AMB rejeita trabalho de recém formados

Em: 4 de setembro de 2009
O socorro médico na Amazônia continuará se limitando às operações de navios da Marinha do Brasil ou barcos das secretarias estaduais de saúde
O socorro médico na Amazônia continuará se limitando às operações de navios da Marinha do Brasil ou barcos das secretarias estaduais de saúde

O socorro médico na Amazônia continuará se limitando às operações de navios da Marinha do Brasil ou barcos das secretarias estaduais de saúde. Ocorre que a AMB (Associação Médica Brasileira) rejeita o oferecimento de médicos recém-formados para trabalhar em municípios carentes. Para o presidente da entidade, José Luiz Amaral, faltaria experiência a esses profissionais. Na opinião do dirigente, essa situação, aliada à falta de infra-estrutura crônica na região, colocaria em risco a saúde da população.
Em outros tempos, o Projeto Rondon chegou a enviar estudantes de medicina para aprenderem o ofício na prática no interior brasileiro. Recebidos pelas populações carentes de pequenas cidades do Norte e Nordeste, os profissionais obtinham bons resultados nas suas atividades. Hoje, com raras exceções, a saúde na Amazônia continua dependente de mutirões.
Na semana passada, a AMB sepultou a proposta da ONG (organização não-governamental) Expedicionários da Saúde, que tem larga experiência no atendimento a regiões isoladas, notadamente entre populações indígenas. Em depoimento na audiência pública convocada pela Comissão de Seguridade Social da Câmara dos Deputados, o presidente da entidade, Ricardo Ferreira, defendeu investimentos no sistema itinerante. A audiência debateu a necessidade de mais médicos no interior do país.

Sul e Sudeste

A própria AMB informa que, atualmente, o Brasil conta com 341 mil médicos. O número, contudo, é considerado insuficiente para atender à população brasileira. No entanto, apenas 38% desse total atendem as regiões mais carentes. A maioria dos profissionais se concentra nas regiões Sul e Sudeste do território nacional.
Ricardo Ferreira, por outro lado, defendeu o sistema itinerante: “Não adianta você montar um hospital para atender mil ou 1.500 pessoas. O segredo é montar um grupo médico com profissionais mais experientes e com profissionais mais novos, que dê mobilidade tanto à saúde básica quanto à saúde cirúrgica”, assinalou.
Segundo o presidente da Expedicionários da Saúde, na derradeira operação da ONG, realizada em abril deste ano, os médicos levaram para a Amazônia oito toneladas de equipamentos e fizeram em torno de 300 cirurgias.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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