O percentual de famílias amazonenses com algum tipo de renda cresceu em 2022, e atingiu a melhor marca dos últimos cinco anos. É a primeira vez que isso acontece desde o começo da pandemia. O salto foi de 49,3% para 50,9%, entre 2021 e 2022, e somou 2,12 milhões de pessoas. O aumento ocorreu em sintonia com a concessão de desonerações tributárias e intensificação de políticas de transferência de renda, em ano eleitoral. Ainda assim, o Amazonas ainda aparece com a menor proporção de famílias que contam com a algum amparo financeiro, ficando muito atrás da média nacional (62,6%).
O rendimento médio domiciliar também aumentou, de R$ 874 para R$ 947, mas o Estado só supera Maranhão (R$ 833) e Alagoas (R$ 922) nesse quesito. A distância entre os mais ricos e os mais pobres foi a menor desde 2012. Mas, a renda originada do trabalho não aumentou na mesma medida dos repasses de programais sociais, elevando a proporção de amazonenses que dependem de políticas assistenciais para sobreviver. Ao menos 46,9% (513 mil) dos domicílios do Amazonas tinham famílias nessa situação. É o que revelam os dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua “Rendimento de todas as fontes 2022”, divulgada pelo IBGE, nesta quinta (11).
Segundo o órgão de pesquisa, no ano passado, o rendimento médio mensal domiciliar por pessoa foi de R$ 1.586 em todo o país. Norte (R$ 1.096) e Nordeste (R$ 1.011) foram as regiões que apresentaram os menores valores, em contraste com o Sul (R$ 1.927), Sudeste (R$ 1.891) e Centro-Oeste (R$ 1.857). Os extremos estão no Distrito Federal (R$ 2.802) e no Maranhão (R$ 833). Em torno de 62,6% dos brasileiros (134,1 milhões) contavam com alguma renda – especialmente no Sul (67%) – e esse acesso aumentou em todas as regiões. O melhor número está no Rio Grande do Sul (69%) e o pior, no Amazonas (50,9%).
Programas sociais
A sondagem mostra que quase todos os tipos de rendimento progrediram em valores ao maior nível da série histórica do IBGE, iniciada em 2012. A lista incluiu os “rendimentos de todas as fontes” (R$ 1.858); os “efetivamente recebidos em todos os trabalhos” (R$ 2.129); de “outras fontes” (R$ 1.099); de “aposentadoria e pensão” (R$ 1.748); de “aluguel e arrendamento” (R$ 1.808); de “pensão alimentícia, doação e mesada de não morador” (R$ 601); e de “outros rendimentos” (R$ 670). O único dado negativo veio dos “rendimentos habitualmente recebidos em todos os trabalhos” (R$ 1.988).
O contingente de habitantes do Amazonas que contavam com renda vinda “todos os trabalhos” subiu de 36,4% (1,49 milhão) para 36,9% (1,5 milhão) entre 2021 e 2022. Ao mesmo tempo a fatia de residentes que dependia de “outras fontes” somou 19,4% (807 mil) contra 17,7% (726 mil), na mesma comparação. Essa categoria se destaca nas regiões Norte (11,6%) e Nordeste (14,3%) e inclui aposentadorias e pensões (6,8% 283 mil), além de repasses de programas sociais, entre outros rendimentos.
De acordo com o IBGE, 46,9% (513 mil) dos domicílios do Amazonas contavam com pelo menos uma pessoa que recebia renda de programa social, em sintonia com o que era visto nas demais das regiões Norte (29,1%) e Nordeste (33,8%). O principal deles era o Auxílio Brasil, que também foi predominante nas unidades federativas nortistas (5,5%) e nordestinas (5,3%). Na sequência estavam os repasses de BPC-LOAS (Benefício da Prestação Continuada), com fatias respectivas de 2,9% e 2,1%.
