Além do Plano Safra

Em: 14 de junho de 2013
O Plano Agrícola e Pecuário 2013-2014, o Plano Safra, lançado pelo governo federal este mês, deve ser motivo , como o foi, de comemoração por parte do setor primário
O Plano Agrícola e Pecuário 2013-2014, o Plano Safra, lançado pelo governo federal este mês, deve ser motivo , como o foi, de comemoração por parte do setor primário

O Plano Agrícola e Pecuário 2013-2014, o Plano Safra, lançado pelo governo federal este mês, deve ser motivo , como o foi, de comemoração por parte do setor primário. No entanto, a agropecuária amazonense carece de iniciativas que estão além desses recursos, como acesso a informação científica, mecanização e insumos capazes de corrigir e tornar o solo amazônico mais produtivo, como a utilização de calcário e NPK.
Devido ao difícil acesso a esses produtos e equipamentos, a agricultura e a pecuária se arrastam com baixa produtividade, pouca qualidade e, produção insuficiente para atender Manaus e o restante do Estado, fato que obriga o comércio a adquirir principalmente frutas, verduras e legumes em outros Estados, que chegam ao amazonas com preços embutidos de fretes, seguros e outros custos e, com pouco tempo para comercialização.
Problemas como esses só serão solucionados com a utilização de um novo sistema de produção . Não mais o velho sistema que aniquila a floresta, com as derrubadas da mata seguidas de queimadas. Sem querer sacrificar ninguém, esse processo soluciona de forma imediata as necessidades do produtor rural, mas deixa para trás danos irreparáveis ao meio ambiente, torna a terra com poucos nutrientes, torna rotativo o sistema de lavoura, porque o produtor depois de uma ou duas safras é obrigado a mudar de terreno, fato que torna suas áreas, de utilização em terra-firme, cada vez mais distantes, dificultando e encarecendo a sua produção.
É claro que o setor rural não se desenvolveu a ponto de acompanhar a evolução do mercado amazonense, apenas pelo sistema empregado na lavoura. Soma a isso, problemas como altos custos para aquisição de insumos como o calcário e o NPK (nitrogênio, fósforo e potássio) por exemplo. Desses produtos, há na região imensas jazidas que ao longo dos anos não receberam a devida atenção, mas que neste momento, devido ao já volumoso mercado no Estado, só na região metropolitana de Manaus são mais de dois milhões de pessoas, se faz necessário novas posturas de nossos governantes.
Nos últimos anos, o governo amazonense vem demonstrando interesse particularmente em solucionar dois grandes gargalos: a demanda de calcário, que é suprida por Estados como Mato Grosso e Ceará, e que chegam a Manaus com preços altíssimos, problema que seria solucionado com a exploração da mina do rio Jatapu, no município de Urucará e a exploração de silvinita, da qual é retirado o cloreto de potássio, um dos componentes do NPK.
Para completar o NPK amazonense, o governo vislumbra a possibilidade de retirar do gás natural o nitrogênio. O fósforo poderá comprar de outros Estados, mas muitos apostam na extração desse minério na região de Apuí. O certo é que produtos como farinha de mandioca, banana, melancia, feijão, verduras, legumes e outros alimentos da dieta amazonense só terão melhor qualidade e preços acessíveis no momento em que houver o encontro de disponibilidade de recursos, com acesso a novas técnicas de cultivo da terra, mecanização e insumos de fácil acesso ao produtor.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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