A piora das expectativas de inflação trazida na pesquisa Focus, divulgada ontem pelo BC (Banco Central), deixa os investidores em futuros de juros atordoados. O relatório apresenta o efeito do debate sobre a transitoriedade ou não da pressão vinda dos alimentos, em um ambiente em que os preços das commodities agrícolas no exterior apontam que o movimento pode ter efeito doméstico mais perene e sem contar com o colchão do dólar, que sobe ante o real e pode não ajudar mais a atenuar o impacto das altas das commodities.
De acordo com a pesquisa Focus, a expectativa para o IPCA para 2011 subiu de 4,99% para 5,05%, enquanto o IPCA para 2010 avançou de 5,31% para 5,48%. “O IPCA vinha apresentando uma piora significativa nas coletas diárias da Fundação Getúlio Vargas, com alimentação subindo mais de 2%”, lembrou a economista Responsável pela ICAP Brasil, Inês Filipa, que, no entanto, destacou que esse comportamento tem que ser olhado com mais cautela, diante da volatilidade do grupo.
O mercado financeiro também elevou mais uma vez a previsão para os IGPs em 2011. A mediana das previsões para o IGP-DI no próximo ano teve elevação de 5,18% para 5,26%, ante 5,14% de um mês atrás. Para o IGP-M do ano que vem, a expectativa para o indicador avançou de 5,30% para 5,35%, ante 5,25% de um mês antes. Para 2010, as previsões também avançaram mais uma vez. Para o IGP-DI, a aposta subiu de 9,94% para 10,36% na 10ª elevação consecutiva. Já para o IGP-M, a previsão aumentou de 10,05% para 10,59% na 11ª elevação seguida.
Acompanhando a alta na expectativa da inflação, o mercado também elevou a projeção de alta dos juros em 2011, de 11,75% para 12%. Dessa forma, analistas apostam que o juro deve subir 1,25 ponto percentual no decorrer do primeiro ano do governo de Dilma Rousseff. A pesquisa Focus mostra que o ciclo de aperto monetário deve começar em abril, com um aumento de 0,50 ponto porcentual (para 11,25%). Depois, haveria nova elevação idêntica em junho, o que levaria a taxa para 11,75%. O ciclo terminaria em setembro, com aumento menor, de 0,25 ponto, o que levaria o juro para 12% ao ano.Para 2010, foi mantida a expectativa de que o juro não deve sofrer alteração e que, portanto, seguirá no atual patamar de 10,75% anuais na última decisão do ano, que acontece nos dias 7 e 8 de dezembro. Na mesma pesquisa, a expectativa para a Selic média no decorrer de 2011 foi mantida em 11,59%, ante 11,56% de um mês atrás. Para 2010, a previsão de juro médio seguiu em 10,03% pela 12ª semana seguida.
Já as previsões para o PIB se mantiveram estáveis tanto para 2010 quanto para 2011.
A mediana das apostas para a expansão da economia neste ano manteve-se em 7,60%.
Há um mês, a estimativa estava em 7,55%. Para 2011, foram repetidos os números que apontam crescimento do PIB de 4,50%, cenário mantido pela 49ª semana consecutiva.
A aposta de crescimento do setor industrial em 2010 cedeu de 11,12% para 11,07%, na sexta redução consecutiva da previsão, que estava em 11,30% há um mês.
Para 2011, a previsão de crescimento do setor industrial manteve-se em 5,25%, ante 5,20% observados há um mês.
O levantamento do BC também mostra que a mediana das previsões para a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB em 2010 caiu de 40,89% para 40,55%.
Para 2011, o número também recuou, de 39,64% para 39,60%. Há um mês, analistas previam 40,94% para 2010 e 39,67% para 2011.
Juros futuros – A curva futura de juros já mostrou avanço significativo nas taxas projetadas na semana passada e abre esta semana mais curtas, vendo os dados diários de inflação e um ambiente externo defensivo.
No exterior, a Coreia do Sul elevou as taxas básicas de juros pela primeira vez em quatro meses, buscando controlar as pressões inflacionárias numa economia em rápida recuperação.
O comitê de política monetária do banco decidiu por unanimidade elevar a taxa básica de juros em 0,25 ponto porcentual, para 2,5%. Mas a China não anunciou nenhum aperto monetário ainda como o mercado especulou no final da semana passada. Mas a expectativa de uma elevação continua.
Na sexta-feira passada, ao término da sessão estendida, o DI de julho de 2011 estava em 11,03%, de 10,96% na sexta-feira anterior.
O DI de janeiro 2012 situava-se em 11,53%, de 11,47% na sexta-feira anterior, enquanto o DI janeiro 2013 foi a 11,94%, de 11,88% uma semana antes, enquanto o DI de abril 2011 mudou pouco e terminou em 10,75%, de 10,74%.
Alta nas previsões do IPCA atordoa mercado de juros
Em: 17 de novembro de 2010
A piora das expectativas de inflação trazida na pesquisa Focus, divulgada ontem pelo BC (Banco Central), deixa os investidores em futuros de juros atordoados
Redação
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