“Em 2021, o Auxílio emergencial foi interrompido, e o Bolsa Família foi substituído pelo Auxílio Brasil. A pesquisa mostra aumento de beneficiários do Auxílio Brasil/Bolsa Família (de 17,4% para 32,3%). Além disso, a proporção de domicílios que recebiam BPC-LOAS subiu de 4,4% para 5,2%”, assinalou o IBGE-AM, no texto de divulgação da pesquisa.
Trabalho e desigualdades
O rendimento do trabalho resultou em massa mensal média de R$ 253,1 bilhões em todo o país. O Norte (R$ 15,7 bilhões) registrou a menor quantia, sendo que, no Amazonas, esse valor não passou de R$ 3,05 bilhões. O indicador avançou 11,7%, entre 2012 e 2019, até cair nos dois anos iniciais da pandemia (-5,6% e -3,2%, respectivamente) e voltar a se recuperar no ano passado (+6,6%). “Dentre os fatores que ajudaram a explicar o aumento entre 2021 e 2022 está o crescimento da população ocupada, que preponderou sobre a queda do rendimento médio do trabalho no período”, explicou o IBGE-AM.
A massa de rendimentos do trabalho passou por expansão entre 2012 e 2015, oscilando entre 2016 e 2019, com estabilidade em 2020, e nova expansão em 2021 e 2022. “Entre 2020 e 2022, houve estabilidade do rendimento médio de todos os trabalhos, no Amazonas. E também aumento da população ocupada. Em 2020, foram estimados 1,361 milhão de ocupados no Amazonas, e em 2022, 1,536 milhão”, assinalou o texto do órgão.
A distribuição de renda melhorou, mas o ganho não foi significativo. O índice de Gini do rendimento domiciliar por habitante atingiu o menor nível em 11 anos. O Amazonas marcou 0,509, em uma escala que vai de 0 (igualdade absoluta) a 1 (desigualdade absoluta). O Estado, no entanto, permaneceu abaixo da média nacional (0,518) e ficou na 14ª posição de um ranking iniciado por Santa Catarina (0,409) e encerrado pela Paraíba (0,558).
Já o índice de Gini sobre o rendimento do trabalho também caiu ao menor patamar da série histórica no Brasil (0,486) e no Amazonas (0,480). Sul (0,430) e Centro-Oeste (0,473) apresentaram os menores índices, enquanto o Nordeste (0,501) ficou com a pior distribuição. O Norte (0,487)foi a única região onde a desigualdade subiu.
“Queda progressiva”
O supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, destaca que o rendimento médio da população amazonense ainda não retomou o nível pré-pandemia. O pesquisador explica também que a posição desfavorável do Estado no ranking brasileiro se deve ao fato de que o percentual de amazonenses que tem sua renda oriunda do trabalho remunerado é um dos menores do país. “O rendimento alcançou o menor valor em 11 anos. Nesse indicador, o Amazonas foi o penúltimo colocado na região Norte, à frente apenas do Pará. O dado indica uma queda progressiva”, salientou.
Adjalma Jaques observa que o Indice de Gini quase não mostrou variação, “indicando que os salários locais ainda estão desiguais”. E salienta o aumento da amplitude dos programas sociais, a partir da pandemia, “Em 2022, eles tiveram alcance ainda maior, impulsionados pelo Bolsa Familia/Auxilio Brasil que chegou a 32,3% dos lares amazonenses. O Estado teve oitavo maior percentual de domicílios inscritos neste programa social”, frisou.
Em texto postado no site da Agência de Notícias IBGE, a analista da pesquisa Alessandra Brito, reforça que, apesar do recuo do índice de Gini, a média de rendimentos do 1% da população brasileira com maiores vencimentos (R$ 17.447) é 32,5 vezes maior do que a média dos 50% mais pobres (R$ 537). “A queda brusca para o menor patamar da série histórica reflete um pouco tudo que observamos: Muitas pessoas voltaram ao mercado de trabalho, os muito pobres estão recebendo um auxílio que se compara ao auxílio emergencial em valor, e o 1% mais rico teve pequena redução no rendimento”, encerrou.







