O Amazonas representa hoje 20% do mercado de guaraná no país. O Estado, que já foi líder da produção nacional até a década de 80, sofreu com doenças e pragas na plantação que não afetam outras regiões e hoje vê a Bahia liderar o mercado com 70% da produção. No entanto, com 2.500 hectares plantados que devem entrar em produção nos próximos 2 anos e com o melhoramento genético de novas cultivares o Estado busca recuperar seu antigo posto
No Amazonas temos atualmente 4,2 mil hectares produzindo contra 6,5 mil hectares da Bahia. Com os novos hectares de plantas a área de produção do Amazonas irá para 6,7 mil hectares. Segundo o pesquisador e chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa-Amazônia Ocidental, André Atroch, responsável pelas pesquisas com o guaraná, a expectativa é de que em 5 anos o mercado amazonense consiga disputar a liderança no mercado com a Bahia. Atualmente o Amazonas produz em média 880 toneladas por ano, contra 2,5 mil toneladas da Bahia.
“Quando começamos o trabalho em 1999, esperávamos um horizonte de 20 anos para recuperar essa produção. Mas com o que esta armado, com esses hectares plantados, 2 mil hectares de material novo que vai entrar em alta produção com técnicas novas, isso aí a gente considera que em 5 anos consegue reverter esse domínio que o guaraná perdeu pra Bahia”.
Porém, André Atroch explica que na Bahia são produzidos em média 400 quilos por hectares, enquanto aqui essa produção fica entre 100 e 200 quilos. Hoje apenas 30% do que é produzido no Estado utiliza a tecnologia da Embrapa que visa otimizar a produção. “Na Bahia não existem as doenças que temos aqui e o guaraná lá é produzido sem precisar ser geneticamente melhorado. Essas doenças são controladas aqui por meio das barreiras genéticas que lançamos todos os anos. Por isso lançamos tantos produtos”, alerta.
O pesquisador afirma que em alguns lugares como Presidente Figueiredo já existem plantações que conseguem apresentar alta produtividade e atingir os 400 quilos de produção. “Tem como fazer, temos plantios em Presidente Figueiredo que são uma vitrine tecnológica que adotam todas recomendações, que tem alta produtividade e chegam a 400 quilos. São áreas grandes”, conta.
Novas cultivares ampliam produção em 30%
A Embrapa lança hoje duas novas cultivares a BRS Saterê e a BRS Marabitana. Ambas ficarão localizadas na Fazenda Rancho Grande, no município de Itacoatiara. As novas cultivares apresentam alta produtividade e resistência a doenças e estão sendo recomendadas para plantio como forma de aumentar a barreira à antracnose, principal doença do guaranazeiro no Amazonas. A expectativa é de que elas aumentem a produção em torno de 30%, levando o estado a uma média de produção de 1.200 toneladas.
Além disso, o pesquisador trabalha com a ideia de um crescimento de 10% ano nas áreas plantadas e produção. “Demora dois anos após a plantação para começar a produzir. Vemos esse crescimento de 10% ao ano tanto em produção quanto em produtividade”, conta.
André ressalta que Itacoatiara está entre os municípios que ficaram um longo período sem produzir e estão voltando ao mercado agora. “Itacoatiara passou um tempo sem despertar para o guaraná e agora temos já algumas propriedades, incentivadas pela própria prefeitura que estão interessados em tentar voltar ao mercado”. Há em torno de 200 hectares plantados na cidade.
Além de Itacoatiara, Presidente Figueiredo, Apuí, que possui hoje 100 hectares, e Maués, responsável por 80% da produção do estado, estão entre os municípios que possuem novas áreas de plantio que ainda irão iniciar a produção. Urucará, Boa Vista, Barreirinha, Parintins e Coari são as outras cidades produtoras no Estado.






