As indústrias químicas confirmaram, no início da semana passada, o novo aumento no preço do dióxido de titânio numa tentativa de acompanhar a alta dos custos de energia elétrica e matéria-prima (commodity) no mercado internacional. Com o reajuste, efetivado no início deste mês, o produto salta de aproximadamente US$ 135 para US$ 150 por tonelada métrica.
Em entrevista exclusiva para o Jornal do Commercio, o diretor comercial global da DuPont Titanium Technologies, Ian Edwards, disse não haver como segurar os preços atuais para os revestimentos, plásticos, especialidades, papel e laminados de todos os graus de dióxido de titânio, que irão aumentar em pelo menos US$ 150 por tonelada métrica na América Latina. “Enquanto a demanda pelo dióxido permanecer forte, nossos custos, desde a matéria-prima até a energia e serviços para reinvestir nos ativos da produção, estão em níveis historicamente elevados e continuam a subir”, disse.
Setores industriais
Apesar de saber que o anúncio do aumento da principal matéria-prima para os setores de papel e termoplastia causaria certo desconforto nos setores industriais que utilizam o dióxido de titânio, Edwards explicou que as pressões dos mercados internacionais não deixaram outra alternativa senão impor imediatamente o terceiro reajuste de preços só neste ano. “Devido à atual volatilidade e imprevisibilidade dos custos dos insumos, os contratos estão agora sendo renegociados para permitir uma resposta mais oportuna a estes fatores externos”, declarou.
Mas para o presidente do Sinplast (Sindicato das Indústrias de Materiais Plásticos de Manaus), Ulisses Tapajós, a concretização de um terceiro aumento no preço das resinas termoplásticas, cuja alta média já acumula praticamente 20% no ano, vai prejudicar ainda mais o desempenho financeiro das indústrias locais, impedidas de repassar os reajustes para o produto final para não perder participação de mercado. “Para os termoplásticos, esses constantes reajustes no preço das resinas têm sido dramáticos para a cadeia produtiva local”, explicou
Faturamento estimado para o setor de termoplástico é de R$ 500 mi
Para Ulisses, “se, por um lado, repassarmos a alta para o produto final, por outro, estimulamos o aumento das importações de peças plásticas chinesas sob a forma de produtos acabados”, frisou o executivo, acrescentando que o faturamento esperado pelos termoplásticos para este ano gira em torno de aproximadamente R$ 500 milhões, embora o setor projete perdas de 5% sobre esse faturamento, significando algo em torno de R$ 25 milhões.
O temor do Sinplast tem fundamento, já que, apesar de sofrer com três reajustes de preços, as importações brasileiras de resinas termoplásticas cresceram 60,7% no primeiro semestre em relação ao mesmo período do ano passado e chegaram a 521,7 mil toneladas, de acordo com dados divulgados pela Abiquim (Associação Brasileira da Indústria Química). As importações ajudaram a sustentar o aumento do consumo dos produtos dentro do mercado brasileiro. Ainda segundo a Abiquim, entre janeiro e junho deste ano, o país consumiu 2,4 milhões de toneladas em resinas termoplásticas, volume 13,5% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Por outro lado, a indústria nacional também abasteceu o mercado doméstico, mas houve queda de 6,6% na produção, afetada por paradas de petroquímicas nacionais para manutenção. Manaus é o quinto maior mercado consumidor de resinas termoplásticas no país.
Para o diretor industrial Paulo Vinazzi, além do reajuste do sulfato de zinco (US$ 1.85 mil por tonelada) no início deste mês, a nova alta no dióxido de titânio influenciará diretamente no preço final de produtos como papel para fax e offset, além de impactar na indústria gráfica com a majoração de valores na impressão. “O momento é de instabilidade tanto para a termoplastia quanto para os papeleiros, por isso, consideramos temerosa qualquer estimativa positiva acima de 5% no faturamento sobre o cálculo inicial de expansão da receita do setor para este ano”, asseverou o executivo.






