Amazonas e Manaus são destaques na produção de ovos e galinhas

Em: 29 de setembro de 2022
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Marco Dassori

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A produção de ovos do Amazonas cresceu 21% e atingiu 79,4 milhões de dúzias, em 2021. O valor de produção atingiu R$ 344,18 milhões, configurando um salto ainda maior em relação ao ano passado, de 44,93%. Com isso, o Estado já aparece como o maior produtor de ovos da região Norte. O crescimento ocorreu em paralelo com a renovação do recorde brasileiro do segmento. A alta foi de 1,7% em todo o país, somando 4,8 bilhões de dúzias de ovos produzidos. Os dados foram extraídos da PPM (Pesquisa da Pecuária Municipal), realizada e divulgada pelo IBGE.

A mesma base de dados mostra que Manaus já aparece na décima posição do ranking nacional de criação de galinhas. No ano passado, a quantidade de galináceos –que inclui também galos, frangos, frangas, pintinhos e pintainhas –produzida no Estado chegou a 5,1 milhão de cabeças, quantidade 12,8% superior à atingida em 2020. O índice foi superior ao atingido pela média nacional (+3,5% e 1,5 bilhão de cabeças). A oferta se concentrou na capital amazonense, Iranduba, Manacapuru, Itacoatiara e Rio Preto da Eva, embora dois desses municípios ainda tenham apresentado queda. A demanda local, contudo, segue maior e leva o Amazonas a importar o produto de Estados vizinhos. 

Entre as regiões que lideram a produção de ovos de galinha no Brasil, o Sudeste continua na liderança, sendo responsável por 40,4% do total, mesmo registrando queda de 4% em relação a 2020. Entre os Estados, o plantel está concentrado principalmente em São Paulo (24%), Paraná (9,4%), Minas Gerais (8,5%), Rio Grande do Sul (7,9%) e Espírito Santo (7,6%). O município com maior produção em todo o país foi Santa Maria de Jetibá, no Espírito Santo, com 339,5 milhões de dúzias. O “top five” inclui ainda Bastos (SP), Primavera do Leste (MT), São Bento do Una (PE) e Itanhandu (MG).

No Amazonas, foram produzidas 79,4 milhões de dúzias de ovos de galinha em 2021, um aumento de 21% em relação à produção estimada para 2020 –o primeiro ano da pandemia. Com rendimento de R$ 344,18 milhões, a produção avançou 44,93% na comparação com o exercício anterior (R$ 237.48 milhões). Segundo o IBGE, esse foi mais um recorde da série histórica que, desde 1999, aumenta a cada ano. A produção do Estado é a maior do Norte. 

Entre os municípios amazonenses, Manaus é o principal produtor de ovos com 50.100 mil dúzias, e valor de produção de R$ 200,4 milhões. Foi seguido por Iranduba (R$ 55,38 milhões), Manacapuru (R$ 34,41 milhões), Rio Preto da Eva (R$ 6,54 milhões) e Itacoatiara (R$ 5 milhões). Todos registraram altas, com destaque para a capital, onde a produção subiu 41,37%.“Os grandes municípios produtores estão ao redor da capital, que consome boa parte da produção. O Amazonas ainda importa ovos de outros Estados”, assinalou o IBGE-AM no texto de divulgação da pesquisa.

Produção de galináceos

A sondagem mostra que o total de galináceos, que inclui galos, galinhas, frangos, frangas, pintinhos e pintinhas, aumentou 3,5% em todo o território nacional, configurando um acréscimo de 52,2 milhões de animais, elevando o plantel brasileiro para 1,5 bilhão de cabeças. Com alta de 17,8%, Cascavel (PR) chegou, pela primeira vez, à liderança do ranking municipal entre os 5.486 municípios que registraram presença de galináceos. Foi seguido por Santa Maria de Jetibá (ES), que caiu para a 2ª posição. Itaberaí (GO) e Cianorte (PR) ultrapassaram Bastos (SP).

No Amazonas, a estimativa do IBGE é que o total de galináceos, independentemente de idade ou sexo, chegou a 5,1 milhões de cabeças, no ano passado. O efetivo foi 12,8% maior que no ano anterior, o equivalente a um acréscimo de 657.146 animais. O Amazonas ficou na terceira colocação entre as unidades da região Norte, atrás do Pará (28,89 milhões de cabeças) e de Tocantins (8,28 milhões). O menor contingente regional foi registrado no Amapá (75.837).

No que se refere apenas às galinhas, o efetivo amazonense partiu de 3,6 milhões de cabeças, em 2020, para chegar aos 3,8 milhões, em 2021, no Amazonas. Entre os municípios, Santa Maria de Jetibá (ES) apresenta o maior número, com 14 milhões de cabeças, o que equivale a 5,5% do total do Brasil. Manaus (2,3 milhões) está no décimo lugar desse ranking, com um total 0,9% do total. No Amazonas a lista inclui ainda Iranduba, Manacapuru, Itacoatiara e Rio Preto da Eva. Manacapuru (325 mil) obteve a maior alta (+75,21%), mas a capital amazonense (2,35 milhões) e Itacoatiara (75 mil), no entanto, apresentaram quedas respectivas de 16,67% e 2,96%. 

“Bons resultados”

O supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, enfatizou à reportagem do Jornal do Commercio que Manaus se destaca em cabeças de galinhas em nível nacional e que a produção de ovos mantém destaque apenas no âmbito regional. De acordo com o pesquisador, essa é a tendência dos últimos anos, sendo amparada por opções dos produtores e pelas condições dos mercados da região 

“Aqui, as galinhas são, em sua maioria, poedeiras. A produção de ovos mantém-se em alta há alguns anos, em função da alta demanda regional, em que os municípios e capitais regionais do entorno são abastecidos. Os investimentos de empresários locais têm apresentado bons resultados. Outros Estados da região preferem plantel para abate e importar ovos de outras praças. Os dados mostram que a pandemia não afetou tão fortemente a produção. Já o mercado elevou o consumo”, analisou.

“Talento empreendedor”

No entendimento do presidente da Faea (Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas), Muni Lourenço, a confirmação que o Amazonas tem um dos maiores polos nacionais de produção de ovos e o maior da região Norte, se deve à “dedicação e talento empreendedor” de famílias de avicultores amazonenses que se dedicam há gerações na atividade. Ao falar da avicultura de postura, o dirigente salienta também que os resultados se devem igualmente à contribuição de avicultores oriundos da colônia japonesa de Manaus.

“A avicultura de postura no Amazonas vem sentindo bastante com a alta de custos dos insumos, principalmente a partir do encarecimento de rações. Já o abate de galináceos tem menor desempenho porque os polos de produção do Sul e do Centro-Oeste do país têm custos de produção menores e grande escala de produção. Nossa expectativa é que o segmento de produção de ovos se mantenha fortalecido, principalmente porque a atividade é geradora de grande emprego e renda no campo e torna o ovo de galinha mais barato e acessível à população”, arrematou.

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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