Amazonas concentra maior acervo sobre etnologia indígena

Em: 29 de abril de 2011
Estudo, financiado pela Fapeam, desenvolveu metodologias específicas cujo objetivo foi identificar a produção bibliográfica no Estado
Estudo, financiado pela Fapeam, desenvolveu metodologias específicas cujo objetivo foi identificar a produção bibliográfica no Estado

Agora ficou mais fácil pesquisar sobre temas relacionados aos povos indígenas do Estado do Amazonas. O Neai (Núcleo de Estudos da Amazônia Indígena), do Museu Amazônico, da Ufam (Universidade Federal do Amazonas), localizado na antiga Faculdade de Direito, Centro da cidade, direcionou estudos para identificar publicações correspondentes ao período colonial até os dias atuais.
O registro de todo esse investimento deverá, em curto prazo de tempo, estar disponível em sistema online, para que o pesquisador tenha acesso imediato a registros como fotografia, narrativas, cartas, literatura e pesquisa científica. É o que afirma o doutor em antropologia, Gilton Mendes dos Santos, coordenador do projeto ‘Amazonas Indígena: Um mapeamento das instituições e da produção bibliográfica sobre os povos indígenas no Estado’.
Financiado pela Fapeam (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas), por meio do Programa de Infraestrutura para Jovens Pesquisadores PPP (Programa Primeiros Projetos), o estudo desenvolveu metodologias específicas cujo objetivo foi identificar a produção bibliográfica sobre os povos indígenas no Estado do Amazonas e das instituições que atuam junto a essas populações nos últimos cinco anos.
Segundo Santos, a pesquisa é marcada por duas etapas. A primeira corresponde ao período colonial, de 1541 até a década de 1930, caracterizada por obras narrativas e crônicas de viajantes e missionários sem uma identificação etnográfica. Nessa década, surgem obras que marcam a transição entre as etapas, como as de Koch Grumberg e Curt Nimubanju, que constituem obras pormenorizadas com detalhes das organizações sociais, parentescos, linguística, cultura material, mitos e ritos das populações indígenas.
A partir dos anos seguintes, na segunda etapa, surgem os primeiros trabalhos acadêmicos culminando com uma tese sobre os Yanomami, em 1962. Inicialmente, foram identificados 1,6 mil títulos entre teses, dissertações, relatórios, livros, artigos, CDs, DVDs, dentre outros, desde o período colonial até o ano de 2009. Quanto às instituições, cerca de 200 foram identificadas, atuantes em trabalhos dos mais diversos, destacando as indigenistas, eclesiásticas, de saúde, governamentais e de ONGs (Organizações Não Governamentais).
Em razão da dispersão, foi difícil identificar e reunir toda a produção. O pesquisador comenta que para resolver esse entrave consultou as diversas fontes possíveis, que vão desde as físicas (bibliotecas de universidades, centros de pesquisa, acervos particulares) até ao sistema online, como o curriculum lates de pesquisadores, instituições internacionais e até mesmo fontes bibliográficas de trabalhos de pesquisa.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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