Segundo dados divulgados nesta sexta-feira pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas) o Estado do Amazonas é hoje o segundo melhor do país em termos de igualdade de rendas, ficando atrás apenas de Santa Catarina. A PNAD (Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios) se baseia no Índice de Gini para medir a diferença entre os rendimentos dos mais pobres e dos mais ricos e levou em conta o rendimento de pessoas acima dos 15 anos de idade em 2012.
De acordo com o IBGE, o Amazonas alcançou 0,449 de média, Santa Catarina, primeiro colocado ficou com 0,430. O coeficiente utiliza uma medição que vai de zero a 1, quanto mais perto de zero, menor é a desigualdade na distribuição de renda. O Estado brasileiro com pior desigualdade de renda é o Maranhão, com uma média de 0,633. No Norte, a pior posição foi ocupada pelo Acre, com média 0,487. A pesquisa utiliza dados referente ao ano de 2012.
Na visão do economista, Jose Laredo, a posição no ranking não quer necessariamente dizer algo positivo. Ele atribui à menor taxa de desemprego no Estado, que possui o polo industrial, como responsável pela diminuição da desigualdade. “Mesmo que 80%, 90% sejam classe C e D, a pesquisa revela uma média geral, justamente por estarem todos mais concentrados. Essa concentração aumentou por que diminuiu o índice de desemprego. Essa pode ser uma explicação. Há uma equidade. Não é necessariamente algo para se comemorar”, destaca. Laredo também se mostrou surpreso com a boa colocação do Estado.
Se considerarmos apenas o trabalho principal, sem levar em conta outras formas de renda, o Amazonas cai para a terceira posição, com média de 0,470. Atrás apenas de Santa Catarina com 0,434 e Alagoas com 0,462. A notícia surpreendeu o presidente do Corecon (Conselho Regional de Economia), Marcus Evangelista, que acredita que a pesquisa não traduz o que a população vivencia. “Pelos meus conhecimentos nós temos um classe A bastante definida e reduzida, uma B em ascensão, assim como a classe C e D, também em ascensão, que é onde estão sendo construídos aqueles shoppings. Mas temos aí bastante desigualdade, em desacordo com o que afirma a pesquisa”, comenta.
Renda média por pessoa
Indo de encontro com o que foi explicado por Laredo, o rendimento médio por pessoa no Amazonas é de R$ 1.095, deixando o Estado na 16º posição. Apesar da queda de posição, para o economista os números não são considerados negativos. “Está dentro de uma média de Estado razoáveis. Não acho que seja algo negativo, está dentro do previsto”. A média amazonense é superior a média de todos os Estados do Nordeste e abaixo de todos Estados do Sul e Sudeste, enfatizando as desigualdades regionais.
Outro dado divulgado pela pesquisa coloca 25% dos domicílios do Amazonas com uma renda média mensal de 1 a 2 salários mínimos, o que corresponde a 1,3 milhões de domicílios. Cerca de 20% dos domicílios, ou 781 mil, teriam uma renda de 3 a 5 salários mínimos. O supervisor de disseminação de informação do IBGE no Amazonas, Adjalma Nogueira, ressalta que apesar da pesquisa considerar a média do Amazonas com pouca desigualdade social 132 mil domicílios têm um rendimento médio mensal de até R$ 472,00, o que equivale a 14,2%, do total. Apenas 16 mil domicílios declararam não ter rendimentos, o que equivale a 1,7% do total.
A pesquisa também constatou que a cada ano vem havendo um crescimento no número de computadores nas residências. Cerca de 35% dos condomínios possuem máquinas virtuais em sua casa, em 2004 esses números equivaliam a apenas 8%, um salto de 49 mil para 324 domicílios com computadores. No mesmo sentido o acesso a internet chega hoje a 27% das casas, representando 252 mil domicílios contra 31 mil de nove anos atrás. Os aparelhos celulares já representam a única forma de telefonia em 75% dos condomínios no Estado.
Migração
A colônia paraense no Amazonas ainda representa a grande maioria dos migrantes. Em 2012 eles alcançaram a marca de 199 mil pessoas; o que representou 5,4% do total da população do Estado. O segundo maior grupo de migrante no Amazonas passou a ser de Acreanos com 1,8%, 67 mil pessoas. E o terceiro era formado pelos maranhenses, com 1,3%. A População do Amazonas hoje é de 3,683 milhões de habitantes, 4 º mais populoso do país.
Índice de Gini
O índice de Gini é um cálculo internacional usado para medir a desigualdade social, desenvolvido pelo estatístico italiano Corrado Gini, em 1912. Apresenta dados entre o número 0 e o número 1, onde zero corresponde a uma completa igualdade na renda (onde todos detêm a mesma renda per capta) e um que corresponde a uma completa desigualdade entre as rendas. Na prática, o Índice de Gini costuma comparar os 20% mais pobres com os 20% mais ricos.







