Caso não se encontre uma solução que assegure os direitos dos trabalhadores rurais, haverá mobilização da Fetraf em outros Estados, na próxima semana.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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