Na sexta-feira, 19, o físico Marcílio de Freitas, professor aposentado do Departamento de Física de Materiais, da Ufam, promoveu uma manhã de autógrafos de nove de seus títulos, todos com seu tema preferido: a Amazônia. O evento aconteceu no auditório Vitória Régia, no Centro de Ciência do Ambiente, mini-campus da Ufam. Na ocasião foi distribuído o e-book ‘Who will save Amazônia?’. Na entrevista, a seguir, ao Jornal do Commercio, o professor falou sobre seus livros e… sobre a Amazônia.

Jornal do Commercio: Você vai fazer um lançamento de nove títulos seus. Faça um resumo do conteúdo desses livros.
Marcílio de Freitas: Esses nove livros analisam diferentes dimensões existenciais da Amazônia, desde a escala local à global. Pretendo lançá-los em diversas cidades e universidades brasileiras, em especial na COP30, em Belém, em novembro. Esses lançamentos se irradiarão a partir do CCA (Centro de Ciência do Ambiente), da Ufam, devido à importância e liderança intelectual deste Centro nos estudos e pesquisas sobre a sustentabilidade da Amazônia. Essa coleção de nove livros se compõe de três blocos distintos, embora conectados entre si, de obras centradas em estudos prospectivos e contemporâneos sobre a Amazônia.
JC: Seu tema principal é a Amazônia. A Amazônia é única? (livro ‘Era uma vez a Amazônia’).
MF: Única, um universo paralelo, diferenciado e invejado pela maioria dos países. Trata-se de nosso principal tesouro, ainda incompreendido pelos políticos e governantes brasileiros e em processo de contínua destruição. O livro ‘Era uma vez a Amazônia’ é uma homenagem sensível a esta região. Apresenta suas formas, conteúdos, potências motoras, resiliências e fontes de transcendência, imanências e encantamentos ao Brasil e à humanidade, mas alerto: ela está morrendo.
JC: A COP 30 será apenas gasto de dinheiro e nada de soluções? (livro ‘Vida, utopias e esperanças’).
MF: A COP30 não existe para propor soluções para o desenvolvimento social e econômico das regiões e/ou dos países. De certa forma, representa um instrumento político para manter os países com potencial para mitigação das mudanças climáticas reféns de determinações políticas que assegurem as suas subalternidades às supremacias econômicas e tecnológicas dos países industrializados na divisão internacional do mercado globalizado. Logo, identificar os limites e o alcance do desempenho brasileiro na COP30 é um fator determinante para a defesa dos legítimos interesses dos povos amazônicos. Se bem conduzida politicamente, a COP30 pode ser instrumentalizada para redimir o capitalismo predatório de seus crimes e práticas predatórias na região, propondo intervenções nobres e sustentáveis aos seus povos e às suas populações originárias.
JC: O senhor notou que este ano, em pleno verão, ainda não tivemos a cidade tomada pela fumaça? (livro ‘Metamorfoses da sustentabilidade’).
MF: Mas há muita fumaça na atmosfera amazônica; pelo menos quatro vezes mais que o padrão normal para a região. Infelizmente, os gestores públicos, e as pessoas, já naturalizaram o alto grau de aerossóis na atmosfera amazônica. As crianças e os idosos são as maiores vítimas da ausência de uma política pública que assegure a qualidade do ar na Amazônia.
JC: Na sua opinião, qual a solução para os problemas da Amazônia, ou não tem solução? (livro ‘Amazônia, redenção ou destruição’).
MF: As riquezas materiais da Amazônia precisam ser exploradas e industrializadas, de forma sustentável, em benefício de suas populações e do povo brasileiro. Isto exige a implantação de uma política de ciência, tecnologia e inovação, a partir de seus municípios. Entre várias alternativas, esse é o principal foco do livro ‘Amazônia: redenção ou destruição’. Congelar a Amazônia por meio de sua preservação absoluta ou explorá-la por intermédio de arranjos produtivos predatórios são formas de manter suas populações prisioneiras da miséria social e econômica.
JC: Quem deve ler os seus livros (livro ‘Amazônia e as crianças da sustentabilidade’)?
MF: Os livros se apresentam como diálogos com o pensamento universal voltados à educação de nossas crianças e juventude. Vivemos numa fase de transição do mundo descartável ao mundo sustentável. A educação das crianças e dos jovens precisa mudar e propor novas abordagens, sentidos e propósitos humanistas e existenciais. Meus livros apresentam elementos novos aos educadores e às metodologias das ciências da educação.
JC: Você se considera um poeta (livro ‘Amazônia, em versos’), um cronista, um contista, um romancista?
MF: Sou um físico, graduado em 1975 e familiarizado com representações analíticas sobre os processos da natureza, mas, ao longo de 41 anos de exercício de minha profissão de professor e pesquisador do Departamento de Física da Ufam, percebi haver muitas aproximações entre a literatura e as ciências da natureza, à medida que essa entidade (a natureza) não tem pele. Nesse universo heurístico, não há categorização do conhecimento e da forma da escrita. Sou somente um escritor, em busca de originalidade a partir da Amazônia, em prol de seus povos e de seus jovens.







