Alta de juros preocupa lideranças

Em: 31 de outubro de 2014
Lideranças empresariais avaliam que taxa Selic a 11,25% pode causar desemprego
Lideranças empresariais avaliam que taxa Selic a 11,25% pode causar desemprego

A elevação da taxa de juros para 11,25% surpreendeu as lideranças econômicas e setores produtivos amazonenses que esperavam a manutenção da taxa, que girava em 11%. A medida foi tomada pelo Copom (Comitê de Política Monetária) em sua primeira reunião após a reeleição da presidente Dilma Rousseff. Temendo desemprego e queda no consumo, as entidades comerciais e do setor produtivo, dizem não entender a medida e cobram uma nova política econômica.
A decisão do BC (Banco Central) anunciada na última quarta-feira (29), levou a taxa de juros ao maior patamar desde o fim de 2011 e acontece em um momento crítico para atividade econômica, podendo causar estragos já no início de 2015, conta o presidente da ACA (Associação Comercial do Amazonas) Ismael Bicharra. “Não havia nada vindo do BC que mostrasse que isso iria acontecer. O empresariado e os consumidores serão afetados de imediato. O baixo consumo vem colado ao aumento dos juros, com isso, haverá ainda mais desaquecimento e consequentemente menos contratações ao iniciar 2015,” disse.

Incerteza
A incerteza que paira sobre a economia pede uma reforma econômica urgente, continua Bicharra, que acredita que o governo perdeu o rumo. “No momento se discute reforma política, quando o que precisamos, é de uma nova política econômica. O governo federal deve repensar seus valores e apoiar mais o empresariado do país. Mais difícil ainda, será explicar para os pequenos empresários que representam dois terços dos empregos gerados no país, estes serão mais penalizados”, resume Bicharra.
O efeito cascata começando com menos PIB (Produto Interno Bruto), menos consumo e mais desemprego, é esperado e atinge diretamente todas as operações movidas a crédito. Para o presidente do Corecon-Am (Conselho Regional de Economia do Amazonas) Marcus Evangelista, as medidas são equivocadas e a equipe econômica deveria ter estudado mais antes de tomar qualquer decisão.
“Não se combate inflação reduzindo o consumo e é isso que quer dizer essa medida equivocada, os efeitos serão desastrosos. O país será tomado pela desconfiança dos investidores. Lembrando que a equipe econômica na campanha eleitoral dizia ter a inflação sob controle e agora mundam a estratégia de combate à inflação. Agora todos sabem que nada está tão bem, quanto se dizia,” disse Evangelista.

Medidas menos drásticas
Elencando uma série de medidas menos drásticas, o presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas) Wilson Périco, espera uma revisão urgente do governo. “Se o foco é atingir a inflação, o governo federal deveria se preocupar em reduzir o gasto público, revisar a carga tributária e reforçar a política de investimentos, aumentando a competitividade. A elevação da taxa Selic não deveria ser tomada como a única solução”, disse Périco.
Para o presidente do Cieam, a medida do BC força empresas e indústrias a aumentar seus gastos. “Todos serão obrigados a repensar suas políticas de captação de investimentos, que diminuirão bastante. O governo federal precisa urgente de uma nova visão, para evitar que o país viva novamente uma recessão”, conta.
No PIM (Polo Industrial de Manaus), na construção civil e no setor primário a tendência será de queda na produção. “Se a taxa Selic sobe, menos dinheiro é posto em circulação e menos produtos e serviços são comprados. O enfraquecimento da economia fica evidente”, lembra Evangelista.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Pesquisar