Amazonas melhora na desocupação no terceiro trimestre

Em: 28 de novembro de 2020
Amazonas caiu da quarta para 11ª posição entre os percentuais mais elevados do país na taxa de desocupação segundo dados da Pnad Trimestral
Amazonas melhora na desocupação no terceiro trimestre

Em sintonia com o período de reabertura e flexibilização econômica, a taxa de ocupação do Amazonas avançou 1,9 pontos percentuais, na passagem do segundo para o terceiro trimestre, de 47,2% para 49,1%, possibilitando o contingente subir para 1,549 milhão de pessoas – menos da metade das pessoas com idade de trabalhar. Construção e comércio alavancaram o resultado, mas boa parte do acréscimo global se deveu à maior participação de trabalhadores informais (56,4%) e por conta própria (33,3%) no bolo. 

Em paralelo, os números de subocupados e desalentados ficaram estáveis. A taxa de desocupação (16,6%) também mal se moveu, permitindo que o Amazonas caísse da quarta para 11ª posição entre os percentuais mais elevados do país. Embora tenha estagnado, a quantidade de pessoas no Estado que estão sem emprego e procuram um ainda é elevada: 308 mil. Os dados são da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua Trimestral, divulgada nesta sexta (27), pelo IBGE.

Embora tenha subido apenas 0,1 ponto percentual entre o segundo trimestre (291 mil pessoas) e o terceiro (308 mil pessoas), a taxa de desocupação do Amazonas (16,6%) avançou 2,1 pontos percentuais, em relação ao primeiro trimestre de 2020 (14,5%), e 3,3 pontos percentuais frente ao acumulado de julho a setembro do ano passado (13,3% e 252 mil). Bahia (20,7%), Sergipe (20,3%) e Alagoas (20,0%) encabeçaram a lista, ao passo que as menores taxas ficaram em Santa Catarina (6,6%), Mato Grosso (9,9%) e Paraná (10,2%).

A população ocupada do Estado (1,549 milhão) ganhou o acréscimo de 72 mil trabalhadores em relação ao trimestre anterior, mas perdeu 100 mil, no confronto com o mesmo período de 2019. O nível da ocupação (49,1%) se manteve abaixo da metade dos amazonenses com idade para trabalhar – 14 anos ou mais, na definição do IBGE. A despeito do aumento sazonal, a taxa de ocupação despencou 6,1 pontos percentuais em relação ao mesmo trimestre do ano anterior (55,2%).

Informalidade e atividade

“Empregados” responderam pela maior parte dos trabalhadores ocupados no Amazonas: 54% (837 mil). O setor público tinha 276 mil trabalhadores. O setor privado (498 mil), por sua vez, ficou 12,63% menor ante o mesmo período de 2019 (570 mil). A comparação com o acumulado de abril a junho de 2020 (484 mil) – período de pico dos casos de covid-19 no Estado – foi mais favorável, ao apontar elevação de 2,89% e o ingresso de 14 mil pessoas no mercado de trabalho amazonense. Em torno de 68,3% contavam com carteira assinada (340 mil) e 31,7% trabalhavam sem carteira assinada (158 mil pessoas). Em relação ao trabalhador doméstico (63 mil), 92% eram formalizados no emprego.

O menor número foi o de pessoas ocupadas como empregadores, que alcançou 34 mil (2,2%). O trabalho por conta própria, por outro lado, era a alternativa para 515 mil pessoas (33,2% dos ocupados), Foi a terceira maior taxa em todo o país, ficando atrás apenas do Amapá (35,8%) e do Maranhão (34,1%). Pelo menos 94,1% dos trabalhadores por conta própria (483 mil), entretanto, não possuíam CNPJ. Com isso, a taxa de informalidade local (56,4%) foi uma das mais elevadas do país, perdendo apenas para o Pará (60,9%) e o Maranhão (58,8%).

Na divisão por atividades, a administração pública, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (325 mil) foi o grupo que apresentou o maior número de pessoas ocupadas. Na sequência, vieram o comércio (304 mil), a agropecuária (295 mil), indústria (161 mil) e construção (87 mil). Quatro dos setores citados avançaram, sendo que o maior aumento proporcional veio da construção (+24,19%), seguida por comércio (+10,95%), pela indústria (+9,52%) e administração pública (+5,86%). Agropecuária (-1,67%) foi o único a reduzir os quadros. 

Rendimento e subutilização

O rendimento médio real dos trabalhadores com ocupação remunerada no Amazonas foi de R$ 1.955, no acumulado de julho a setembro. Houve queda de 8,31% na comparação com o mesmo aglutinado do ano passado (R$ 1.805) e incremento de 5,42% sobre o valor registrado no segundo trimestre de 2020 (R$ 2.067). A massa de rendimentos, por sua vez, somou R$ 2,708 bilhões, no mesmo período, sendo igualmente maior (R$ 2,690 bilhões) do que a apresentada no mesmo trimestre de 2019 e menor do que a do segundo trimestre deste ano (R$ 2,720 bilhões).

Já o número de trabalhadores subutilizados por insuficiência de horas trabalhadas entre julho e setembro de 2020 foi de 135 mil (33,2%), sendo pouco mais elevada do que a do trimestre anterior (34,1% e 122 mil) e do terceiro trimestre do ano passado (27,2% e 123 mil).

A população fora da força de trabalho (1,295 milhão) teve queda de 66 mil pessoas, na passagem do segundo para o terceiro trimestre, mas ganhou o acréscimo de 208 mil, frente a igual trimestre de 2019. A quantidade de trabalhadores amazonenses “desalentados” (147 mil) – que desistiram de procurar emprego – foi 2,65% menor do que a do trimestre anterior (151 mil), mas avançou 276,92% em relação ao mesmo trimestre de 2019 (39 mil).

“Forte demanda”

O supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, considerou que a quantidade de trabalhadores ocupados no Amazonas “aumentou bastante”, no terceiro trimestre deste ano. O pesquisador ressaltou, contudo, que não foi possível reduzir a taxa de desocupação, pois a força de trabalho não para de crescer e segue com velocidade maior, dado o ingresso de pessoas desocupadas, a cada dia. 

“Essa pressão vem acontecendo ao longo do ano. Há uma forte demanda por espaço no mercado de trabalho. No mesmo sentido, a informalidade apoiada principalmente nos ‘trabalhadores por conta própria, cresceu e já supera o número registrado pelo setor privado. A boa notícia veio da contratação na construção e no comércio, mas a massa de rendimentos, estabilizou no trimestre”, arrematou. 

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
Pesquisar