Apesar de reconhecer a falta de investimentos no setor e de seus esforços em garantir que Manaus não possui problemas de geração de energia, o diretor-presidente da Eletrobras Amazonas Energia, Marcos Madureira, não conseguiu convencer os deputados estaduais durante uma cessão de tempo que durou mais de duas horas na manhã de ontem, na Assembleia Legislativa, quando os parlamentares ouviram suas explicações sobre os apagões que paralisaram Manaus no último final de semana.
As explicações de que a crise do setor não se relaciona à problemas de geração nem de investimentos irritaram a bancada de oposição, levando o deputado Marcelo Ramos (PSB) a exibir cópia de um documento assinado pelo gerente do Departamento de Serviços de Distribuição da Eletrobras Amazonas Energia, José Maria da Silva Gomes, determinando a redução de orçamentos de custeio e investimentos em todas as áreas da empresa, atendendo a deliberação do Ministério do Planejamento, que cortou gastos no orçamento federal de 2012, no valor de R$ 55 bilhões, sendo R$ 20,5 bilhões em despesas obrigatórias e outros R$ 35 bilhões em “despesas discricionárias”, comprometendo o programa de ações da Amazonas Energia em Manaus.
De acordo com Ramos, o documento também mostra a redução de 12 para oito das empresas terceirizadas que realizam serviços de manutenção do sistema. Defensor de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar e diagnosticar a crise e gerar providências emergenciais, o parlamentar questionou os diretores da Amazonas Energia sobre a redução de 20% dos recursos para os serviços de manutenção. “Reduzir, por exemplo, a manutenção da linha viva, é aumentar o risco de apagões, as empresas terceirizadas todas elas sofreram redução, até a quantidade de motoristas para dirigirem os carros da Amazonas Energia diminuiu”, atacou, dizendo que os parlamentares de oposição insistirão no pedido de CPI para investigar as raízes da crise.
Em resposta aos questionamentos e críticas de Marcelo Ramos e de outros deputados, o diretor-presidente da empresa, Marcos Madureira, reconheceu a diminuição de investimentos e citou o Linhão de Tucuruí, que começará a funcionar a partir de maio de 2013, como solução para a crise, ligando Manaus ao sistema nacional de energia. Ele enfatizou recursos da ordem de R$ 1,2 bilhão para realizar a interligação com o sistema nacional.
O dirigente da empresa se sentiu constrangido com indagações a respeito da empresa Wartisila do Brasil, com suas máquinas sucateadas e descartada do processo licitatório para continuar realizando serviços de medição na cidade. A empresa foi descartada por conta de multa aplicada pelo TCU (Tribunal de Contas da União) em razão de uma série de irregularidades.
“Fizeram juras de amor a Manaus”
“A empresa faliu, houve problemas e agora as medições de março e abril serão feitas por amostragem, e a população vai pagar os prejuízos”, argumentou Marcelo. Em resposta, Madureira explicou de forma lacônica: “É verdade que a empresa foi substituída por problemas na licitação, mas estamos usando uma outra empresa enquanto se resolve o problema licitatório”. Dizendo-se consciente dos problemas da Amazoans Energia em Manaus, Madureira tentou aplacar o descontentamento dos deputados colocando a Amazonas Energia “à disposição para os deputados saberem de todas as nossas ações em favor da dinamização do setor energético nesta cidade”.
O deputado Marcos Rotta (PMDB), presidente da Comissão de Defesa do Consumidor da ALE-AM e autor de representações à Aneel (Agência Macional de Energia Elétrica) e ao Procon contra a Amazonas Energia, foi outro que não poupou críticas à diretoria da empresa, desabafando: “Em várias audiências públicas realizadas na ALE-AM, os diretores da Amazonas Energia fizeram juras de amor a Manaus, prometeram até rasgar diplomas se Manaus tivesse apagões, faltaram com o respeito ao Poder Legislativo do Estado”.
Sidney Leite, do DEM, indagou sobre a questão da conversão da matriz energética da capital e lamentou que as ações da empresa não atendam as demandas da capital. Ele chegou, inclusive, a propor a implantação de uma rede subterrânea de distribuição de energia em Manaus para garantir segurança ao sistema e evitar apagões como os dos dias 18 e 19 causados por um raio que caiu sobre um cabo de sustentação da rede de distribuição.
O líder do governo do Estado na ALE-AM, deputado Sinésio Campos (PT), destacou providências que estão sendo encaminhadas na esfera federal pelo novo líder do Palácio do Planalto no Congresso Nacional, senador Eduardo Braga (PMDB-AM) com o objetivo de ajudar na busca de soluções para a crise.







