Aliança com Serafim traz vantagens a Alfredo

Em: 26 de abril de 2010
Diante da indefinição de DEM e PSDB, Serafim Corrêa vê sua cotação aumentar e pode retomar aliança com Alfredo Nascimento
Diante da indefinição de DEM e PSDB, Serafim Corrêa vê sua cotação aumentar e pode retomar aliança com Alfredo Nascimento

A retirada do nome do candidato do PSB à presidência da República, Ciro Gomes, e o silêncio dos aliados naturais DEM e PSDB sobre sua candidatura, estão empurrando definitivamente Serafim Corrêa (PSB) para o lado de Alfredo Nascimento (PR) e o presidente Lula (PT). Serafim, que ganhou musculatura eleitoral após percorrer discretamente o interior do Amazonas durante todo o ano passado, já colhe os frutos do trabalho e foi citado, na última pesquisa de opinião, como o terceiro nome preferido para o cargo de governador nas próximas eleições.
Com 23% das intenções de voto no Estado, Serafim Corrêa deixa de ser o candidato isolado, que muitos criticavam nestas eleições, para ser disputado pelos pretendentes ao governo. Diante da inércia dos aliados declarados, DEM e PSDB, que sinalizaram, desde o ano passado, para repetir a coligação de 2008, mas, até o momento, vinham fugindo da definição do nome de Serafim Corrêa para cabeça de chapa, o socialista se tornou mais flexível nas negociações e já acena com a possibilidade de retomar a aliança com Alfredo Nascimento (PR).
A aliança entre PSB e PR já começou a gerar polêmica, ao receber críticas do prefeito Amazonino Mendes (PTB) e causar desconforto no PT estadual, mas se torna uma opção favorável, na medida em que ganha mais votos e atrai aliados de peso à sua campanha.
Segundo o deputado federal Marcelo Serafim (PSB), o PR foi oficialmente incluído entre os partidos que podem fechar com o PSB. “Não excluímos ninguém. Continuamos as conversas com o DEM e com o senador Arthur Virgílio (PSDB), mas temos possibilidades com o ministro Alfredo Nascimento também. Nada está descartado. Nossa intenção é fortalecer o partido e conquistar vitórias” afirmou.
Para o deputado, o nome de Serafim é forte, principalmente em Manaus, por isso, o PSB não vai entrar em negociações com o PR apenas para indicar nome para a vaga de vice, mas para debater as possibilidades e potencial dos nomes que se destacam nos dois partidos. “Temos condições de entrar em uma negociação, não só para indicar um vice, mas para indicar a cabeça de chapa também”, revelou.
Abandonado pelos antigos aliados em 2008 e mesmo lutando contra as três maiores lideranças do Estado, atualmente (Eduardo Braga, Omar Aziz e Alfredo Nascimento) ainda obteve 371.845 votos em Manaus, tornando-se, assim, uma das figuras mais assediadas nesta corrida eleitoral.

Parceria pode duplicar votação de Alfredo

Segundo pesquisas, o senador Alfredo Nascimento surge como mais votado no interior do Amazonas, com uma média de 36% das intenções de votos, liderando a corrida eleitoral. Se confirmado a formação da chapa PR-PSB, com Serafim Corrêa como candidato a vice-governador, Alfredo ganharia a possibilidade de liquidar as eleições ainda no 1º turno, já que Serafim possui, até agora, 23% das intenções de votos, com tendência para o crescimento. Segundo Marcelo Serafim, a coligação seria forte, atraindo ainda o poder do PT, PDT, PSL, PTdoB e PSDC. “Vamos decidir a partir das negociações com todos os partidos, principalmente com os que sempre apoiamos”.
O Amazonas possui 62 municípios, com aproximadamente 1,9 milhão de eleitores, sendo que 44% da população que vota está concentrada no interior (869,6 mil) e 56% (1,090 milhão) em Manaus, segundo o TRE (Tribunal Regional Eleitoral). “O PSB realizou uma pesquisa que aponta Serafim Corrêa em primeiro lugar nas intenções de votos na capital e em segundo lugar no interior. Essa mesma pesquisa aponta o senador Alfredo Nascimento em primeiro lugar no interior e em segundo em Manaus”, disse Marcelo Serafim, apresentando números de uma pesquisa realizada no mês passado e que não foi divulgada por não ter sido registrada.
Na prática, a aliança entre socialistas e republicanos traria mais vantagens do que perdas para Alfredo. Com relação ao desgosto público do prefeito Amazonino quanto a essa reaproximação, o senador não perde praticamente nada, já que, oficialmente, o PTB tende a apoiar o governador do Estado, Omar Aziz, como já declarou o presidente da sigla no Estado, o deputado federal Sabino Castelo Branco. Mesmo com as críticas do PT a esta possível coligação, a tendência é que o partido do presidente Lula apóie o PR de Alfredo, oficialmente, apesar de parte do elenco querer correr para o lado de Omar Aziz (PMN), assim como o PCdoB, também intenciona.
Serafim Corrêa obteve quase 400 mil votos só em Manaus, quando concorreu à reeleição para a prefeitura em 2008. Para o ex-prefeito, sua derrota ocorreu também por conta da falta de apoio dos que antes faziam parte de seu governo, como o PR, PCdoB e PT. Em comparação com o saldo de votos do ex-governador Eduardo Braga, que se reelegeu em 2006 com 687.912 votos, Serafim é mais do que uma possibilidade, é vantajoso o suficiente para superar qualquer crise entre partidos. É o que avalia Alfredo Nascimento. Pelo lado do PSB, a aliança também traz vantagens, pois o partido passa a apoiar os candidatos de Lula, que é o maior líder político do País, com chances reais de vitórias, podendo ainda alavancar a candidatura de membros do partido, que vão concorrer a vagas na ALE (Assembléia Legislativa do Amazonas), Câmara Federal e Senado. O PSB deve retirar a candidatura do deputado federal Ciro Gomes, nesta terça-feira, de forma oficial.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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