Amazonas amplia déficit em sete meses

Em: 10 de agosto de 2012
Queda nas exportações em julho ajudou no crescimento do resultado negativo no período analisado pelo Mdic
Queda nas exportações em julho ajudou no crescimento do resultado negativo no período analisado pelo Mdic

O Amazonas já registra déficit de US$ 7,33 bilhões nos sete primeiros meses deste ano. De acordo com os dados da balança comercial divulgados na quinta-feira (9), pelo Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), o Estado exportou, entre janeiro e julho, o equivalente a US$ 517,25 milhões enquanto as importações do mesmo período totalizaram US$ 7.84 bilhões.
A diferença entre ‘compras e vendas’ cresceu 6,21% frente ao déficit do mesmo intervalo do ano passado (- US$ 6,89 bilhões), quando as exportações responderam por US$ 500,21 milhões e as importações por US$ 7,40 bilhões.
A queda da balança pode ter sido intensificada pelo desempenho de julho. No levantamento, o mês aparece como o que possui maior déficit da balança do ano (- US$ 1,32 bilhão). As exportações somaram US$ 73,35 milhões, uma retração de 12,22% frente ao mesmo mês do ano anterior. Enquanto isso, as importações acumularam o montante de US$ 1,39 bilhão, avanço de 9,01% frente a julho de 2011.
“Em julho, o déficit da balança não foi influenciado pelo aumento das importações, como podemos ser levados a pensar. Acredito até que o volume de compras feitas pelo Brasil continuou o mesmo. O que caiu consideravelmente no mês foram as exportações”, detalhou o economista e vice-presidente da Fecomercio-AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), Aderson Frota.
O concentrado para elaboração de bebidas, principal produto de exportação do PIM, por exemplo, registrou queda de 35,81% em julho. Os ganhos foram de US$ 14,34 milhões contra os US$ 22,35 milhões referentes a julho do ano passado.
“Nós começamos a sofrer com o panorama externo de forma mais direta. Pegamos o ‘vácuo’ da China que nos puxou para baixo esse mês. É importante lembrar que a economia chinesa já sofreu retração de 25% aproximadamente. Se ele vende (exporta) menos para países como os Estados Unidos, consequentemente, não compra”, justificou.

Produtos

Já os outros produtos de maior saída do polo industrial amazonense continuaram trazendo bons resultados. A venda de motocicletas de baixa cilindrada para o exterior cresceu 45,64%. Já a exportação de terminais portáteis para telefones celulares e de aparelhos de barbear não elétricos aumentou 83% e 36,10%, respectivamente.
Os principais destinos foram Argentina (US$ 21,09 milhões), Colômbia (US$ 9,58 milhões) e Venezuela (US$ 8,17 milhões).
Entretanto, as importações cresceram na mesma medida. O custo para importar componentes para rádios e televisores somou US$ 324,99 milhões e a importação de óleo diesel totalizou US$ 186,26 milhões, acréscimo de 3,53% no primeiro caso e de 25,16% no segundo.
Os microprocessadores foram os componentes que registraram maior crescimento percentual. Foram gastos US$ 47,66 milhões para ‘trazer’ o produto, 95,92% a mais na comparação com o custo de julho do ano passado.
As importações foram feitas prioritariamente da China (US$ 517,90 milhões), que avançou 40,77% e dos Estados Unidos (US$ 208,88), acréscimo de 11,86%. Apenas a Coreia do Sul, terceiro maior comprador, com US$ 200,83 milhões, registrou recuo de 13,70%.

Acumulado

Entre janeiro e julho, os principais produtos exportados foram concentrado para bebidas (US$ 93,11 milhões), motocicletas de baixa cilindrada (US$ 82,07 milhões) e terminais para telefones celulares (US$ 54,59 milhões), acréscimos consecutivos de 6,93%, 55,48% e 4,45%.
Nas importações acumuladas, destaque para componentes para rádio e televisor (US$ 1,66 bilhão), óleo diesel (US$ 444,62 milhões) e conjunto para disco-rígido (US$ 283,41 milhões), acréscimos de 6,88% para o primeiro insumo, 4,49% para o segundo e de 110,98% para o terceiro.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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