O clima nebuloso da crise econômica internacional não impediu que determinadas linhas de produtos, que vinham em forte expansão no PIM (Polo Industrial de Manaus), continuassem em alta em janeiro, a exemplo dos televisores da nova geração tecnológica. A produção de TVS de LCD (cristal líquido) passou de 109,52 mil para 244,10 mil no mesmo período analisado de 2008, apresentando uma alta de 122,87%. A produção de TVs com tela de plasma aumentou 134,56%, passou de 10,87 mil para 25,51 mil unidades, com vendas chegando a 36,16 mil em janeiro desse ano se comparado a igual período do ano passado.
A alta também ocorreu no faturamento desses televisores. No caso dos LCD, os indicadores da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus) apontam que as fabricantes desse produto faturaram US$ 128.14 milhões em janeiro ante aos US$ 71.61 milhões obtidos em igual mês de 2008, o que representa um incremento de 78,9%. No caso dos televisores com tela plana o incremento foi de 79,1%, com o faturamento saltando de US$ 14.24 milhões para US$ 25.51 milhões entre um período e o outro.
Ao avaliar a boa performance das TVS de LCD e plasma, o presidente do Sinaees (Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares de Manaus), Wilson Périco, disse que, sem dúvida, é um número positivo, mas isso não significa que outros produtos do segmento eletroeletrônico não estejam sendo prejudicados com a crise. “Em linhas gerais, existem outras linhas de produção que estão caindo e que, se não receberem uma maior atenção do poder público, correm sérios riscos de sofrer retração, a exemplo do que está acontecendo com o setor de duas rodas”, comentou o dirigente.
Embora o segmento de TVs de LCD e plasma venham se mantendo em alta, os indicadores apontam queda de 11,91% na produção de televisor em cores em janeiro deste ano quando o setor fabricou 408,16 mil unidades do produto contra 463,34 mil unidades em janeiro de 2008. A queda foi maior das TVs convencionais, de tubos de imagens, cuja produção encolheu no primeiro mês de 2009 para 171,87 mil unidades contra 484,79 mil unidades em janeiro do ano passado, o que representa baixa de 64,55%. Pelos cálculos da Eletros (Associação Nacional dos Fabricantes de Eletroeletrônicos) a produção anual de televisores de tubos catódicos deve ficar em 5 milhões de unidades.
O presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Maurício Loureiro, explicou que embora o segmento de TV tenha sofrido queda em janeiro, os aparelhos de LCD e plasma apresentaram forte crescimento porque a tecnologia vai tomando espaço resultando numa maior procura por parte do mercado. Segundo o dirigente, o resultado indica que o consumidor está preferindo novas tecnologias com alta definição, fina, plana, usadas na parede ou em móvel e que possam estar integradas ao novo sistema de TV digital. “Daqui há dois meses deve ser lançado no Amazonas o novo sistema, conforme cronograma do Ministério das Comunicações”, disse.
Falta de crédito é principal fator da crise
Ao avaliar o atual cenário econômico, Loureiro disse que a crise global que afetou o país tem três vieses: um de insegurança por parte de quem está empregado; outro ocasionado pelo desemprego que está a olhos vistos e que em São Paulo e Manaus não foi diferente do resto do mundo, com demissões recordes no primeiro bimestre de 2009.
O terceiro ponto apresentando pelo dirigente foi a falta de crédito para consumo nos bancos oficiais a exemplo do Banco do Brasil, Banco da Amazônia e Caixa Econômica. “Se esses bancos fizessem empréstimos a juros razoáveis, forçava os bancos privados a baixar suas taxas de juros”, disse Loureiro, ressaltando que o governo federal poderia lançar mão do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) para subsidiar crédito aos bancos oficiais. Se fizesse isso e lançasse uma linha de R$ 10 bilhões, movimentaria dinheiro no mercado, geraria emprego e alavancaria o consumo que está encolhido.







