Amazonas e a Economia Verde

Em: 26 de maio de 2025
Michele Lins Aracaty lançará mais um livro, indicado para quem deseja investir no modelo econômico do século 21 .

No próximo dia 5 de junho, quinta-feira, às 19h, na Biblioteca do Icbeu (av. Joaquim Nabuco, 1286 – Centro), a economista Michele Lins Aracaty, pós-doutora em Desenvolvimento Regional, docente do Departamento de Economia da Ufam e presidente do Corecon-AM/RR, irá lançar seu mais recente livro ‘A Amazônia do futuro e o futuro da Amazônia: a Economia Verde é a nossa bala de prata’. Defensora fervorosa desse tipo de economia, Michele Lins explicou, ao Jornal do Commercio, sobre sua importância para o futuro do planeta.

 

Jornal do Commercio: Por que a Economia Verde é a bala de prata do Amazonas?

Michele Lins: A Economia Verde é o modelo econômico do século 21 que possibilita conciliar o desenvolvimento econômico, a preservação ambiental, equidade e bem-estar social, beneficiando todos os agentes econômicos. Considero a Economia Verde a bala de prata para o Amazonas, uma vez que auxiliará a sociedade e o meio ambiente contribuindo para destravar o ambiente de negócios ao reduzir as vulnerabilidades sociais e econômicas. Promovendo a geração de emprego e renda para as comunidades locais, esta nova economia impulsionará setores estratégicos (energia, transporte, agricultura, indústria e construção) com práticas sustentáveis e inovação tecnológica, melhorando o ambiente de negócios ao estimular as empresas a inovar, se tornando mais eficientes e fortalecendo sua imagem frente ao mercado e aos consumidores.

 

JC: Por que o Amazonas teria as maiores chances de ser a matriz da Economia Verde?

ML: Devido ao elevado percentual de cobertura florestal preservada. Desconheço outro estado que tenha este percentual de preservação tão alto (em torno de 97%). Além disso, o Amazonas tem a menor taxa de desmatamento dos estados que compõem a Amazônia Legal, o que constitui elemento relevante para a Economia Verde. Tais potencialidades possibilitam que o Amazonas se torne uma potência da Economia Verde na região, servindo de modelo para os demais estados.

 

JC: O que é exatamente a Economia Verde?

ML: O conceito de Economia Verde foi criado, em 2008, pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. Constitui um novo modelo econômico sustentável (Nova Economia do Século 21). A Economia Verde foca no processo de transformação econômica para alcançar o desenvolvimento sustentável.

 

JC: Fale sobre suas pesquisas? Como as direcionou para a Economia Verde?

ML: Minha trajetória como pesquisadora começou ainda na graduação, mas foi no período do mestrado que comecei a direcionar meus trabalhos para a economia regional, tendo a Amazônia como foco. Cursei mestrado em Desenvolvimento Regional, depois segui para o doutorado e concluí recentemente o pós-doutorado na mesma área. Ao longo dos anos, tenho buscado contextualizar a Amazônia e o Amazonas nesta nova economia preservacionista, olhando para a Economia Verde como sendo a mais adequada. Sou docente do Departamento de Economia da Ufam, o que me possibilita ter tempo de qualidade para as pesquisas aplicadas. Por isso tenho mais de 30 obras publicadas e dezenas de artigos. Ademais, conto com o apoio incondicional da Fapeam (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas), que vem aportando minhas pesquisas com bolsas desde o mestrado, passando pelo doutorado e recentemente no pós-doutorado.

 

JC: Quais segmentos empresariais já trabalham com a Economia Verde?

ML: Temos diversas iniciativas empresariais com práticas sustentáveis e inovação tecnológica neste novo cenário da Economia Verde. Esta nova economia está presente nos segmentos industrial, da construção civil, energia, transporte, agricultura, atividades comerciais, reciclagem, economia circular e em práticas ESG.

 

JC: Seu livro é indicado para empreendedores e empresários que queiram investir na Economia Verde?

ML: Sim, empreendedores, empresários, pesquisadores, mas tenho como propósito chamar a atenção do setor público para ações coordenadas dos agentes econômicos a partir de uma ampla e assertiva política pública com planejamento de futuro para o Amazonas aproveitando de forma sustentável a biodiversidade amazônica e a conservação da cobertura florestal estadual.

 

JC: Uma pessoa (empresa ou setor público) que queira investir na Economia Verde deve buscar qual segmento?

ML: Existem vários. Energia renovável (solar, biomassa) reciclagem, reaproveitamento e gestão de resíduos, economia circular, desenvolvimento de tecnologias limpas, agricultura orgânica ou regenerativa, plantio de floresta, venda de crédito de carbono, pagamento por serviços ambientais, ecoturismo ou turismo sustentável. Para o setor público, incentivo ao uso de veículos elétricos, bicicleta, transporte público, selo verde, educação ambiental, recuperação de áreas degradadas.

 

Michele, _o Amazonas pode se tornar uma potência da Economia Verde_
Michele, _o Amazonas pode se tornar uma potência da Economia Verde.

Evaldo Ferreira

é repórter do Jornal do Commercio
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