Alta do dióxido de titânio reflete na produção das indústrias

Em: 12 de agosto de 2008
Pressões externas não deixaram outra alternativa, senão impor imediatamente terceiro reajuste do ano, comprometendo desempenho das indústrias
Pressões externas não deixaram outra alternativa, senão impor imediatamente terceiro reajuste do ano, comprometendo desempenho das indústrias

As indústrias químicas confirmaram, no início da semana passada, o novo aumento no preço do dióxido de titânio numa tentativa de acompanhar a alta dos custos de energia elétrica e matéria-prima (commodity) no mercado internacional. Com o reajuste, efetivado no início deste mês, o produto salta de aproximadamente US$ 135 para US$ 150 por tonelada métrica.
Em entrevista exclusiva para o Jornal do Commercio, o diretor comercial global da DuPont Titanium Technologies, Ian Edwards, disse não haver como segurar os preços atuais para os revestimentos, plásticos, especialidades, papel e laminados de todos os graus de dióxido de titânio, que irão aumentar em pelo menos US$ 150 por tonelada métrica na América Latina. “Enquanto a demanda pelo dióxido permanecer forte, nossos custos, desde a matéria-prima até a energia e serviços para reinvestir nos ativos da produção, estão em níveis historicamente elevados e continuam a subir”, disse.

Setores industriais

Apesar de saber que o anúncio do aumento da principal matéria-prima para os setores de papel e termoplastia causaria certo desconforto nos setores industriais que utilizam o dióxido de titânio, Edwards explicou que as pressões dos mercados internacionais não deixaram outra alternativa senão impor imediatamente o terceiro reajuste de preços só neste ano. “Devido à atual volatilidade e imprevisibilidade dos custos dos insumos, os contratos estão agora sendo renegociados para permitir uma resposta mais oportuna a estes fatores externos”, declarou.
Mas para o presidente do Sinplast (Sindicato das Indústrias de Materiais Plásticos de Manaus), Ulisses Tapajós, a concretização de um terceiro aumento no preço das resinas termo­plásticas, cuja alta média já acumula praticamente 20% no ano, vai prejudicar ainda mais o desempenho financeiro das indústrias locais, impedidas de repassar os reajustes para o produto final para não perder participação de mercado. “Para os termoplásticos, esses constantes reajustes no preço das resinas têm sido dramáticos para a cadeia produtiva local”, explicou

Faturamento estimado para o setor de termoplástico é de R$ 500 mi

Para Ulisses, “se, por um lado, repassarmos a alta para o produto final, por outro, estimulamos o aumento das importações de peças plásticas chinesas sob a forma de produtos acabados”, frisou o executivo, acrescentando que o faturamento esperado pelos termoplásticos para este ano gira em torno de aproximadamente R$ 500 milhões, embora o setor projete perdas de 5% sobre esse faturamento, significando algo em torno de R$ 25 milhões.
O temor do Sinplast tem fundamento, já que, apesar de sofrer com três reajustes de preços, as importações brasileiras de resinas termoplásticas cresceram 60,7% no primeiro semestre em relação ao mesmo período do ano passado e chegaram a 521,7 mil toneladas, de acordo com dados divulgados pela Abiquim (Associação Brasileira da Indústria Química). As importações ajudaram a sustentar o aumento do consumo dos produtos dentro do mercado brasileiro. Ainda segundo a Abiquim, entre janeiro e junho deste ano, o país consumiu 2,4 milhões de toneladas em resinas termoplásticas, volume 13,5% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Por outro lado, a indústria nacional também abasteceu o mercado doméstico, mas houve queda de 6,6% na produção, afetada por paradas de petroquímicas nacionais para manutenção. Manaus é o quinto maior mercado consumidor de resinas termo­plásticas no país.
Para o diretor industrial Paulo Vinazzi, além do reajuste do sulfato de zinco (US$ 1.85 mil por tonelada) no início deste mês, a nova alta no dióxido de titânio influenciará diretamente no preço final de produtos como papel para fax e offset, além de impactar na indústria gráfica com a majoração de valores na impressão. “O momento é de instabilidade tanto para a termoplastia quanto para os papeleiros, por isso, consideramos temerosa qualquer estimativa positiva acima de 5% no faturamento sobre o cálculo inicial de expansão da receita do setor para este ano”, asseverou o executivo.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Pesquisar