Airbnb incomoda mercado tradicional de hospedagem local

Em: 18 de julho de 2019
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Em tempos de recessão e desemprego, a “nova economia” alavanca negócios criativos e inovadores. Aliada ao avanço tecnológico e acesso rápido à informação, via plataformas de comunicação digital, impacta decisivamente nos negócios tradicionais. 

Esta nova perspectiva econômica tem como foco principal o empreendedorismo, visto que inúmeros brasileiros depositaram suas expectativas em negócios digitais/virtuais, altamente eficazes que mudam a forma de interação entre cliente e empresário, evitando em muitos casos o contato físico.  

Este o caso do administrador Marcelo Silva, que encontrou no Airbnb, uma forma de ganhar uma renda extra sem precisar sair de casa. “O Airbnb é uma plataforma que permite que pessoas do mundo inteiro ofereçam suas casas para usuários que buscam acomodações mais baratas, com isso em 2017, meu irmão e eu tínhamos um quarto vago em casa que ficou alugado por vários anos, assim que desocupou pensamos em como incrementar nossos ganhos com a reforma do espaço, sendo que eu estava trabalhando e ele desempregado há anos, e aí surgiu a ideia de aderir ao aplicativo, já estamos há mais de um ano na plataforma e  depois de vários ajustes e melhorias no quarto, estamos com vários hóspedes programados para os próximos meses, disse o anfitrião.

Ainda conforme Silva, além da adesão rápida e fácil ao aplicativo, a plataforma oferece inúmeras vantagens aos hóspedes e anfitriões, tais como reembolso total e parcial, facilidade no cancelamento para os clientes e ainda um seguro oferecido ao anfitrião no caso de um possível prejuízo.

“Uma das vantagens do aplicativo é o seguro proteção para casos de danos a propriedade, entre outras. Uma vez ficamos sem fornecimento de água por parte da Manaus Ambiental e depois de interagirmos com o hóspede e a plataforma para solucionar a ocorrência, o hóspede foi encaminhado para um hotel sem precisar pagar nada por isso, tudo simples e rápido, através do app”, relata.

Segundo o próprio aplicativo, somente em 2016 foram arrecadados R$ 2 bilhões entre a renda dos anfitriões e o gasto dos hóspedes com turismo.

Já o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Amazonas – ABIH/AM, Roberto Bulbol, relata o impacto sofrido na economia tradicional, e enfatiza a concorrência desleal com o segmento.

“Nós quanto setor hoteleiro disponibilizamos aos nossos turistas qualidade e segurança nos nossos serviços, temos hotéis reconhecidos internacionalmente que em meio à crise econômica brasileira e a expansão de hospedagens oferecidas através da plataforma on line, tem perdido cada vez espaço, alguns destes até mesmo encerrando as atividades. Nós quando associação sabemos que os negócios digitais são uma realidade, porém defendemos a regularização deste serviço, visto que a concorrência é acirrada e desleal perante as empresas formais já que o aplicativo não paga tributos, disse.  

Ainda segundo Bulbol, o Amazonas possui mais 6 mil hotéis, estabelecimentos estes que fomentam a economia, oferecem um serviço de qualidade, mas que estão sob ameaça de encerramento. “Este segmento é organizado e fiscalizado, e por isso não podemos deixar que uma empresa atue no país sem pagar impostos, visto que essa atitude prejudica a economia de forma irreversível, principalmente no que tange o aumento do desemprego, pois ao encerrar as atividades, muitos funcionários são demitidos”, expõe o presidente.

 

Para o economista Juan Amorim, o avanço tecnológico é inevitável, pois a tendência é que cada vez mais estejamos dependentes dessas tecnologias. “Os negócios digitais são uma realidade e não temos como evitar. Trata-se de uma questão de sobrevivência das relações comerciais do mundo atual e devemos encarar isso como um caminho sem volta. Estamos totalmente conectados a um smartphone, notebook, etc.”, afirma

Ainda segundo Amorim, essa nova era econômica, veio para ficar, porém pode acarretar um grande impacto na economia convencional, fazendo com que empresas tradicionais, cheguem a falência caso resistam a esta nova perspectiva econômica.  

“Os negócios tradicionais devem abrir espaço para melhorias sob pena de sumirem, como ocorreu com as locadoras de vídeo e que pode acontecer com outras atividades. No Brasil, muitas atividades ainda estão resistindo às forças da modernidade muitas vezes subsidiadas pelo Estado para não gerarem desemprego em escala relevante, como na indústria automobilística; frentistas, agentes de check-in nos aeroportos, caixas de supermercados, agentes de viagens, entre outras profissões”, comenta o economista. 

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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