Ambulantes invadem o centro

Em: 21 de agosto de 2014
Prefeitura não controla aumento de ambulantes, mais visíveis após retirada dos camelôs
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Prefeitura não controla aumento de ambulantes, mais visíveis após retirada dos camelôs

A invasão de vendedores ambulantes nas ruas e calçadas foi criticada por empresários e lojistas do comércio do Centro de Manaus. Mesmo com a intensificação da fiscalização realizada pelos agentes da prefeitura, as vias públicas e os passeios permanecem ocupados de forma indiscriminada pelos ambulantes.
De acordo com o diretor de Ação Empresarial da ACA (Associação Comercial do Amazonas), o comerciante, Aly Bawab, criticou a invasão dos ambulantes no perímetro das ruas Marechal Deodoro, Teodoreto Souto, Guilherme Moreira, Marcílio Dias, Dr. Moreira e José Paranaguá. “Não adianta realocar os camelôs, se não fiscalizam a formação de novos ambulantes nas ruas”, disse.
Bawab disse que os vendedores ambulantes estavam camuflados entre as bancas de camelôs que foram realocadas, no início do mês, para a Galeria Espírito Santo, que fica na rua 24 de maio esquina com a Joaquim Sarmento, ação promovida pela Prefeitura de Manaus para reordenamento do Centro. “Os ambulantes viviam entre os camelôs. Com a retirada das bancas as calçadas ficaram livres e eles estão ocupando esses espaços”, explicou.
Segundo Bawab, inicialmente a fiscalização funcionou e não permitiu a aglomeração de vendedores ambulantes nas calcadas. A demanda de fiscais era maior e diminuiu após a realocação dos camelôs. “Não há esse contingente de fiscais que possa atender ao Centro e também toda a cidade. Então os ambulantes começaram a se sentir na liberdade de tomar outras áreas e aumentar de forma gigantesca”, alertou.
Os vendedores ambulantes encontraram novas maneira de trabalhar, eles carregam mercadorias em bolsas ou sacolas, colocam sobre um banquinho improvisado, vendem e depois saem de forma rápida para outro lugar, sem se preocupar com a fiscalização. “Também usam carrinhos de mão e de supermercados para vender alimentos, água e bebidas. E a prefeitura não está conseguindo combater”, disse Aly Bawab.
A Prefeitura de Manaus estuda a possibilidade de disponibilizar espaços em feiras e mercados da cidade para que estes trabalhadores possam vender seus produtos tranquilamente. A ação contará com a participação da Sempab (Secretaria Municipal de Feiras, Mercados, Produção e Abastecimento) em parceria com a Semc (Secretaria Municipal do Centro) e de outras secretarias municipais.
O secretário da Sempab, Fábio Pacheco, informou que as fiscalizações no Centro serão intensificadas e os ambulantes devem procurar a regularização para que não tenham suas mercadorias apreendidas. “Estamos oferecendo outras alternativas para que essas pessoas possam continuar trabalhando, deixando-as cientes de que não podem mais continuar aqui. Caso insistam, vamos ter que apreender material”, disse.

Poder público nas ruas
Quanto a situação dos camelôs, a Prefeitura de Manaus retirou, no sábado (16), cinco bancas que estavam irregulares na avenida Epaminondas, no Centro. A ação, que faz parte do projeto de revitalização e ordenamento do Centro Histórico da cidade, foi realizada por meio da Sempab em parceria com a Semc.
Das cinco bancas retiradas, duas tinham sido colocadas na avenida recentemente e sem autorização. Outra era usada por terceiros e não pelo responsável cadastrado. Os responsáveis pelas outras duas bancas retiradas já estavam incluídos no projeto Viva Centro Galerias Populares, estando um deles no camelódromo provisório Floriano Peixoto 2 e o outro com um espaço na galeria definitiva Espírito Santo, inaugurada no último dia 1°.
Além das cinco bancas irregulares, também estiveram no foco da operação os ambulantes que trabalham vendendo frutas e verduras irregularmente em carrinhos de mão na região. Eles foram notificados e deverão comparecer a sede da Sempab, localizada na rua Carvalho Paes de Andrade, nº 140, São Francisco, zona Sul, para se regularizarem e buscarem um outro local para o trabalho.

Nova opção
Mas a possibilidade de trocar os pontos nas ruas, por espaços nas galerias disponibilizadas pela prefeitura, ainda divide os camelôs. Para o camelô, Osvaldo Carneiro Frota, 53, ter a sua banca reformada e permanecer no mesmo ponto em que está há mais de 20 anos, seria a melhor solução, mas aceita mudar para um espaço seguro. “Aqui tem cliente passando, fica mais fácil vender. Nas galerias populares o cliente tem que mudar seu caminho para entrar e fazer a compra. Mas se for para ir eu vou”, disse.
Mas na opinião do camelô, Naldo Moraes, 36, a mudança para um local fechado não agrada e ele não pretende sair de onde está. “Estou aqui a 12 anos trabalhando com vídeo game, inclusive conserto os aparelhos, e não pretendo sair daqui”, disse. A banca do Naldo fica numa área privilegiada do Centro, na esquina das ruas Guilherme Moreira e Quintino Bocaiuva.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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