Após quatro reajustes no preço da celulose, só em 2010, o mercado anuncia mais um provável aumento da matéria-prima, principal insumo na fabricação de papel e papelão. A expectativa do quinto aumento, que deve ser anunciado no próximo mês, foi alimentada pela alta de US$ 30 por tonelada, válida a partir de 1º de maio, divulgado na primeira semana de abril pela sueca Södra.
Tradicionalmente, as fabricantes brasileiras acompanham os movimentos de preço das fibras produzidas no Hemisfério Norte. As indústrias de papel e papelão do PIM (Pplo Industrial de Manaus) estão em plena retomada após a crise e devem repassar as margens para o produto final, pois ainda buscam a recuperação do setor dos efeitos da crise, no ano passado.
Segundo os indicadores de desempenho do Polo Industrial de Manaus o faturamento das indústrias de papel e papelão no primeiro bimestre de 2010 em relação ao mesmo período do ano passado foi de alta de 33,18%. Quando se compara 2009 a 2008, o resultado é de baixa de 32,82%. Conforme as lideranças ouvidas pelo Jornal do Commercio, a isenção do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), incentivo dado pelo Governo do Estado, e a retomada do mercado após a crise dão uma visão promissora para toda a indústria e, principalmente, a de embalagens. A expectativa é que o desempenho do segmento de papel e papelão retome as condições do período pré-crise.
Para o presidente do Sindigraf (Sindicato das Indústrias Gráficas do Amazonas), Roberto Caminha Filho, o momento é de otimismo. “A crise diminuiu e os preços tendem a se estabilizar em patamares pré-crise. Esse aumento impacta apenas em alguns setores, como o de embalagens, que está em plena retomada. Mas, o repasse ao consumidor depende muito das outras indústrias que precisam das embalagens. Se elas possuem apenas um fornecedor, terão dificuldades de negociar os preços. Caso contrário, será mais fácil uma negociação”, ponderou o presidente.
“O aumento desse insumo encarece o setor de embalagens do PIM, principalmente para o polo duas rodas. Mas, a partir do momento em que as outras empresas avançam, elas precisam de embalagens, então esse setor também cresce”, acrescentou o diretor executivo da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Flávio Dutra. As fábricas de papel e de papelão do PIM são responsáveis por 80% da demanda de embalagens de todo o polo.
Papel higiênico
Se no segmento de embalagens o repasse ao consumidor é uma incógnita, o mesmo não pode ser dito do papel higiênico, que sinaliza continuar no mesmo preço, em função da oferta e da demanda, que não foi afetada. “Nossas fábricas estão em plena produção de 40 toneladas por dia de papel sanitário, mas não fazemos nenhum repasse há pelo menos um ano. Devido a essa alta, iniciamos um estudo para saber quanto iremos repassar ao consumidor final, mas com certeza será abaixo da inflação. Devido ao aumento de poder de compra das classes mais baixas, houve um aumento no consumo de papel higiênico, por isso não fomos tão afetados”, comemorou o diretor industrial da Bipacel, Tocandira Benaion.
Terremoto no Chile aumenta custo da matéria-prima
Os estoques globais de celulose estão em baixa e a demanda segue crescente, com a recuperação da Europa e dos Estados Unidos, além da forte procura da China, e, ainda, a suspensão de fornecimento das fábricas de celulose no Chile justificam a escalada dos preços da celulose no mercado internacional. O terremoto no Chile, no final de fevereiro, prejudicou a produção de celulose do país, que representa quase 8% da oferta global de celulose. Desde que a cotação chegou ao fundo do poço no primeiro trimestre de 2009, os preços da matéria-prima tiveram uma recuperação vertiginosa. O aumento no preço da celulose deve ter continuidade, mas não com tanta freqüência. As usinas de papel e celulose chilenas estão gradualmente voltando à produção e 80% da capacidade produtiva de celulose que é destinada ao mercado deverá estar normalizada até meados de maio.
Mercado brasileiro
O mais recente aumento no mercado brasileiro, de US$ 50 por tonelada, passou a valer desde 1º de abril e levou o preço de referência na Europa a US$ 840 por tonelada, na América do Norte a US$ 870 e na Ásia a US$ 800 a tonelada. Entre janeiro e março, foram outros três reajustes, de US$ 30 por tonelada. De acordo com analistas, os sucessivos aumentos estão pressionando as produtoras de papel e papelão a repassar os custos com a matéria-prima para seus produtos.
Caso acompanhem o anúncio da Södra, os preços da celulose de fibra curta (que inclui a de eucalipto, produzida por empresas como Fibria e Suzano Papel e Celulose) poderão alcançar US$ 900 por tonelada na América do Norte, US$ 870 na Europa e US$ 830 na Ásia. As duas companhias brasileiras estão entre as maiores produtoras mundiais de celulose branqueada de eucalipto.
No mercado brasileiro, o setor constata expansão da demanda. O volume de celulose negociado em fevereiro somou 120 mil toneladas, alta de 26,3% sobre fevereiro de 2009. No acumulado do primeiro bimestre, o indicador cresceu 33,9% sobre o mesmo intervalo do ano passado, para 249 mil toneladas.







