Alta dos alimentos volta a assombrar setor de alimentação

Em: 22 de novembro de 2022

Se por um lado o segmento de alimentação fora do lar demonstra expectativas positivas em virtude dos eventos de fim de ano, por outro lado, um novo revés pode impactar as atividades dos estabelecimentos que atuam nesse mercado. Com a alta do IPCA ( Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) de  0,59% em outubro, uma possível crise econômica pode frear o desempenho do setor em meio ao aumento no valor dos alimentos.

Dados do IBGE apontam que a maior influência no índice geral veio do setor de Alimentação e bebidas, com crescimento de 0,72% e impacto de 0,16 ponto percentual no índice geral. Números que ameaçam bares e restaurantes. Em doze meses, a inflação acumulada chega a 6,47%, acima do teto da meta para 2022, de 5%. 

Os índices refletem na mais recente pesquisa nacional realizada pela Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) com 1.263 empresários de todos os estados do país entre os dias 26 de outubro e 5 de novembro. 

Impacto que pode acentuar ainda mais o segmento no Amazonas. Como o setor vive uma escalada na recuperação, o levantamento indica que cerca de 50% dos estabelecimentos ainda não conseguem reajustar conforme inflação,  26% fizeram aumentos abaixo da média nos últimos 12 meses e 24% não aumentaram o cardápio. Outros 41% só fizeram reajustes para acompanhar a inflação, e 8% conseguiram ajustar acima da média do período.

A pesquisa mostrou também que 46% do setor trabalha com lucro. Outros 9% tiveram prejuízo e 44% ficaram em equilíbrio. O endividamento também continua alto em relação aos tributos, 55% das empresas que estão no Simples Nacional têm a perspectiva de se desenquadrar do regime fiscal diferenciado se os limites não forem aumentados conforme a proposta que tramita na câmara. Outros 45% disseram que não seriam afetados pela mudança. Do total pesquisado, 79% das empresas hoje se encontram no Simples. Já 23% das empresas que estão no Simples Nacional estão em atraso com o pagamento de parcelas. Do total de empresas no regime fiscal, 40% disseram ter feito adesão ao relp, programa de reescalonamento de débitos.

O levantamento também foi realizado em relação a perspectiva de preparação do setor para a Copa do Mundo, 59% irão exibir os jogos no estabelecimento, 47% terão ambientação com tema de copa e 14% pretendem realizar eventos e cerca de 14% não irão promover nada relacionado ao evento esportivo. Já relacionado há estratégias, 90% criarão cardápios, pratos e petiscos com o tema, 67% farão campanhas com o tema em redes sociais, veículos de comunicação e de e-mail marketing, 40% criarão produtos com preços especiais para atrair clientes e 38% criarão pratos e drinks temáticos.

Para o presidente da Abrasel no Amazonas, Rodrigo Zamperlini, “Parte do setor já vive a expectativa da Copa do Mundo e dos eventos de fim de ano, que devem gerar aumento nas vendas e nas contratações. A inflação continua a impactar os resultados financeiros e dar sinais que continuará a nos rondar e será determinante para a manutenção desses empregos que serão criados sob o seu controle nos próximos meses”, afirma Zamperlini.

Ele lembrou que ainda é expressivo o número de estabelecimentos que operam com prejuízo (25%), reflexo provável do endividamento causado pela pandemia. 

Ao longo de 2022 as pesquisas falam por si. O panorama vem revelando que a situação econômica das empresas ainda não atingiram a total recuperação entre os desafios está justamente a instabilidade nos índices inflacionários  por dívidas em aberto como impostos e outras despesas. No primeiro semestre o setor enfrentava o aumento de custos dos insumos e tentavam driblar a alta, inclusive deixando de repassar para o cliente. 

Outros números

Em pesquisas anteriores, a inflação era o principal obstáculo para uma retomada mais rápida; os números indicavam que 65% dos estabelecimentos não conseguiam repassar aumento de custos; 38% dos respondentes dizem ter feito reajustes, mas abaixo da inflação oficial. Outros 27% não conseguiram reajustar o cardápio. Já 27% reajustaram somente para acompanhar a inflação e somente 8% dizem ter feito reajuste acima da inflação. Outros 67% dos que tiveram prejuízo citaram o aumento dos principais insumos (alimentos e bebidas) como um fator que contribuiu para o resultado negativo e entre os outros principais fatores citados estão custo com aluguel (56%), dívidas com empréstimos bancários (56%), dívidas com impostos (44%) e custo de energia (33%).

“Pela pesquisa realizada na época, fica claro que os empresários da alimentação fora do lar no Amazonas, além do peso da pandemia, refletido no endividamento do setor, também lidam com o desafio da inflação, o reajuste de preços nos cardápios sem afugentar o cliente e o comprometimento da margem de lucro”, enfatizou o presidente da entidade no Amazonas. 

Custos

A alta nos alimentos foi puxada pela alimentação no domicílio (0,80%), com batata-inglesa (23,36%) e tomate (17,63%) contribuindo, juntas, com 0,07 p.p do resultado total do mês. O grupo também registrou aumentos na cebola (9,31%) e nas frutas (3,56%). Na alimentação fora do domicílio, que cresceu 0,49%, o lanche desacelerou e saiu de 0,74% em setembro para 0,30% em outubro.

Por Andreia Leite

Andréia Leite

é repórter do Jornal do Commercio
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