A venda de veículos automotores no Amazonas emendou seu segundo mês de alta em agosto. O desempenho do Estado seguiu na contramão do Brasil, que amargou números negativos no mesmo período. A conclusão vem da análise dos dados disponíveis no site da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores).
O total de veículos vendidos no Amazonas em agosto (5.199 unidades) ficou 7,15% acima do apresentado em junho de 2019 (4.852) e foi 8,20% maior do que o número de agosto de 2018 (4.805). Em oito meses,acumularam expansão de 14,08%, passando de 31.036 (2018) para 35.407 unidades (2019).As vendas levam em conta todos os tipos e veículos: automóveis convencionais, comerciais leves, caminhões, ônibus e motocicletas.
Em sentido inverso, as 347.091 unidades vendidas pelas concessionárias brasileiras em agosto tiraram 0,67% da média nacional no confronto com julho de 2019 (349.432), e 1,5% na comparação com agosto de 2018 (352.393). O Brasil saiu-se melhor no acumulado (+11,27%) que ainda assim teve índice abaixo do registrado no Amazonas. Foram 2.615.519 unidades emplacadas ao longo de 2019 – contra 2.350.624 nos oito meses iniciais de 2018.
Das sete categorias listadas pela Fenabrave, apenas uma deu marcha a ré entre julho e agosto, justamente a majoritária: automóveis (-1,58%). No confronto com agosto de 2018, o único dado negativo veio da categoria “outros” (-28,57%). No acumulado, todos os segmentos se seguraram no azul. Implementos rodoviários registraram o melhor desempenho nas três comparações. Em segundo lugar vieram, respectivamente, comerciais leves (+39,72%), ônibus (+109,52%) e caminhões (+77,41%).
Apesar da retração, a categoria de automóveis convencionais segue com o maior número absoluto das vendas em agosto (2.364) e no acumulado (16.868), embora sua fatia no bolo tenha voltado a cair. As motocicletas (1.618) despontam em segundo lugar – 1.856 em agosto e 13.015 em oito meses –, e aumentaram a participação. Juntamente com a categoria “outros”, ônibus ficaram em último lugar, tanto no mês passado (44 unidades), quanto no acumulado (197).
Usados e seminovos
Os números foram positivos tanto para o segmento de automóveis zero quilômetro, quanto para os usados e seminovos. Na empresa Daniel Veículos, que trabalha com as três categorias, a variação mensal entre junho e julho foi de 20% e o resultado de 12 meses apontou para crescimento de quase 50%, embora o saldo de agosto não tenha sido tão positivo.
"Em agosto, tivemos uma leve melhora em relação ao mesmo mês do ano de 2018. Podemos creditar à recuperação da indústria e ao aquecimento na venda de caminhões. Estamos bem satisfeitos com a melhora nas vendas do acumulado do ano e creditamos isso à queda dos juros dos financiamentos bancários, uma vez que 75% dos veículos vendidos em nossa empresa são por meio de financiamentos junto aos bancos", comentou o administrativo da Daniel Veículos, Yuri Barbosa.
A expectativa da concessionária, segundo o executivo, é que o mercado de revenda de veículos aqueça significativamente de setembro em diante, já que as vendas de seminovos aumentam no terceiro e quatro trimestres. "Com essa redução de juros, selic mais baixa e taxas de desemprego caindo, a tendência é que o consumidor se sinta mais a vontade para trocar de veículo", afiançou.
Vendas diárias
Em texto distribuído pela assessoria de comunicação da Fenabrave, o presidente da entidade, Alarico Assumpção Júnior, atribuiu o resultado nacional à performance das vendas diretas, que representaram fatia de 45,12% dos emplacamentos de automóveis e comerciais Leves no acumulado até agosto –contra 41,51% no mesmo período de 2018. “Enquanto o varejo cresceu 2,57% no período, as vendas diretas avançaram 17,23%”, comparou.
Em relação à queda mensal, o dirigente avalia que o mercado tem se mantido estável nos últimos meses e diz que a variação negativa está relacionada ao menor número de dias úteis (22 dias em agosto contra 23 dias em julho). O presidente da Fenabrave destaca ainda que a média diária registrou crescimento de 3,91%, confirmando tendência de alta, apesar dos impasses econômicos e políticos do país.
“Enquanto não forem aprovadas as reformas necessárias, tanto os consumidores, quanto os empresários, estarão em compasso de espera para fazerem investimentos. Este sentimento não é só com a distribuição de veículos. Todos os setores da economia estão vivendo a mesma situação”, concluiu.







